Feeds:
Posts
Comentários

Archive for setembro \27\UTC 2008

Você acredita em produtos miraculosos estilo “1406“? E se demostrassem um na sua frente? Eu comprei (na verdade, minha mãe) um ferro de passar assim, e não me arrependi. Ele funciona da seguinte maneira: coloque água e sal, ligue, e ele passa camisas no cabide! Digo isso porque foi o que eu acabei de fazer, passar camisas com ele.

Infelizmente, as tarefas domésticas são muito relegadas a segundo plano por mim. Não porque não lhes dou o valor devido, muito pelo contrário. Invejo sobremaneira minha mãe, que limpa a casa todo dia. Não porque as ache indignas de um engenheiro, talvez eu até me ache indigno delas. Mas “dá preguiça”, aquele pecado capital que quase todo mundo esquece.

Há alguns momentos na minha vida, e eu me lembro de dois em especial, que foi diferente. Em 2001 lembro-me de, em um sábado, varrer minha casa sem motivo aparente, apenas para mantê-la organizada. Não sei que bicho me picou pra fazer isso, dado que eu tinha uma consciência dos deveres muito menor naquela época. A outra foi ano passado, praticamente exatamente (lembre-se, um advérbio pode modificar outro advérbio) um ano atrás, pouco depois que conheci a história de Santa Teresinha. Inspirado pelas atitudes da santa, eu me pego lavando o banheiro, isso mesmo!, lavando o banheiro com balde, vassoura, sabão, etc. É triste ter que comemorar atitudes que deviam ser cotidianas, eu sei…

O fato é que muitas vezes o desânimo, o torpor, a acídia, atacam. Nessa hora é meio difícil saber o que fazer. “Faça alguma coisa”, “move on”, “tire a bunda da cadeira” são frases de efeito fáceis, mas difíceis de fazer efeito. Aí dá vontade de viajar, de andar (vagabundo significa aquele que vaga por aí, assim como nauseabundo é aquele que sente náusea por aí), de tudo, menos de cumprir com o necessário.

Tem um saite que me ajuda um pouco na empreitada. É o remember the milk. Ele permite que eu faça um todo-list e deixe-o no meu GMail. Pela própria interface do GMail eu consigo adicionar tarefas, que aparecem numa listinha em ordem de deadline. Quase todas na minha lista estão vencidas, é claro. Mas outro dia eu me peguei realizando o que eu tinha por fazer apenas para ter o prazer de tirá-los da lista. É um incentivo idiota, mas um incentivo! Recomendo o saite caso você seja preguiçoso ou esquecido, realmente ajuda.

E, por ora, termino as digressões, já que tenho muito por fazer (se eu não tivesse vergonha extrema, postaria uma foto da situação da minha casa neste momento), agradecendo ao Leo e ao Chico pelo café-da-manhã saudável, gratuito e agradável!

***

Curte viajar? Viaja muito? Duas dicas: dopplr e “Dizem que eu viajo“. Obrigado por me ler, e até mais!

Anúncios

Read Full Post »

Saudades do Edu

Por que razão não sei, acabei fuçando coisas do meu amigo Edu Levy. Há tempos que ele não escreve nem em seu blogue, nem no pequeno burguês. Agora ele escreve no resistência. Achei esta pérola, de 29 de maio último, em http://nemersonlavoura.blogspot.com/2008/05/socialismo-real.html

Sou arrastado pelas más companhias a um desses cinemas alternativíssimos em que pululam araras e outros bichos. Filme francês. Filme francês. Quatro filmes brasileiros. Todos quatro bancados por Petrossauro e Lei de Incentivo à Cultura. Vejo aquela gente nojentinha, com eterna cara-de-dor de barriga, e penso: Socialismo é isso: dinheiro tirado da boca dos desdentados para sustentar subintelectuais de classe média para que façam filmes sobre a miséria dos desdentados, aos quais só assistirão subsubintelectuaizinhos de classe média que foram condenados pelo destino a ter uma sempiterna cara de dor-de-barriga por causa da miséria dos desdentados.

O cara escreve realmente muito bem.

***

Alunas conversam no bumba:

— Hoje o professor perguntou pra gente “O que é o bem pra você?”. Matar é mau, não é (tenho certeza que a moça em questão grafaria “mal”)? Mas Deus mata. (Ela comenta a passagem bíblica do mar vermelho fechando matando os egípcios que perseguiam Moisés). Aí ele falou pra gente que o bem é relativo! Nunca tinha pensado nisso!

Sabe o que é pior? A oxigenada coitadinha tem a menor parcela de culpa nisso. Ela não parou pra pensar que o ato de matar pode não ser necessariamente mau, e a relatividade não está no bem, mas no ato de matar. Até aí, ok. O problema é ensinarem essas besteiras… Agora que falei do Edu, queria que ele tivesse visto essa cena, pelo menos ele faria um comentário que, com toda a certeza, me faria gargalhar.

Read Full Post »

Eu tenho um grande sonho patriótico. Eu quero, um dia, entrar em uma locadora e não ver a seção “cinema nacional”.

Uma vez uma pessoa, ao me ouvir dizer isso, olhou pra mim com aquela cara de “seu estrangeirista vendido”. A verdade é o contrário. Quando eu vejo um filme, brasileiro, americano, alemão ou iraniano, é pelo que ele pode me dar. Diversão, temas pra refletir, emoção, ou apenas minutos de distração. O fato dele ser brasileiro não me dará isso mais ou menos.

Tropa de Elite é um filme policial, Meu Nome não é Johnny uma comédia, o Homem que Desafiou o Diabo uma pornochanchada, Cidade de Deus é um drama de ação, Central do Brasil um drama sem ação e o Quatrilho pertence ao gênero “chatice insuportável”. Já a Dona da História é uma legítima comédia romântica e merece um destaque. Embora bobinho, é uma comédia romântica no molde das inglesas, e melhor que muitas delas. Consegue ser legitimamente brasileiro sem “forçar a barra”, sem ter que afirmar sua “brasilidade” a cada instante. É bom, não por ser brasileiro, mas apesar de ser brasileiro.

Outra coisa insuportável: todo filme europeu cai na sessão “Cult” ou “Interesse Especial”. O Fabuloso Destino de Amélie Poulain não é cult, é uma comédia romântica também, só diferentezinha. Corra Lola Corra é um videoclipe, um filme de ação. Não é mais cult que Matrix ou Clube da Luta. Já “O Cheiro do Ralo” é um filme cult, mas mais precisamente um filme nonsense, mas colocá-lo-ia na seção de comédia sem dor na consciência. Está na de cinema nacional. Ora, alguém que goste do Cheiro do Ralo, não necessariamente gostará de Dias de Nietzsche em Turim ou de Meu Tio Matou um Cara. Não são do mesmo gênero, definitivamente.

Ao colocarmos todos os filmes europeus na categoria de “filmes intelectuais” e todos os filmes brasileiros na categoria “vai lá, assiste, dá um valor pro seu país”, subestimamos estes e superestimamos aqueles. É um desrespeito com a boa produção nacional. Há filmes brasileiros bons e ruins. Olga é Péssimo, Tolerância também, e o Homem que Copiava, apesar de meu asco moral por sua tese, é um filme bom, comparável à produção estrangeira que nos chega. Estamira me deu vontade de vomitar (pode ser porque eu o assisti no cinema mais fedido da face da terra, o Cine Arte Posto 4 em Santos) e Ilha das Flores seria mentiroso e auto-contraditório filmado no país que fosse.

O cinema brasileiro será muito melhor no dia em que não precisar ser brasileiro, em que for “cinema ponto”.

***

É impossível, na América (provocação a meu amigo Tomás) passar um 4 de julho sem ouvir milhares de fogos de artifício, por mais que você esteja no sudoeste de Montana. No 7 de setembro deste ano, em Santos (cidade mãe da independência), não ouvi nenhum.

Não interessa que D. Pedro não fosse dado aos estudos, e que fosse português, herdeiro, marionete do José Bonifácio. Ele proclamou a nossa independência de Portugal, e foi uma independência verdadeira, apesar de tudo. Nenhuma história de nenhum país é linda e maravilhosa, feita com heróis saídos da tradição homérica, e feitos de bravura incontáveis. Todos os homens têm defeitos morais, inclusive os heróis, e descartar seu heroísmo por causa disso é jogar fora uma razão, é jogar fora o valor dado à pátria.

D. Pedro, ao voltar a Portugal, tornou-se Pedro IV. É conhecido por lá como “O Libertador”, pois libertou Brasil de Portugal e, depois, Portugal do absolutismo. Também é conhecido como “Rei Soldado”, por pelejar na guerra civil portuguesa de 1832. Era definitivamente um homem de uma coragem rara, principalmente se comparada à baitolagem dos moleques de hoje em dia. Soube se cercar das pessoas certas, e tomar as atitudes necessárias para que o Brasil fosse um país independente. O problema é que, com nossa história, fazemos o mesmo que com nosso cinema: colocamos numa prateleira separada.

Read Full Post »