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Archive for outubro \25\UTC 2004

Até agora os filósofos se limitaram a interpretar o mundo. Cabe-lhes agora transformá-lo.
— Karl Marx, 11ª Tese sobre Feuerbach, in Die deutsche Ideologie.

Não. Não me tornei, de repente, de um liberal um marxista, de um estudioso um praxista. Tenho um certo entendimento sobre essa frase que não é comum à maioria das pessoas que conheço.

Preste atenção no caráter temporal. Até agora e cabe agora. Ou seja, Marx fala do que os filósofos têm feito e o que eles têm que fazer, a partir do divisor de águas que é ele mesmo.

Pois bem, a comum interpretação desse trecho é que o estudo da filosofia é algo inútil, ou pelo menos inferior, comparado à grande meta de transformar o mundo. Esses rebeldes, que leram essa frase no “Marx em quadrinhos”, e que dariam tudo para viver na época da ditadura e assim, ter uma causa para lutar e uma desculpa para não estudar, fazem da famosa frase a sua salvadora desculpa.

A preguiça de compreender o mundo é a mãe da revolução. Não percebem, esses revoltosos, que Marx escreveu isso depois de passear por boa parte da filosofia ocidental, de Epicuro a Hegel. Ora, o que Marx quer dizer com essa frase? Simplesmente que tudo que podia ser pensado já o foi, e que se devia agora transformar o mundo. Até mil oitocentos e tanto, a bagagem filosófica que a sociedade ocidental tinha já era bem grande. Na visão de Marx, era todo o necessário.

Não quer dizer, contudo, que os babacas não precisam estudar, que peguem seus manifestos, coloquem embaixo do braço, e saiam gritando palavras de ordem. O meu entendimento diz que alcançar uma compreensão do mundo maior do que a que já tinha sido alcançada era desnecessário. Contudo, essa compreensão já alcançada não era passada por osmose às pessoas só porque elas se autodenominavam comunistas (ou marxistas).

O marxista medíocre precisava, no mínimo, uma compreensão do status quaestionis filosófico da época de Marx. Não precisaria, então, buscar uma compreensão maior. Que partisse para mudar o mundo. Mas nem medíocres os militantes com quem convivo conseguem ser. Os idiotas bradam a frase introdutória como apologia à sua indisposição a estudar. Alguns chegam a chamar a avaliação de estudos de “instrumento de dominação”. Valha-me Deus.

Gostaria de deixar claro que não concordo com Marx. Cabe ainda interpretar o mundo. O exercício filosófico ainda é válido, nem que seja apenas para enriquecimento do indivíduo próprio que o faz. Também quero fazer um pequeno comentário sobre a tradução escolhida. Algumas traduções não usam o agora nos dois trechos, e outras trocam interpretar por compreender. Qualquer outra tradução utilizada não daria base para a argumentação que fiz.

Obrigado por me ler, e até mais.

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A verdadeira ameaça à língua portuguesa

É comum, entre os puristas da língua portuguesa, contestar a inserção de palavras da língua inglesa na nossa. Minha posição é que a ameaça é muito mais sintática do que léxica.

A inserção de palavras oriundas de outros idiomas (tais como abajour, deletar, lan house, bar), aportuguesadas ou não, apenas enriquece o léxico de nossa língua. Alguns puristas radicais defendiam que dever-se-ia usar a palavra delir, que já existia em nosso dicionário e era etimologicamente igual à deletar, no lugar dessa. Outros, mais sensatos (isso é obviamente uma provocação) colocaram-na no dicionário. Que mal faz uma palavra a mais? Que ela seja usada em lugar de outras? Que nada. Muitas pessoas falam deletar ou apagar indiscriminadamente, enriquecendo as frases. Vejo isso como apenas um antiamericanismo, já que nunca vi ninguém se pronunciar contra suflês, abajours (não tenho certeza da grafia), cabarés entre outros.

A maior ameaça que vejo são os anglicismos. Não sei se mais alguém usa esse termo, mas eu o faço. Os anglicismos compõem-se de usos de construções sintáticas da língua inglesa no português. Exemplos são o famoso “gerundismo”, a queda do artigo definido anterior aos nomes próprios, e o novo sentido dado a palavra aplicar.

O gerundismo todo mundo conhece. É o supra-sumo do telemarketing (outra palavra bem acolhida no português). “Nós vamos estar enviando o catálogo para o senhor estar olhando e avaliando” (We\’ll be sending our brochure in order to you be looking and evaluating it, ou algo do gênero, é sintaticamente correto em inglês) é uma construção medonha em português. “Nós mandaremos nosso catálogo para o senhor olhar e avaliar” é muito melhor (além de mais curto).

A queda do artigo definido antes dos nomes próprios é algo que percebo, não sei se somente eu, como crescente nos textos em nosso idioma. Não se fala mais “O João caiu”, mas sim “João caiu”, ou “A Fulana blá blá o Ciclano” virou “Fulana blá blá Ciclano”. Em inglês, não se coloca artigo definidos antes de nomes próprios. Isso torna-se cada vez mais constante no português, pelo menos no brasileiro. Vejo que, no dizer baiano, isso não tem problema (os baianos, para quem não sabe, não costumam usar os artigos definidos. Frases como “Vou para casa de Mariana” ou “Sou amigo de Otto” são comuns entre baianos). Mas o artigo definido some da frente dos nomes em geral, sejam próprios ou não, preposicionados ou não.

Finalmente, o novo uso da palavra aplicar. Em inglês, diz-se “I\’ll aply to a graduate course at Cambridge” (Vou tentar entrar em um curso de pós-graduação em Cambridge). Isso é muitas vezes dito como “Vou aplicar para pós em Cambridge”. Embora pareça léxico, isso tem um aspecto sintático e portanto enquadra-se no que eu chamo de anglicismo.

Algumas reflexões de um futuro lingüista. Finalmente: Luís Guilherme vai estar aplicando para pós em uma universidade inglesa em 2007. Feio né?

Obrigado por me ler e até mais! (do Luís Guilherme, que tentará entrar em um doutorado na Inglaterra).

***

Adendos:

Esqueci de falar por que as construções sintáticas oriundas do inglês (ou de outra língua não latina qualquer) são maléficas. Em poucas palavras, elas empobrecem a sintaxe do português em vez de enriquecer. Posso falar mais sobre isso depois.

Uma pesquisa no Google mostrou-me que o termo anglicismo é largamente usado tanto para o que eu aprovo (que é chamado de anglicismo léxico) como para o que eu contesto (que é chamado de anglicismo sintático). O terceiro caso que eu citei não é nem sintático nem léxico. Estou querendo descobrir o que é, mas talvez seja um anglicismo semântico 🙂

Precisava ter pesquisado mais antes de escrever esse post. Confirmei. Aplicar é um anglicismo semântico, assim como realizar (no sentido de perceber).

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Como eles conseguem acreditar em tanta mentira?

O tão odiado (e odioso) George W. Bush tem 50% das intenções de voto nos EUA, sendo assim (obviamente) o primeiro nas pesquisas. O tão amado (e amável) Lula tinha bem menos que isso no primeiro turno da eleição em que foi eleito. Será que Bush é tão odiado assim?

O ódio ao Bush é muito mais visível na França (país onde Fahrenheit 9/11 fez um sucesso estrondoso), no Brasil, do que nos EUA. Não fosse assim, ele não teria metade das intenções de voto. Ah! Já sei, é que os americanos são todos burros, né? Vai ver que por serem burros é que eles são a maior potência do mundo…

Não sou pró-Bush nem anti-Bush. Isso são apenas fatos.

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Espelho

Decidi. Vou postar aqui todos os meus escritos desde janeiro de 2004, e a partir de agora, tudo que eu escrever no meu blog do IC vou escrever aqui também.

Mas que eu não gosto muito do blogger, eu não gosto.

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Para ler Olavo de Carvalho

Uma grande querela que travei com Olavo de Carvalho quando comecei a lê-lo foi sua crítica (que eu via infundada) à social-democracia. (Cabe ressaltar que eu mesmo me considerava um social-democrata na época). A única coisa que eu via em seu discurso era que “a social democracia tirava a liberdade das pessoas com altos impostos”. Não vendo justificativa além dessa, que não podia ser uma justificativa em si mesma, obviamente, pensei em meu pedantismo “o liberal quer falar mal da social democracia e não tem muito o que falar”.

Hoje, me considero um “social-liberal” (que segundo Miguel Reale é é a ideologia de nossa constituição), e pretendo escrever um post dizendo por que não sou exatamente um liberal clássico (isso são posicionamentos infantis, não tenho conhecimento dos grandes liberais, dos grandes keynesianos e dos grandes marxistas para afirmar tal).

Pois bem, Olavo escreve colocando várias referências, e justificando pouco, é fato. Para um leitor preguiçoso, ou atarefado, isso pode fazê-lo parecer não mais que um retórico (“não gosto da retórica dele” foi algo que já ouvi). Contudo, uma pequena busca fará perceber que as várias referências que ele coloca são justificativas mais do que necessárias. Para poder dizer mais, ele diz menos, para não ter que repetir o que já foi escrito, mas apenas articular.

A percepção disso é fundamental para qualquer um que queira lê-lo adequadamente.

Obrigado e até mais!

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Artigo Quinto

O artigo quinto da nossa Constituição é um dos mais importantes, se não o mais. Contudo, ele é praticamente do mesmo tamanho que a Constituição dos EUA . Publico-o aqui. Não querendo-o ler, isso lhe é garantido por ele mesmo :-).

Até mais:

Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes:

I – homens e mulheres são iguais em direitos e obrigações, nos termos desta Constituição;

II – ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei;

III – ninguém será submetido a tortura nem a tratamento desumano ou degradante;

IV – é livre a manifestação do pensamento, sendo vedado o anonimato;

V – é assegurado o direito de resposta, proporcional ao agravo, além da indenização por dano material, moral ou à imagem;

VI – é inviolável a liberdade de consciência e de crença, sendo assegurado o livre exercício dos cultos religiosos e garantida, na forma da lei, a proteção aos locais de culto e a suas liturgias;

VII – é assegurada, nos termos da lei, a prestação de assistência religiosa nas entidades civis e militares de internação coletiva;

VIII – ninguém será privado de direitos por motivo de crença religiosa ou de convicção filosófica ou política, salvo se as invocar para eximir-se de obrigação legal a todos imposta e recusar-se a cumprir prestação alternativa, fixada em lei;

IX – é livre a expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, independentemente de censura ou licença;

X – são invioláveis a intimidade, a vida privada, a honra e a imagem das pessoas, assegurado o direito a indenização pelo dano material ou moral decorrente de sua violação;

XI – a casa é asilo inviolável do indivíduo, ninguém nela podendo penetrar sem consentimento do morador, salvo em caso de flagrante delito ou desastre, ou para prestar socorro, ou, durante o dia, por determinação judicial;

XII – é inviolável o sigilo da correspondência e das comunicações telegráficas, de dados e das comunicações telefônicas, salvo, no último caso, por ordem judicial, nas hipóteses e na forma que a lei estabelecer para fins de investigação criminal ou instrução processual penal;

XIII – é livre o exercício de qualquer trabalho, ofício ou profissão, atendidas as qualificações profissionais que a lei estabelecer;

XIV – é assegurado a todos o acesso à informação e resguardado o sigilo da fonte, quando necessário ao exercício profissional;

XV – é livre a locomoção no território nacional em tempo de paz, podendo qualquer pessoa, nos termos da lei, nele entrar, permanecer ou dele sair com seus bens;

XVI – todos podem reunir-se pacificamente, sem armas, em locais abertos ao público, independentemente de autorização, desde que não frustrem outra reunião anteriormente convocada para o mesmo local, sendo apenas exigido prévio aviso à autoridade competente;

XVII – é plena a liberdade de associação para fins lícitos, vedada a de caráter paramilitar;

XVIII – a criação de associações e, na forma da lei, a de cooperativas independem de autorização, sendo vedada a interferência estatal em seu funcionamento;

XIX – as associações só poderão ser compulsoriamente dissolvidas ou ter suas atividades suspensas por decisão judicial, exigindo-se, no primeiro caso, o trânsito em julgado;

XX – ninguém poderá ser compelido a associar-se ou a permanecer associado;

XXI – as entidades associativas, quando expressamente autorizadas, têm legitimidade para representar seus filiados judicial ou extrajudicialmente;

XXII – é garantido o direito de propriedade;

XXIII – a propriedade atenderá a sua função social;

XXIV – a lei estabelecerá o procedimento para desapropriação por necessidade ou utilidade pública, ou por interesse social, mediante justa e prévia indenização em dinheiro, ressalvados os casos previstos nesta Constituição;

XXV – no caso de iminente perigo público, a autoridade competente poderá usar de propriedade particular, assegurada ao proprietário indenização ulterior, se houver dano;

XXVI – a pequena propriedade rural, assim definida em lei, desde que trabalhada pela família, não será objeto de penhora para pagamento de débitos decorrentes de sua atividade produtiva, dispondo a lei sobre os meios de financiar o seu desenvolvimento;

XXVII – aos autores pertence o direito exclusivo de utilização, publicação ou reprodução de suas obras, transmissível aos herdeiros pelo tempo que a lei fixar;

XXVIII – são assegurados, nos termos da lei:

a) a proteção às participações individuais em obras coletivas e à reprodução da imagem e voz humanas, inclusive nas atividades desportivas;

b) o direito de fiscalização do aproveitamento econômico das obras que criarem ou de que participarem aos criadores, aos intérpretes e às respectivas representações sindicais e associativas;

XXIX – a lei assegurará aos autores de inventos industriais privilégio temporário para sua utilização, bem como proteção às criações industriais, à propriedade das marcas, aos nomes de empresas e a outros signos distintivos, tendo em vista o interesse social e o desenvolvimento tecnológico e econômico do País;

XXX – é garantido o direito de herança;

XXXI – a sucessão de bens de estrangeiros situados no País será regulada pela lei brasileira em benefício do cônjuge ou dos filhos brasileiros, sempre que não lhes seja mais favorável a lei pessoal do “de cujus”;

XXXII – o Estado promoverá, na forma da lei, a defesa do consumidor;

XXXIII – todos têm direito a receber dos órgãos públicos informações de seu interesse particular, ou de interesse coletivo ou geral, que serão prestadas no prazo da lei, sob pena de responsabilidade, ressalvadas aquelas cujo sigilo seja imprescindível à segurança da sociedade e do Estado;

XXXIV – são a todos assegurados, independentemente do pagamento de taxas:

a) o direito de petição aos Poderes Públicos em defesa de direitos ou contra ilegalidade ou abuso de poder;

b) a obtenção de certidões em repartições públicas, para defesa de direitos e esclarecimento de situações de interesse pessoal;

XXXV – a lei não excluirá da apreciação do Poder Judiciário lesão ou ameaça a direito;

XXXVI – a lei não prejudicará o direito adquirido, o ato jurídico perfeito e a coisa julgada;

XXXVII – não haverá juízo ou tribunal de exceção;

XXXVIII – é reconhecida a instituição do júri, com a organização que lhe der a lei, assegurados:

a) a plenitude de defesa;

b) o sigilo das votações;

c) a soberania dos veredictos;

d) a competência para o julgamento dos crimes dolosos contra a vida;

XXXIX – não há crime sem lei anterior que o defina, nem pena sem prévia cominação legal;

XL – a lei penal não retroagirá, salvo para beneficiar o réu;

XLI – a lei punirá qualquer discriminação atentatória dos direitos e liberdades fundamentais;

XLII – a prática do racismo constitui crime inafiançável e imprescritível, sujeito à pena de reclusão, nos termos da lei;

XLIII – a lei considerará crimes inafiançáveis e insuscetíveis de graça ou anistia a prática da tortura , o tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins, o terrorismo e os definidos como crimes hediondos, por eles respondendo os mandantes, os executores e os que, podendo evitá-los, se omitirem;

XLIV – constitui crime inafiançável e imprescritível a ação de grupos armados, civis ou militares, contra a ordem constitucional e o Estado Democrático;

XLV – nenhuma pena passará da pessoa do condenado, podendo a obrigação de reparar o dano e a decretação do perdimento de bens ser, nos termos da lei, estendidas aos sucessores e contra eles executadas, até o limite do valor do patrimônio transferido;

XLVI – a lei regulará a individualização da pena e adotará, entre outras, as seguintes:

a) privação ou restrição da liberdade;

b) perda de bens;

c) multa;

d) prestação social alternativa;

e) suspensão ou interdição de direitos;

XLVII – não haverá penas:

a) de morte, salvo em caso de guerra declarada, nos termos do art. 84, XIX;

b) de caráter perpétuo;

c) de trabalhos forçados;

d) de banimento;

e) cruéis;

XLVIII – a pena será cumprida em estabelecimentos distintos, de acordo com a natureza do delito, a idade e o sexo do apenado;

XLIX – é assegurado aos presos o respeito à integridade física e moral;

L – às presidiárias serão asseguradas condições para que possam permanecer com seus filhos durante o período de amamentação;

LI – nenhum brasileiro será extraditado, salvo o naturalizado, em caso de crime comum, praticado antes da naturalização, ou de comprovado envolvimento em tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins, na forma da lei;

LII – não será concedida extradição de estrangeiro por crime político ou de opinião;

LIII – ninguém será processado nem sentenciado senão pela autoridade competente;

LIV – ninguém será privado da liberdade ou de seus bens sem o devido processo legal;

LV – aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos acusados em geral são assegurados o contraditório e ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes;

LVI – são inadmissíveis, no processo, as provas obtidas por meios ilícitos;

LVII – ninguém será considerado culpado até o trânsito em julgado de sentença penal condenatória;

LVIII – o civilmente identificado não será submetido a identificação criminal, salvo nas hipóteses previstas em lei;

LIX – será admitida ação privada nos crimes de ação pública, se esta não for intentada no prazo legal;

LX – a lei só poderá restringir a publicidade dos atos processuais quando a defesa da intimidade ou o interesse social o exigirem;

LXI – ninguém será preso senão em flagrante delito ou por ordem escrita e fundamentada de autoridade judiciária competente, salvo nos casos de transgressão militar ou crime propriamente militar, definidos em lei;

LXII – a prisão de qualquer pessoa e o local onde se encontre serão comunicados imediatamente ao juiz competente e à família do preso ou à pessoa por ele indicada;

LXIII – o preso será informado de seus direitos, entre os quais o de permanecer calado, sendo-lhe assegurada a assistência da família e de advogado;

LXIV – o preso tem direito à identificação dos responsáveis por sua prisão ou por seu interrogatório policial;

LXV – a prisão ilegal será imediatamente relaxada pela autoridade judiciária;

LXVI – ninguém será levado à prisão ou nela mantido, quando a lei admitir a liberdade provisória, com ou sem fiança;

LXVII – não haverá prisão civil por dívida, salvo a do responsável pelo inadimplemento voluntário e inescusável de obrigação alimentícia e a do depositário infiel;

LXVIII – conceder-se-á “habeas-corpus” sempre que alguém sofrer ou se achar ameaçado de sofrer violência ou coação em sua liberdade de locomoção, por ilegalidade ou abuso de poder;

LXIX – conceder-se-á mandado de segurança para proteger direito líquido e certo, não amparado por “habeas-corpus” ou “habeas-data”, quando o responsável pela ilegalidade ou abuso de poder for autoridade pública ou agente de pessoa jurídica no exercício de atribuições do Poder Público;

LXX – o mandado de segurança coletivo pode ser impetrado por:

a) partido político com representação no Congresso Nacional;

b) organização sindical, entidade de classe ou associação legalmente constituída e em funcionamento há pelo menos um ano, em defesa dos interesses de seus membros ou associados;

LXXI – conceder-se-á mandado de injunção sempre que a falta de norma regulamentadora torne inviável o exercício dos direitos e liberdades constitucionais e das prerrogativas inerentes à nacionalidade, à soberania e à cidadania;

LXXII – conceder-se-á “habeas-data”:

a) para assegurar o conhecimento de informações relativas à pessoa do impetrante, constantes de registros ou bancos de dados de entidades governamentais ou de caráter público;

b) para a retificação de dados, quando não se prefira fazê-lo por processo sigiloso, judicial ou administrativo;

LXXIII – qualquer cidadão é parte legítima para propor ação popular que vise a anular ato lesivo ao patrimônio público ou de entidade de que o Estado participe, à moralidade administrativa, ao meio ambiente e ao patrimônio histórico e cultural, ficando o autor, salvo comprovada má-fé, isento de custas judiciais e do ônus da sucumbência;

LXXIV – o Estado prestará assistência jurídica integral e gratuita aos que comprovarem insuficiência de recursos;

LXXV – o Estado indenizará o condenado por erro judiciário, assim como o que ficar preso além do tempo fixado na sentença;

LXXVI – são gratuitos para os reconhecidamente pobres, na forma da lei:

a) o registro civil de nascimento;

b) a certidão de óbito;

LXXVII – são gratuitas as ações de “habeas-corpus” e “habeas-data”, e, na forma da lei, os atos necessários ao exercício da cidadania.

§ 1º – As normas definidoras dos direitos e garantias fundamentais têm aplicação imediata.

§ 2º – Os direitos e garantias expressos nesta Constituição não excluem outros decorrentes do regime e dos princípios por ela adotados, ou dos tratados internacionais em que a República Federativa do Brasil seja parte.

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Blé…

Não tenho tido vontade de escrever. Na verdade, vontade eu sinto, mas a preguiça me impede, e as idéias nunca vêm quando eu posso escrevê-las.

Queria fazer algumas discussões, mas apenas falarei de fatos. Hoje comecei a tomar Zinco, por orientação médica. O Zinco está associado à diminuição da sonolência, efeito anti-depressivo, melhora da memória de curta-duração, ganho de vitalidade.

Hoje também falei com meu chefe Queiroz sobre sair do estágio. Está tudo certo, saio semana que vem. Essa semana ainda, decido o meu projeto de Iniciação em Processamento de Linguagem Natural (Semântica provavelmente) a ser enviado à Fapesp até o fim do mês.

É isso. Obrigado por me ler e até mais.

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