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Archive for the ‘Catolicismo’ Category

Aquele professor, sentado, assistindo à minha palestra, fez-me a pergunta mais difícil. Ele morreu há exatos um mês e um dia. Naquele fim-de-semana em que ele morreu, e em que eu voltei a viver, descobri a resposta. E ele também, na Glória da onisciência divina.

Francesco Langone foi um professor exemplar, um sorriso sempre cativante, exemplo de reta conduta, trabalho duro, ordem, amor pelos alunos e pela ciência. No dia em que ele faleceu, ofereci-lhe várias pequenas obras. Ele retribuiu-me com o mês mais consciente de minha vida. Se eu não acreditasse no post mortem, e na comunhão dos santos, ainda assim poderia dizer que ele pode inspirar a humanidade com seu exemplo, com tudo o que viveu. Mas ele pode muito mais que isso hoje. Pode interceder por todos aqueles que, como ele, querem salgar o mundo com trabalho e alegria.

Requiescat in pace, Francisce!

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Um comentário breve: é assaz importante que estejamos atentos ao que a realidade nos diz. Na vida acontecem pequenos eventos, muitas vezes marginais, mas que podem servir de régua da nossa moral. Que servirão para sabermos se estamos no caminho certo, como placas que encontramos numa estrada que, mesmo sem dizer exatamente onde estamos, servem a confirmar o nosso caminho. Essa docilidade aos acontecimentos, às vezes até ruins, é condição indispensável para uma vida virtuosa.

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Correndo, não aguento mais, não vou conseguir terminar o trecho. Bota Pantera pra tocar. Empurra que vai. Chega. Consegui.

Se não fossem esses momentos, nenhum jogging valeria a pena. O exercício só vale a pena na estafa. Só vale a pena quando você não consegue — ou acha que não consegue — passar de certo limite e se mostra enganado, quebrando-o. A vitória nos alegra, e nos motiva para a próxima vez. Mas é a possibilidade da derrota que nos motivou desta.

Mas não é a endorfina o segredo de tudo. Às vezes parece que só tem proveito aquele “restinho” que achávamos que não íamos conseguir. Aqueles cinco minutos a mais de estudo, na estafa, que nos fizeram entender a matéria da prova, aqueles dez minutos a mais de trabalho no desânimo que resolveram o nosso problema. Sertillanges fala algo como isso, que só o estudo “martirizante” que nos leva a aprender algo.

A zona de conforto nada nos dá. É só quando saímos dela que ganhamos algo. Se, ao fazer musculação, eu não sinto dor, não vou ganhar músculos. “No pain, no gain“, já dizia o maior professor de fisicultura (sim, o Arnold é professor universitário) que já existiu. Se eu quero que meu músculo cresça, eu tenho que “mostrar pra ele” que a força que ele tem não é suficiente. E eu faço isso exigindo dele mais do que ele pode aguentar. Se eu quero aprender algo novo, eu tenho que estudar aquela parte que dói (dói não perdeu o acento, né?), que não entra na cabeça de jeito nenhum. Na prática, é isso que eu não sei, o resto eu já sabia e apenas lembrei.

Continuemos: se eu quero crescer moralmente, eu tenho que fazer aquela coisa que é devida, mas que me repugna: pedir desculpas a alguém que eu morra de vergonha de fazê-lo, levantar da cama enlevado pela “melhor parte” do sono.  Temos ajudas, naturais (como botar Pantera no iPod) e sobrenaturais, quando temos a disposição, o assentimento, em passar dos nossos limites.

Ou do que acreditávamos ser limites.

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Viri Galilæi, quid statis aspicientes in caelum?

A solenidade da Ascensão do Senhor, celebrada ontem, é minha festa litúrgica favorita. Por vários motivos, um deles sendo a ela ter sido composta a mais bela polifonia de todos os tempos por Palestrina. Outro é a quantidade de mistérios que ela encerra. Toda a economia salvífica parece que está presente nesse episódio. Mas não é disso que eu quero falar.

Os discípulos ficaram olhando pra ascenção, babando, “admiramini“. Eis que chegam dois anjos e os avisam, não é para ficar babando, tudo segue como dantes. E eles voltam a Jerusalém, cum gaudio magno, pra continuar cumprindo o seu dever. Para uma pessoa cristã, a vida piedosa deve ser alimento. Ao beber das fontes sagradas, ao contemplar e adorar a Deus, isso deve enchê-la de energias (sem nova era, pelamordedeus!) para cumprir os seus demais deveres, para encontrar o sentido de sua vida e viver segundo ele, sem adiamento nem fugas. E é a isso que nos impele a Ascensão.

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São Tomás de Aquino não tinha o Google. Nossas bisavós não tinham telefone. Einstein não tinha periódicos acessíveis por um índice eletrônico. O que faríamos sem forno, sem microondas, sem internet, sem computador, sem máquina de lavar, canalização de água, de esgoto, sem revólveres, sem telefone, telégrafos, aviões?

Muita coisa.

É da folga moderna ficar limitado pelos meios. Podemos render mais que São Tomás de Aquino em suas pesquisas. Rendemos? Podemos derrotar, com uma arma de fogo, mais inimigos que Joanna D’Arc. Derrotamos?

Estava a ler “A Vida Intelectual”, do famoso Pe. Sertillanges, e ele comentava sobre a vida em família. A edição que tenho é da década de 40. Falava que se juntava a família em calma à noite, para ter um breve colóquio, às vezes o esposo tomava uma obra filosófica para ler e meditar, enquanto a família lhe fazia companhia silenciosa e tranquila. Na hora me veio à mente: “ele fala isso porque à época não existia televisão, que maravilha!”.

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Escuso-me da falha na semana passada, e não sei se manterei postando sempre às segundas-feiras. Mas apareçam, meus dois leitores, na próxima segunda-feira.

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Algumas pérolas lapidadas e alguns diamantes polidos:

“Será sensato, será normal deixar o investigador no gabinete de trabalho, ter assim duas almas: a do trabalhador e a do homem folgado que circula?” — Sertillanges

“Viver na presença de Deus é viver na presença da Verdade. Não só saber que Deus o vê mas também ver a Deus nas verdades manifestadas no mundo”

“Não haveria um só pagão, se nós fôssemos verdadeiramente cristãos” — São João Crisóstomo

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Lendo o Novo Testamento, reparei que quase todas as curas de paralíticos e ressurreições são seguidas de trabalho por parte do beneficiado. A sogra de Pedro foi ressuscitada e passou a servir os apóstolos. O mesmo Pedro mandou Enéias “arrumar-se” depois de curar-lhe a paralisia das pernas.

Não adianta nada, e nisso os ateus estão certos, ficar pedindo milagres em vez de trabalhar para alcançar o que se quer. Os dons do Sabedoria (como Salomão chamava a terceira pessoa) são gratuitos, mas ela quer que façamos jus a eles. Para que fazer-nos andar se for para ficar parados? Para que nos ressuscitar se é para não servir aos outros? Para que nos dar inteligência se não para usá-la para o bem? (não esse “sou do bem” descolado de hoje em dia, que até o Suplicy consegue ser, mas aquele bem que os gregos identificavam com a verdade e a beleza)

Para solucionar o natural, não receberemos milagres não. Quererá Deus que usemos todos os milagres que já recebemos: a vida, a saúde, a força, a inteligência. Tudo isso são milagres. E, quando sobrevierem necessidades sobrenaturais, o milagre terá que ser retribuído de nossa parte, se não de nada adiantará.

E Deus, ao contrário de nós, não perde tempo.

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Não sei se comentei aqui. Não lembro, e estou com preguiça de pesquisar. Matriculei-me em uma disciplina: Programação Linear Inteira (PLI). Meu objetivo com isso é múltiplo: ganhar ritmo de Unicamp, reforçar meus conhecimentos de Pesquisa Operacional, área em que anseio trabalhar e — este que vale destaque no blogue — fazer mais coisa.

“Quanto mais coisa eu faço, mais coisa eu faço”, brinco com meus amigos, que também sabem que vivo uma relação bem “entre tapas e beijos” (mais tapas que beijos) com o meu mestrado. Um breve histórico: apaixonei-me pela área no último ano da graduação. Entrei no mestrado num projeto um pouco diferente daquilo que queria, e isso e mais uma confluência de fatores — entre os quais a minha torpeza, que fique claro — me fez ser relapso e trabalhar muito menos do que deveria. Depois de dois anos, acabou minha bolsa, consegui um emprego “pra garantir o leite das crianças”, e isso atrapalhou o mestrado ainda mais. Tranquei um semestre para ganhar seis meses a mais para concluir e estou, neste momento, há 5 meses e alguns dias do meu jubilamento inexorável.

“Quanto mais coisa eu faço, mais coisa eu faço”. Na graduação, tenho viva memória, os meus melhores semestres eram aqueles em que me empenhava em mais atividades, sem muletas — fugas (farei isto para não fazer aquilo). Os semestres cheios (muitas obrigações) garantiam boas notas, vida social ativa, bom humor, e até emagrecimento. Nos vazios (poucas obrigações), as notas caíam, o humor piorava, a vida social se perdia e, claro, engordava horrores. O mestrado, o que é? Um monte de tempo livre pra você fazer o seu mestrado. Se você não tem disciplina, bau bau. Adiós, amigo! O fosso não tem fundo. Isso é meio que óbvio depois que você conhece muitos posgraduandos. Minha situação não é única, mas pode muito bem ser caricatural.

“Quanto mais coisa eu faço, mais coisa eu faço”. Com esse adágio em mente, matriculei-me em PLI (matéria de que gosto) com o Cid (professor de que gosto), uma disciplina pesada mas empolgante. Meio como uma musculação pesadíssima na qual a endorfina compensa a dor. E, fazendo essa disciplina, trabalhando 44 horas por semana, fazendo uma hora de oração por dia, estudando 15 a 30 minutos de italiano, pretendo também concluir o mestrado.

“Quanto mais coisa eu faço, mais coisa eu faço”. Isso é patentemente exagerado. Não mentiroso, exagerado. Tenho limites humanos. Meu dia só tem 24 horas, das quais não consigo dormir menos de 7 (e mesmo 7 é doloroso) meu físico e meu mental têm suas estafas, e tenho que tomar banho, ter roupas limpas, e outras coisas que me tomam tempo também. Uma hora eu vou quebrar, ou vou desistir e cair num ostracismo, se “trabalhar sem descanso”. Por isso, tenho muitas coisas a ponderar. Coisas a largar (ó dor do apego!), mudanças radicais e ousadas a serem feitas. Mas, sem disciplina, dedicação e ousadia — violência –, como quererei entrar no Reino?

Nisso tudo, há-se de ter um planeamento (pt_PT é muito bacana). Preciso, como conversava ontem com um nobre amigo, e hoje com outro, que me puxaram as orelhas (cada um, uma) sobre o mesmo aspecto — sem se conhecerem, o que é mais fantástico, e sem eu citar ao segundo que conversei isso com o primeiro –: preciso saber o que quero ser. Preciso ter uma idéia de quem é o Arqui-Pereira, o Über-Hanson, o LG ideal. Se eu não sei para onde quero ir, ou se tenho uma vaga idéia — quero ser santo (afirmar isso é uma tolice) — não chegarei a lugar algum. Se sei que quero ir para Quixeramobim, mas não sei que fica no Ceará, posso acabar caindo no Acre ou no Rio Grande. Se sei que fica no Ceará, mas não planejo minha viagem, posso demorar demais para chegar lá e acabar meu combustível e meu dinheiro para abastecer antes de lograr a chegada. Se planejo a minha viagem mas desvio minha rota, quanto antes desviar minha rota, mais longe ficarei da cidade. Propósito, planejamento, perseverança. São os 3 pês que devo lembrar diariamente.

“Quanto mais coisa eu faço, mais coisa eu faço”: consegui criar uma certa disciplina diária nos últimos dias, e cumpri-la ainda que parcialmente (mas sempre acima de 50%), de pequenas tarefas e propósitos diários. Isso não só me dá ânimo como me ajuda em outras atividades. O tempo que essas pequenas disciplinas tomam é como que recebido em dobro, quase como uma fonte de juventude. E, aliás, volto a elas.

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Você acredita em produtos miraculosos estilo “1406“? E se demostrassem um na sua frente? Eu comprei (na verdade, minha mãe) um ferro de passar assim, e não me arrependi. Ele funciona da seguinte maneira: coloque água e sal, ligue, e ele passa camisas no cabide! Digo isso porque foi o que eu acabei de fazer, passar camisas com ele.

Infelizmente, as tarefas domésticas são muito relegadas a segundo plano por mim. Não porque não lhes dou o valor devido, muito pelo contrário. Invejo sobremaneira minha mãe, que limpa a casa todo dia. Não porque as ache indignas de um engenheiro, talvez eu até me ache indigno delas. Mas “dá preguiça”, aquele pecado capital que quase todo mundo esquece.

Há alguns momentos na minha vida, e eu me lembro de dois em especial, que foi diferente. Em 2001 lembro-me de, em um sábado, varrer minha casa sem motivo aparente, apenas para mantê-la organizada. Não sei que bicho me picou pra fazer isso, dado que eu tinha uma consciência dos deveres muito menor naquela época. A outra foi ano passado, praticamente exatamente (lembre-se, um advérbio pode modificar outro advérbio) um ano atrás, pouco depois que conheci a história de Santa Teresinha. Inspirado pelas atitudes da santa, eu me pego lavando o banheiro, isso mesmo!, lavando o banheiro com balde, vassoura, sabão, etc. É triste ter que comemorar atitudes que deviam ser cotidianas, eu sei…

O fato é que muitas vezes o desânimo, o torpor, a acídia, atacam. Nessa hora é meio difícil saber o que fazer. “Faça alguma coisa”, “move on”, “tire a bunda da cadeira” são frases de efeito fáceis, mas difíceis de fazer efeito. Aí dá vontade de viajar, de andar (vagabundo significa aquele que vaga por aí, assim como nauseabundo é aquele que sente náusea por aí), de tudo, menos de cumprir com o necessário.

Tem um saite que me ajuda um pouco na empreitada. É o remember the milk. Ele permite que eu faça um todo-list e deixe-o no meu GMail. Pela própria interface do GMail eu consigo adicionar tarefas, que aparecem numa listinha em ordem de deadline. Quase todas na minha lista estão vencidas, é claro. Mas outro dia eu me peguei realizando o que eu tinha por fazer apenas para ter o prazer de tirá-los da lista. É um incentivo idiota, mas um incentivo! Recomendo o saite caso você seja preguiçoso ou esquecido, realmente ajuda.

E, por ora, termino as digressões, já que tenho muito por fazer (se eu não tivesse vergonha extrema, postaria uma foto da situação da minha casa neste momento), agradecendo ao Leo e ao Chico pelo café-da-manhã saudável, gratuito e agradável!

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Curte viajar? Viaja muito? Duas dicas: dopplr e “Dizem que eu viajo“. Obrigado por me ler, e até mais!

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Acho um absurdo a Igreja se meter assim nas questões de Estado! Ainda bem que a ciência prevaleceu sobre o obscurantismo, na questão das células-tronco embrionárias, ao contrário do que vimos em muitas ocasiões na história. Não podemos deixar a religião interferir na vida pública!

A oposição à escravidão, verificada no início do primeiro milênio, foi contra a base da economia romana, e contra o progresso material! Quando as luzes vieram, no renascimento, retomamos a escravidão, que nunca devia ter sido encerrada. E pra você ver como os católicos querem se meter na vida de todos, quando os bandeirantes quiseram botar os vagabundos dos índios pra trabalhar de escravos, os jesuítas não deixaram! Já na Idade Média, a regulamentação da tortura, obra de carolas, impediu que se torturasse alguém mais do que uma vez na vida e que se derramasse o seu sangue no processo, impedindo muitas investigações e tirando um poder lícito dos reis. Depois, a catequização dos índios e o combate ao infanticídio e às guerras fratricidas entre eles dizimou valores culturais antiqüíssimos, mostrando quão opressora é essa instituição.

Depois, na sociedade moderna, vemos que a Igreja impôs muitos de seus mandamentos na lei. Por exemplo, a proibição do assassinato acabou com o justo direito dos Estados sobre os seus cidadãos. E quer lei mais opressora que o atentado ao pudor? Por que não pode bacanais em público, como faziam os romanos? E o estupro, mero seguimento da natureza? Só são proibidos por causa da Igreja!

Não é só isso, em muitas outras coisas a Igreja e seus carolas interferiram nas leis até hoje, cometendo diversos impropérios e entraves à civilização! Por que não posso matar meus filhos se nascerem com deficiência? Por causa da Igreja! Pois onde ela não atuou, pode. Por que não posso bater na minha mulher caso ela me desobedeça? Por causa da Igreja! Onde esses reacionários católicos não têm vez, essa ação naturalíssima pode ser feita! Aliás, eu deveria ter o direito de matá-la a pedradas caso me traísse, mas os cristãos acabaram com esse direito!

E a pedofilia? Os gregos eram muito felizes com seus rapazotes, mas depois a Igreja, com seu moralismo, proibiu esse prazer! E os doentes? Que morram! Por que essa instituição tinha que se meter na vida dos saudáveis e inventar os hospitais? E ainda dar aos doentes direito de ser tratados gratuitamente, como pode? E essa história de educação gratuita e universidades? Invenção da Igreja Católica, o Estado não pode fazer isso! Por causa da Igreja, eu não posso arrancar a mão dos ladrões, matar o filho daquele que mata meu filho, eles impuseram uma série de coisas contrárias a tudo isso, que sempre foi feito na humanidade até a Igreja Católica se meter com seus tentáculos opressivos.

Está na hora de darmos um basta a esses que querem colocar seus valores religiosos nas leis. A luta continua!

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