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Resoluções de ano novo

Eis que mais um ano se encerra. Dois mil e oito. Nesse ano aconteceram muitas coisas de ordem pessoal na minha vida. Ora, que besteira! Aconteceram muitas coisas de ordem pessoal na vida de todos. Um ano é um ano e, não fosse pelos nossos atos, um seria igualzinho ao outro, salvo mudanças climáticas (ih! acho que o discurso em voga é o total oposto disso…)

No meu fuso horário, que não é mais que uma convenção, faltam menos de 2 horas para que o ano de 2008 se encerre. A Terra se encontra no mesmo ponto em relação ao Sol que estava há 366 dias. Embora o mesmo valha para ontem e ante-ontem. Outrora o ano era marcado pelo início da primavera. Para outros, pelo aniversário de algo. Mas, repito, um ano é um ano, a convenção não interessa, todos comemoram de alguma forma o ano novo, que é sempre da duração de um ano, excetuando alguns erros de cálculo aqui e ali. Comemore o ano novo quando você quiser, mas comemore-o.

Há algo da natureza impresso no ano, como há também nas semanas e nas estações do ano e nos meses. Todos são, não invenções humanas, mas realidades naturais. A Terra demora aproximadamente 365,25 dias para dar uma volta em torno do Sol, que, do ponto de vista da Terra, passa aproximadamente 30 dias voltado para cada constelação zodiacal. Principalmente nas zonas subtropicais, no decorrer do ano, é possível verificar quatro macro-comportamentos na natureza, decorrentes da inclinação do eixo da Terra em relação ao Sol. Também há quatro dias especiais, em que o dia é o mais curto ou o mais longo do ano — os solstícios –, ou a duração de dia e noite é idêntica — os equinócios. Qualquer um que não seja um fundamentalista vai conseguir ler tudo isso no Gênesis. Não só no Gênesis, mas também no paganismo. Cultuar Terra e Sol foi o que fizeram ao ver que eles eram uma realidade dada — inalteráveis pelo homem — e imutável e que, por outro lado, nos influenciava enormemente.

Por isso, a prática de resoluções de ano novo — e reitero que não interessa quando é o “seu” ano novo! — é muito salutar. Assim como a prática das resoluções de mês novo (“entro na aula de dança mês que vem”), de semana nova (“começo o regime na segunda”) ou de dia novo (“amanhã não faço de novo essa burrada”). O ano, por ser mais longo, dá tempo para os percalços nos propósitos, da queda e do levantar-se.

Se você já se convenceu a fazer resoluções de ano novo, pode parar de ler. Farei cá as minhas — isto é um blogue pessoal, oras! Preparei-as recentemente, e não sei se as cumprirei. Mas é claro que tentarei.

  1. Cumprir as resoluções menores, e os planejamentos pequenos — se disse “amanhã farei isso”, que o faça.
  2. Alternar rotina e mudança. Ter hábitos rotineiros como acordar cedo e fazer exame de consciência antes de dormir, e ao mesmo tempo ter ímpeto de certas mudanças necessárias e/ou salutares.
  3. Terminar o mestrado. Ora! Já levei tempo demais.
  4. [Intimamente ligado com o anterior] Trocar de emprego. Gosto muito do meu emprego atual, o relacionamento com a empresa é fantástico, mas não é para isso que eu estudei, não é a minha vocação natural ou preparada.
  5. Mudar-me para São Paulo ou Rio de Janeiro. Não dá para negar, o Brasil acontece nesses dois lugares. [Dá para perceber que está ligada com as duas anteriores].
  6. Melhorar sempre os hábitos, adquirir virtudes, livrar-me dos vícios — dedicar-me aos meus compromissos pessoais, profissionais, a meu apostolado e outras iniciativas, e principalmente aos teleológicos.
  7. Não desistir de visitar o bom velhinho, como acabei por fazer em 2008.

Sete resoluções, dá pra lembrar de uma cada dia da semana, não? Se quiser, escreva as suas aí na caixa de comentários ou deixe um link pro seu blogue, caso tenha-as escrito por lá.

Estou com a sensação de que esqueci algo. Esqueci?

Ah! Feliz Ano Novo.

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Eu tenho um grande sonho patriótico. Eu quero, um dia, entrar em uma locadora e não ver a seção “cinema nacional”.

Uma vez uma pessoa, ao me ouvir dizer isso, olhou pra mim com aquela cara de “seu estrangeirista vendido”. A verdade é o contrário. Quando eu vejo um filme, brasileiro, americano, alemão ou iraniano, é pelo que ele pode me dar. Diversão, temas pra refletir, emoção, ou apenas minutos de distração. O fato dele ser brasileiro não me dará isso mais ou menos.

Tropa de Elite é um filme policial, Meu Nome não é Johnny uma comédia, o Homem que Desafiou o Diabo uma pornochanchada, Cidade de Deus é um drama de ação, Central do Brasil um drama sem ação e o Quatrilho pertence ao gênero “chatice insuportável”. Já a Dona da História é uma legítima comédia romântica e merece um destaque. Embora bobinho, é uma comédia romântica no molde das inglesas, e melhor que muitas delas. Consegue ser legitimamente brasileiro sem “forçar a barra”, sem ter que afirmar sua “brasilidade” a cada instante. É bom, não por ser brasileiro, mas apesar de ser brasileiro.

Outra coisa insuportável: todo filme europeu cai na sessão “Cult” ou “Interesse Especial”. O Fabuloso Destino de Amélie Poulain não é cult, é uma comédia romântica também, só diferentezinha. Corra Lola Corra é um videoclipe, um filme de ação. Não é mais cult que Matrix ou Clube da Luta. Já “O Cheiro do Ralo” é um filme cult, mas mais precisamente um filme nonsense, mas colocá-lo-ia na seção de comédia sem dor na consciência. Está na de cinema nacional. Ora, alguém que goste do Cheiro do Ralo, não necessariamente gostará de Dias de Nietzsche em Turim ou de Meu Tio Matou um Cara. Não são do mesmo gênero, definitivamente.

Ao colocarmos todos os filmes europeus na categoria de “filmes intelectuais” e todos os filmes brasileiros na categoria “vai lá, assiste, dá um valor pro seu país”, subestimamos estes e superestimamos aqueles. É um desrespeito com a boa produção nacional. Há filmes brasileiros bons e ruins. Olga é Péssimo, Tolerância também, e o Homem que Copiava, apesar de meu asco moral por sua tese, é um filme bom, comparável à produção estrangeira que nos chega. Estamira me deu vontade de vomitar (pode ser porque eu o assisti no cinema mais fedido da face da terra, o Cine Arte Posto 4 em Santos) e Ilha das Flores seria mentiroso e auto-contraditório filmado no país que fosse.

O cinema brasileiro será muito melhor no dia em que não precisar ser brasileiro, em que for “cinema ponto”.

***

É impossível, na América (provocação a meu amigo Tomás) passar um 4 de julho sem ouvir milhares de fogos de artifício, por mais que você esteja no sudoeste de Montana. No 7 de setembro deste ano, em Santos (cidade mãe da independência), não ouvi nenhum.

Não interessa que D. Pedro não fosse dado aos estudos, e que fosse português, herdeiro, marionete do José Bonifácio. Ele proclamou a nossa independência de Portugal, e foi uma independência verdadeira, apesar de tudo. Nenhuma história de nenhum país é linda e maravilhosa, feita com heróis saídos da tradição homérica, e feitos de bravura incontáveis. Todos os homens têm defeitos morais, inclusive os heróis, e descartar seu heroísmo por causa disso é jogar fora uma razão, é jogar fora o valor dado à pátria.

D. Pedro, ao voltar a Portugal, tornou-se Pedro IV. É conhecido por lá como “O Libertador”, pois libertou Brasil de Portugal e, depois, Portugal do absolutismo. Também é conhecido como “Rei Soldado”, por pelejar na guerra civil portuguesa de 1832. Era definitivamente um homem de uma coragem rara, principalmente se comparada à baitolagem dos moleques de hoje em dia. Soube se cercar das pessoas certas, e tomar as atitudes necessárias para que o Brasil fosse um país independente. O problema é que, com nossa história, fazemos o mesmo que com nosso cinema: colocamos numa prateleira separada.

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Na quinta-feira fui a São Luis, cujo centro achei semelhante à parte antiga e acabada do centro histórico de Santos. É triste, é um lugar caindo aos pedaços. A cidade não tem cara de capital, parece mais caiçara que muita cidade por aí e, apesar da beleza natural e da beleza que ainda resta em algumas construções antigas, é uma cidade deveras “enfeiada”. O Maranhão é o lugar mais politicamente atrasado do país, é o único lugar que ainda tem um dono. Mesmo sendo um estado de 4 senadores (afinal, Sarney é senador pelo Amapá!), se tem algum benefício político é capitalizado apenas para os políticos. Tem um litoral privilegiado para portos, e uma posição logística excelente (muito mais próximo dos EUA e da Europa que Santos ou Tubarão), mas não há vigor na economia local (muito diferente do que vi em Recife, por exemplo, cidade pujante).

***

Eu gosto demais das benesses do progresso. Pegar um avião, botar um iPod na orelha, e abrir um livro comprado no aeroporto, ter a garantia que um corticóide te salvará de uma dor que causava suicídios outrora, é excelente. Mesmo que o livro aberto seja Ortodoxia do Chesterton e a música ouvida seja uma missa de Palestrina (minhas opções), isso só demonstra outra coisa ainda mais fantástica dos tempos atuais: você poder escolher “em que época você quer viver”. Um contemporâneo de Bach, por exemplo, apesar de ter acesso a “música popular” melhor, teria menos chance de escutar música mais antiga do que eu, mesmo em uma sala de concerto.

Mas não boto minha fé no progresso. O progresso não é garantido, não é linear, pode-nos levar a melhor ou a pior. Gosto do que ele me trouxe, gosto demais, mas não o coloco em um altar e lhe presto culto, apenas agradeço às gerações passadas e presentes pela genialidade e pelo trabalho.

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Falando em Ortodoxia do Chesterton, comprei o livro meio que “no susto”. Ao passar pela livraria Laselva, no aeroporto de São Luis, olhei a vitrine como sempre olho, para saber quais são os livros de auto-ajuda do momento e vi, em destaque num canto da vitrine lateral, “Ortodoxia”. “Não pode ser o do Chesterton” — pensei — e, ao ver que era (e custava menos de 20 reais), entrei, chamei um atendente — “quero o Ortodoxia do Chesterton” — que ficou meio perdido, mostrei-lhe o livro na vitrine, e ele pegou uma cópia para mim em uma das bancadas da frente. Surpreendeu-me realmente e positivamente ver uma edição brasileira do livro, e não pude me furtar a comprá-lo. Para fugir do meu vício de comprar e botar na estante, comecei a lê-lo quase imediatamente, deixando para trás a leitura que havia começado no aeroporto de São Luis.

Li os prefácios no aeroporto e aqui no avião (onde fiz uma pequena pausa para fazer os meus relatórios de horas e despesas e escrever estas linhas), os dois primeiros capítulos. Já recomendo. O livro está tabelado a R$19,90 — uma pechincha — e você encontra com descontos por aí (para clientes do Mais Cultura está a 17,91), a edição é bacaninha e a leitura é leve mas profunda. Assim que cessar a turbulência voltarei para ele (ou para a carta Encíclica Spe Salvi, de Bento XVI — o livro que comecei a ler em São Luis –, que também recomendo e pode ser baixada gratuitamente do site do Vaticano ou comprada a preços módicos em livrarias, em edição conjunta da Paulus e da Loyola), pois estou instigado com sua entrada no tema com a questão da loucura e da razão.

Chesterton diz, com maestria, que o louco, o lunático, não é aquele que perdeu a razão, mas aquele que perdeu tudo menos a razão. E diz que só pode apreciar a loucura aqueles que são sensatos. Para o abilolado, a loucura é absolutamente normal, e ele não vê naquilo graça alguma. Por isso os poetas estão distantes da loucura: ao abrir mão dos excessos de razão, imaginam, e imaginando fogem do que é normal, correm muito menos risco de serem loucos. Não dá para concentrar 20 páginas de um mestre em metade de um parágrafo de um pedante um pouquinho culto da Tatâmbia como eu, vá lá e leia. Se não quiser gastar, deve haver e-books legais por aí — a obra é centenária, e é por essa comemoração que foi publicada no Brasil.

É isso aí, vou tentar escrever com mais freqüência (agora principalmente que parei de passar mal em aviões, há um tempo bom a ser aproveitado aí) de novo! Obrigado por me ler e até mais!

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ou: πανκαταπυγια – δευτερος τομος

Neste último fim de semana tive um dos episódios mais dolorosos da minha vida, e dentre eles, o mais desesperador. Em 2001, tive apendicite, que por horas não me leva a complicações possivelmente letais. Em 2004, arranquei um ciso, e a picada da anestesia foi a dor mais intensa que já senti. Em 2006 tive cálculo renal, uma dor pior que a da apendicite, mas expelido rapidamente, pude obter o alívio com analgésicos e relaxantes. Na última semana, provavelmente causada por mudanças bruscas de temperatura, adquiri uma nevralgia do nervo facial esquerdo.

A nevralgia é uma inflamação dolorosa de um nervo. O nervo facial é vizinho do nervo trigêmeo e a nevralgia do trigêmeo, ou trigeminalgia, é conhecida como “doença do suicídio”, pois leva as pessoas a cometerem suicídio desesperadas pela dor. A minha nevralgia, graças a Deus, foi mais leve. O nervo facial dói menos, mas é igualmente desesperador. Não vou contar todo o meu itinerário hospitalar, mas digo que foi uma barra. Pouco antes de ser diagnosticado definitivamente, tudo que eu queria era que me dopassem, estava quase a implorar por isso, enquanto não conseguisse uma solução definitiva.

Contam da trigeminalgia que muitos são levados a arrancar dentes (às vezes metade da arcada), crendo que é uma dor de dentes. Passei por isso, por um bom tempo pensei se tratar de uma dor de dentes, e o desespero era tanto que eu aceitaria que arrancassem alguns deles, passando pelo doloroso episódio anestésico que já citei, para me livrar dela. Teria uma dor mais intensa ainda, mas breve, e que me curaria.

Há dores que curam. A picada de uma anestesia, a extração de dentes. Na vida, há outras dores mais sutis, que também são extrações. Ao falar de Amor, São Josemaria Escrivá relata de um discípulo que o escreveu dizendo que tinha “dor de dentes de amor”. O Santo disse que compreendia, e que gostaria que o discípulo o deixasse “fazer umas extrações”.

A dor de não amar verdadeiramente não é pungente como uma nevralgia ou a de um dente torto. E por isso não fazemos as devidas extrações, extrações necessárias para o reto caminho. Amar não é uma besteira de novela, não é um sentimento, acho que já falei demais disso por aqui, e o Julio falou melhor do que eu.

Só espero que ninguém (eu incluso) tenha que passar pelo desespero de uma “nevralgia da alma” para resolver o problema.

***

Há muito o que falar de minhas recentes viagens, mas que fique claro: se há cidades com cultura no Brasil, essas são o Rio de Janeiro e Recife, além da óbvia São Paulo.

Aliás, o Rio de Janeiro é de uma elegância ímpar, parece que tudo lá cai bem. Os prédios geminados de Copacabana, ou as edificações antigas (e elegantérrimas) de Ipanema e da Urca, ou as Universidades da Praia Vermelha, tudo lá parece adequado, caindo bem, de acordo com a época construída. O prédio da UFRJ é um verdadeiro prédio universitário, não as caixas de concreto que vemos em São Paulo. E tem uma capela de invejar a mais antiga das PUCs.

Já Recife é mais high-tech. Em Recife há gruas, prédios e pobreza. É a Dubai brasileira, e é incrível como se percebe a diferença da colonização holandesa para a portuguesa sem saber descrever a diferença. É sutil, mas perceptível.

Agora Brasília é apenas uma coisa: moderna. Sendo construída na década de 60, tudo lá tem a cara da década de 70. Além disso, você tem a sensação de que tudo lá é estatal, é desesperador.

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No dia da consciência negra, que foi ontem, o ideal seria lembrar dos grandes homens e mulheres negros da história. No lugar disso, lembram dos medíocres. Além disso, um grande mulato (como a maioria dos grandes brasileiros: quase todos eram mulatos) seria lembrado em que dia? Não podemos lembrar dos mulatos no dia da consciência negra, negros eles não são. Nem brancos. Teríamos que criar o dia da consciência mulata, o dia da consciência mameluca, o dia da consciência cafuza, o dia da consciência oriental, o dia da consciência indígena, e por aí vai. Não dá, portanto, para lembrar de Machado de Assis ou Lima Barreto neste dia. Mas eu tenho, aqui debaixo da manga, um exemplo de consciência negra: uma mulher que, independentemente de cor, origem, situação social, econômica, deixou um exemplo para as gerações futuras e está, segundo a crença da Igreja, no céu no momento: Irmã Josefina Bakhita, ou simplesmente Santa Bakhita.

Santa Josefina BakhitaNascida no Sudão, Santa Bakhita foi raptada aos 10 anos de idade para ser escrava. Sofreu diversos maus tratos e o trauma fez-lhe esquecer o próprio nome: Bakhita é o nome que os seus senhores lhe deram. Em árabe significa afortunada. Foi escrava no Sudão e, depois de muito tempo, foi comprada por um cônsul italiano, o primeiro senhor que a tratou com respeito. Quando do fim de sua missão diplomática, Bakhita pediu-lhe que a levasse consigo para a Itália. Na Itália, o amor e a proteção que recebeu de Deus sentiu a necessidade de retribuir. Tornou-se irmã canossiana. Ela mesma escreveu:

“Irmãos, se estivesse de joelho por toda a minha vida, não diria nunca a minha gratidão ao Bom Deus. Estive raciada, batida, perseguida…entravi a liberdade e fui pretendida novamente, amarada a cepos e correntes… O meu corpo é toda uma cicatriz. Fui respeitada pelos leões da floresta, no entanto os homens me prendiam outra vez e me vendiam como coisa.
Todavia senti-me protegida por um Ser Superior, apesar eu não conhecê-lo. Sentia-o no coração sem saber quem Ele fosse. Porém, agora o conheço e sou toda dele.”

Conta-se que Bakhita freqüentemente orava pelos seus antigos senhores, não os culpando pelos atos que fizeram contra ela, já que eles não conheciam o Senhor, que Bakhita carinhosamente chamava de “Patrão”. No fim da vida, ela foi atormentada pela lembrança da escravidão e via-se presa por correntes. Suas últimas palavras foram “Nossa Senhora!”. Cativou a muitos, era conhecida como “Irmã Morena”, e o carinho que distribuiu foi retribuído na hora de sua morte: vários vieram passar com ela nos seus últimos momentos na terra.

Santa Bakhita jamais se justificou, nunca disse que sua oração era melhor ou pior por ter sido escrava, ou por ser negra. Soube fazer, de sua vida, de seu sofrimento, exemplo, carinho e santidade.

Referências:

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Um grupo, “Stop Islamization of Europe” (traduzido por mim livremente para “Detenha a Islamização da Europa), promoveu uma passeata (você ouviu falar?) contra a islamização européia e a favor da democracia e da liberdade de imprensa. A manifestação foi proibida pelo prefeito “pela integridade dos manifestantes”. Eles a fizeram da mesma forma e foram presos. A maior prova de que a Europa está islamizada, já que manifestações pró-Islam e anti-E.E.U.U acontecem sem maiores imprevistos. Quando da proibição, eles publicaram um manifesto que faço questão de traduzir.

Uma manifestação européia pacífica que quer proteger nossos preciosos valores europeus, como democracia e liberdade de expressão, foi banida por uma pessoa! Um prefeito na capital da União Européia: Bruxelas. O ano é 2007.

Esta manifestação poderia chatear a comunidade muçulmana na cidade, então o prefeito disse que não poderia garantir a segurança pública. E estava, portanto, banida.

Deveríamos obedecer a decisão do prefeito? Se formos assim mesmo, seremos tachados de criminosos pelos políticos e pela mídia?

Vemo-nos como bons e pacíficos cidadãos, que não têm problema em obedecer as regras em nossas sociedades democráticas. Sim queremos obedecer as regras, queremos obedecer nossas regras de liberdade de expressão, nossas regras de direito à congregação pública, essas são nossas leis democráticas (Especialmente. artigos 11 e 12). E são nossos direitos também, que neste momento estão sendo suprimidos.

De fato, ao contrário, seríamos criminosos se recuássemos agora e obedecêssemos a decisão do prefeito, pois daí obedeceríamos as “leis da violência”. Este é o motivo pelo qual a manifestação foi proibida: por causa de ameaças de violência! Por que deveríamos obedecer uma proibição baseada em ameaças de violência por contra-manifestantes?

Pensamos em prazos maiores. Se aceitarmos essa proibição, faremos o objetivo de parar a islamização mais difícil ainda no futuro, então nós de certa forma aceitaremos que muçulmanos têm o direito de ameaçar com violência e, desta forma, o poder de evitar que manifestações pacíficas aconteçam no futuro.

Esta não é a hora de ser “legal”. Novamente pensamos em prazos maiores. Escolher ser legal e cidadãos obedientes neste assunto específico pode salvar nossa pele, mas ao mesmo tempo lançamos ao futuro da próxima geração os problemas. Como se lançássemos lixo poluente no mar ou no solo, para a próxima geração tratar dele, em vez de o tratarmos nós outros aqui e agora. Em respeito a nossos netos.

De fato, ajudaremos a islamização ainda mais se obedeceremos agora ao prefeito. Os muçulmanos que ameaçam com violência verão isso como uma vitória. Eles saberão que os europeus são facilmente assustados, e poderão usar essa estratégia no futuro.

Ao invés, obedecendo nosssos direitos democráticos, nós ajudamos as pessoas que têm que lidar com a islamização em seu cotidiano. Eles poderão ver que há algumas pessoas corretas que estão dispostas a se levantar e lutar sua batalha, uma luta que eles podem não enfrentar sozinhas por medo de perder seu emprego, medo da violência, medo da marginalização, etc: Nós estamos a dar esperança às pessoas pelo futuro, e não vamos e não podemos recuar.

Não obedeceremos as leis da violência, obedeceremos as leis da democracia e da liberdade de expressão!

Esteja na história! Esteja lá!!

Poderia haver mais gente assim no Brasil…

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Luto Estou de luto. Por duzentas pessoas que jamais vi. Estou enervado, como raro estive. Eu aceitei o mensalão, aceitei o mensalinho. Aceitei pontes que ligavam nada a lugar nenhum e bois alagoanos com preço exorbitante. Não posso aceitar o que acontece. Há menos de 10 meses, 175 pessoas morreram. Hoje, as estimativas são de duzentas.

Há seis meses, as pistas de Congonhas entraram em reforma. Uma de cada vez, para não fechar o aeroporto. Em dias de chuva, o aeroporto era fechado, fato que começou depois de incidentes sem vítimas. A reforma não terminou. O aeroporto, contudo, foi liberado sem ressalvas numa medida irresponsável e assassina.

A pista era propícia à aquaplanagem. Tentarão culpar o piloto, já está morto mesmo. Não há americanos para culpar agora. Dirão que o avião pousou muito tarde, então por que nada desse naipe acontecera antes?

Não há desculpas. Não há como escapar. Quem liberou a pista sem restrições deverá responder por homicídio doloso de duzentas pessoas. Ou isso, ou podemos decretar o Brasil como reino da morte. Aqui ela impera. O maior índice de homicídios per capita do mundo. A maior cafajestagem aérea do mundo.

Inferno Essa é a imagem. Inferno. É nisso que vivemos. Essa é a manchete dos principais sites de notícias de toda a América.

Não dá! Não dá de jeito nenhum para continuar dessa maneira. Como um governo que assassina por inépcia e irresponsabilidade populista mais de 350 pessoas em questão de meses se mantém de pé? Não é politicagem, não estou defendendo nem o valor mais importante na vida: a liberdade. Estou defendendo a própria vida! Não pude deixar de me emocionar quando soube que uma mãe perdera dois filhos no vôo. Perder um filho é uma dor tão grande, que entristeci-me grandemente só ao cogitar perder dois. Quantos não sofreram tão mais que eu, um mero espectador?

Assassinos! Quantos mais haverão de morrer para saciar tua sede de sangue inocente?

Post-scriptum: Saiu a desculpa oficial, qual seja, o avião fez um pouso normal e quis decolar de novo. Mentira! O pouso foi autorizado, a torre permitiu a decolagem de outro avião assim que o avião da TAM tocou o solo (o que é de praxe em um aeroporto movimentado como Congonhas), mas ele não conseguiu frenar e a outra decolagem foi cancelada. Ouviremos nos próximos dias as mais esfarrapadas desculpas. Pela honra das vítimas, por respeito a seus familiares, não acreditemos! Basta de engolir mentiras!

Post-post-scriptum: Mais um desabafo: http://blogdobertrand.blogspot.com/2007/07/quem-vai-para-cadeia.html

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