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Archive for julho \04\UTC 2006

A Vergonha do Mundo é Nossa

Ninguém quer ficar no Brasil. Até nossa primeira dama já tirou cidadania italiana. Pessoas com ascendência européia correm aos consulados. Quem não tem essa chance passa perigos incontáveis nas mãos de coyotes na divisa México-EUA. Quem mora no norte, tenta a vida na Guiana Francesa. Ao sul, vão para o Uruguai. Empregos fora do Brasil são o ideal de muitos da minha geração de formados em computação. Não escondo que também isso me atrai.

No futebol, não é diferente. Se não erro as contas (e isso é detalhe), 20 dos 23 convocados da seleção brasileira jogam fora do Brasil. Os três de clubes brasileiros ficaram no banco. Ricardinho (na minha opinião um jogador pouco melhor que a média), jogador do Corinthians contudo, jogou com mais vontade que os outros nos poucos minutos em que entrou. Rogério Ceni, do São Paulo, deu espetáculo contra a Rússia.

O time brasileiro na copa do mundo jogou sem vontade, sem garra, sem o mínimo intuito de defender a camisa. A culpa não é deles. Quem não tem vontade nem de ficar no país, quanta terá de defender as suas cores? O movimento que eles representam é geral na nação. O Brasil, celeiro de craques, podia ter uma seleção com 23 jogadores de fora do país. Os três reservas de clubes brasileiros poderiam estar jogando na Europa por sua habilidade. Na minha opinião, são uns otimistas bobos, ou idealistas. Por isso continuam aqui. Poderia dizer mais: não foram poucas as vezes que vi, na Copa, brasileiros jogando em outras seleções como naturalizados. Parece que gostavam mais da nova pátria, e não lhes tiro a razão.

Estava vendo o jogo Itália contra Alemanha. Que jogo bonito! Que vontade dos dois lados! A Itália tem 100% do time jogando nacionalmente. A Alemanha tem grande parte de seu escrete na mesma situação. Portugal e França também têm titulares de clubes locais. Só os grandes craques desses dois times jogam fora, geralmente na Espanha. Por isso vemos a vontade de ganhar em campo.

O Brasil não oferece nada para quem quer ficar por aqui. Nossa Universidade está sendo destruída por democracismos tolos e pelo sentimento anti-meritocrático de seguidos governos, enfaticamente o atual. Nossa economia não oferece estrutura para o mercado de trabalho, causando desemprego. Nossa burocracia atravanca a atividade produtiva, gerando o gigantesco mercado informal. Nossas regras, que desconfiam de todos que tenham dinheiro, impedem que os clubes tenham dotação para manterem consigo os craques. A primeira iniciativa com maior injeção financeira tem sido bombardeada de denúncias, principalmente pela Caros Amigos e outros setores de esquerda, a saber: o acordo MSI-Corinthians.

Tomara que, agora que nosso até então ilibado futebol também inicia sua depressão, alguém acorde para isso. Com o preconceito nacional contra empresas no esporte, e com a situação econômica nacional (que obviamente se estende aos clubes), os craques vão embora. Não tendo gratidão pela pátria, não demonstra-la-ão.

Quem vai ganhar a Copa do Mundo? Eu não sei. Mas decerto a merecerá mais que o Brasil.

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