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Archive for the ‘segurança’ Category

Eluana Englaro brutalmente assassinada…

Sem defesa alguma, essa mulher italiana de 38 anos foi assassinada por uma clínica, que deveria ser paga para salvá-la, não para matá-la. http://www.estadao.com.br/vidae/not_vid320912,0.htm

Se tiver um tempinho, reze por ela. E por justiça.

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Muitos cristãos não têm uma noção muito simples: “todo mundo” é pecador. A modernidade, a “ateização” da sociedade, leva a ignorar muitos dos pecados, tornando quem escolhe ter esses “santos”, e cria uma compensação: há certos pecados proibidíssimos. Não me confundam, há sim uma escalaridade na gravidade dos pecados. Mas hoje, nesse mundo da “paz mundial”, versão moderninha do paz e amor hippie, o pecado proibido é a violência, mesmo que não seja uma violência pecaminosa. Jesus Cristo, que jamais pecou, se hoje fizesse um chicote para expulsar os vendilhões do templo, seria atacado pela mídia.

Guerras são necessárias. Mataram teus amigos e vizinhos e vão te matar. Pecado é não agir de forma violenta para impedir: peca-se por omissão. E nas guerras, violência é o método. Deus nos deu a ira e a força violenta para usarmos em caso de necessidade. Acontece que o usuário dessas forças é um pecador, e pode usá-las de maneira errada mesmo com reta intenção. Aí entra a “ética moderna” e crucifica-o.

No filme “Tropa de Elite”, os policiais do BOPE são violentos, têm até um pouco de sadismo, mas agem com a reta intenção de acabar com o tráfico, ou pelo menos reduzi-lo ou ainda contê-lo. São pecadores como eu, você, ou o maconheiro da esquina. Os traficantes, muitas vezes, agem por sadismo. São pecadores como todos nós, mas o pecado deles destrói vidas e impede os demais de prosseguir na virtude. Devem ser impedidos, e (reitero!) só podem ser impedidos por outros pecadores.

Nos anos 70, os EUA sofreram um surto de violência “gratuita” terrível. Não vou explorar as origens disso, vá ler o Olavão. A reação veio: Charles Bronson e o “Desejo de Matar” e Dirty Harry, o policial honesto, intransigente e violento, interpretado por Clint Eastwood. Capitão Nascimento — protagonista de “Tropa de Elite” — é o nosso Dirty Harry. Seja bem vindo!

Na primeira metade do filme, Nascimento marca muito ao dizer: “Eu sempre me pergunto: quantas crianças a gente tem que perder pro tráfico só para um playboy rolar um baseado?”. E bate, estapeia, humilha, tortura, ao mesmo tempo que chora, se condói, comemora e agradece. É a personagem mais bem construída que vi nos últimos tempos: ele é intensamente humano, plenamente pecador, mas age pelo que considera justo e correto. Não é um santo nem um demônio, não é um animal nem um “espírito evoluído”: humano. Choca-se com seus atos? Ora, olhemos para a nossa vida, para a nossa vileza! Será que o que fazemos não é tão ruim quanto?

“Tropa de Elite” é um filme excelente. Queira Deus seja o início uma reação como a que houve nos EUA nas décadas de 70 e 80. Eu li em um artigo de opinião no Estadão que ele abria uma nova era no cinema brasileiro: a era da pirataria (para quem não sabe, o filme será lançado dia 12 de outubro, mas já pululam cópias por aí) cinematográfica. Que o filme possa não ter apenas esse marco.

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Legalize Já!

Nota: tomo todo o cuidado para que este artigo seja não uma apologia ao crime, mas sim, uma iniciativa na mudança da lei para algo de acordo com os anseios da população acossada pelo tráfico de drogas.

Uma das notícias de maior reação nessa semana foi a questão das milícias no Rio de Janeiro. Alguns policiais, ex-policiais, bombeiros e outros voluntários formaram milícias, que expulsaram os traficantes e tomaram o poder em alguns morros cariocas. Depois disso, começaram a cobrar de 5 a 15 reais pela segurança das favelas e a monopolizar a distribuição de gás e o transporte coletivo alternativo. Para garantir a segurança, chegaram a colocar um portão numa favela.

De uma hora para outra, isso se tornou mais grave que o próprio tráfico de drogas. O governo fluminense está determinado a destruir essas milícias. O governador Sérgio Cabral chegou, inclusive, a dar uma declaração mandando derrubar o tal portão. Contudo, nenhuma cobertura mostrou a população. Eles provavelmente agradeceriam as milícias, falariam que se sentem mais seguros, e que preferem que continue assim, como disse alguém numa comunidade do orkut pró-milícias. Essa comunidade será fechada a pedido do Ministério Público, e seu criador será processado criminalmente. Procure comunidades de apologia das drogas no orkut e você achará um monte. E ninguém enche o saco delas! Mas não, o problema são as milícias.

No fim das contas, essas milícias fazem o papel que deveria ser do Estado: segurança. De 5 a 15 reais é um pagamento ínfimo comparado com a ameaça de morte constante dos traficantes ou o peso tributário do Estado brasileiro, que não cuida dessas pessoas. É só um apêndice de pobreza para permitir discursos demagógicos. Quem cuida deles são os “criminosos” das milícias, e deixar essas pessoas livres do jugo dos traficantes é insuportável para qualquer governo.

Outras duas coisas interessantes: desde o advento das milícias, o perfil da criminalidade juvenil mudou, de predominância dos crimes relacionados ao tráfico de drogas aos furtos e roubos. E isso é excelente! No Brasil de hoje, você agradece a Deus se for assaltado simplesmente. Se foi um furto que você nem percebeu, você manda rezar uma missa de ação de graças a quem te roubou! Toda sociedade tem ladrões. Se os crimes predominantes numa sociedade forem roubo e furto, podemos dizer que é uma sociedade mais segura. A outra coisa é que, um grupo de 50 a 100 milicianos (imagino que seja esse o número), consegue enxotar os traficantes e limpar um morro. Qual é o efetivo da polícia fluminense? Se forem 3 mil, dá para limpar 30 morros simultaneamente. Por que isso nunca foi feito?

Se o Estado não cumpre sua função, ele não pode proibir que outros o façam. Não se podem proibir escolas nem hospitais particulares. A segurança não deve ser diferente. As milícias mais ajudam que atrapalham na segurança. Só uma cultura que pense mais no poder do Estado que no bem da população pode se opor a isso. As drogas devem ser criminalizadas (embora não sejam), mas quanto às milícias que as combatem, legalize já!

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Especialistas em PCC

“Aqui não tem Bin Laden. Existem, sim, líderes que querem lucrar com atividades ilegais ou benefícios na prisão, como o Marcola, do PCC. Ele e os que se uniram para atacar no Rio não têm ideologia. Essa diferença é básica, mas o presidente não sabe disso”, disse à Reuters o juiz Walter Maierovitch.

Este é um trecho da matéria “Lula erra ao comparar crime a terrorismo, dizem especialistas”, da Reuters, disponível em http://noticias.uol.com.br/ultnot/2007/01/02/ult1928u3595.jhtm.

Em primeiro lugar, o que são os especialistas? Um cara que conserta relógios, e é realmente bom em consertar relógios antigos, dizemos que é um especialista em relógios antigos. Uma mulher que preveja reações do mercado, e faça análises excelentes de mercado de futuros, garantindo lucros a ela e aos que seguem seus conselhos, pode ser chamada, certamente, de especialista em mercado de futuros.

Mas o que são “especialistas”, nesse caso? Eles já resolveram o problema do crime em algum lugar? Já foram eficientes a trazer a paz para algum recôndito tupiniquim ou exterior? Fazem isso com maestria, de forma que possamos confiar-lhes a gestão de nossa segurança, assim como confiamos o nosso relógio àquele homem e as nossas finanças àquela mulher? Se não, eles não são especialistas em coisa alguma.

Mas voltemos ao ponto central. Eu, que não sou especialista em nada, talvez apenas em cultivar uma esfera abdominal (a única coisa que posso garantir que faço com maestria e que você pode confiar em mim para sua execução), acho que pela primeira vez o Lula fez uma declaração acertada. Eu poderia até entrar em outras implicações relativas a isso, por exemplo: como foram absurdamente coincidentes os discursos do Sérgio Cabral e do Lula e porquês possíveis disso ter acontecido, mas não é esta a hora. Não com pessoas morrendo em ônibus inflames e nas favelas sitiadas.
Eis que, então, um “especialista” solta essa! (As críticas de outros presentes no artigo são muito pertinentes, mas as do juiz Maierovitch são todas deprimentes, e a pior delas é a que dá o título à reportagem). De pronto, ele retira qualquer possibilidade de filiação ideológica. Podem morrer todos do PCC, mas a causa tem que continuar viva e imaculada. Não importa que o PCC afirme, com todas as letras, que pratica a luta de classes. Não adianta Marcola ser mais versado em marxismo que grande parte de nossos professores universitários. O que eles fazem é crime organizado, seu único objetivo é o lucro, e o lucro… ora essa! — é coisa do capitalismo! A culpa é do capitalismo!!!
Em meu último artigo (http://lpereira.freehostia.com/blog/2006/12/31/146/ ), demonstro a natureza revolucionária (e, por conseguinte, ideológica) do PCC. O que eu fiz não é nenhuma novidade, Olavo de Carvalho, em 1997 já havia feito análise semelhantíssima com respeito ao Comando Vermelho em “A Nova Era e a Revolução Cultural”.

O mais engraçado (e trágico) é que o juiz Maierovitch de certa forma aparenta uma simpatia pelo terrorismo “Aqui não tem Bin Laden … querem lucrar com atividades ilegais ou benefícios na prisão … não têm ideologia“. Veja: Bin Laden não quer lucrar, ou seja, ele trucida pessoas inocentes por um ideal, o que torna tudo mais bonito. O meritíssimo Maierovitch não pode deixar coalescer os conceitos na cabeça dos bem-pensantes brasileiros. Isso seria terrivel. Associar terrorismo e crime organizado poderia fazer com que os brasileiros deixassem de heroizar Bin Laden, Zapata, Che Guevara, comandante Marcos e outros genocidas, percebendo que eles são iguais àqueles que tiram sua paz, incomodam sua vida, e matam os seus irmãos mais pobres. Então é necessário dizer que Lula está errado e que eles não são terroristas. Enquanto isso, pegam fogo mais ônibus. Que Deus se apiede das almas dessas vítimas!

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Paz, Justiça e Liberdade.

Em primeiro lugar, gostaria de agradecer ao Heitor de Paola e ao advogado do Mídia sem Máscara que atenciosamente me avisaram de que este artigo poderia trazer-me problemas legais. Retirei um trecho e creio estar salvo de processos.

Fui convidado para escrever o primeiro editorial do Blogs Coligados. Na época, era o auge do PCC e o assunto não podia ser outro que não o crime organizado. Fui demovido a publicá-lo por muitos, com as mais esfarrapadas desculpas e algumas preocupações sérias. No final, desisti por medo. Acabo por publicá-lo agora. Tentei desmitificar alguns pontos, e contradizer certos preconceitos veiculados pela mídia.

 

Os mitos são: o crime organizado é, tal qual o roubo de galinhas, causado pela desigualdade social; os celulares foram o ponto chave desta rebelião; o PCC é uma organização simplesmente criminosa, que luta simplesmente por poder. Também vou comentar outros pontos, mais controversos, com o que eu penso sobre o assunto. Antes de mais nada, contudo, gostaria de pedir a todos que lêem isto que observem a realidade, vejam os nexos das ações, e tentem tirar conclusões a partir disso. Em seguida, que testem suas conclusões, tentando quebrá-las, sendo como se fosse o inimigo retórico de si mesmo. Eu fiz-me passar por esse processo antes de escrever o presente artigo.

 

Começo adicionando alguns elementos. O primeiro são seis artigos selecionados retirados do estatuto do PCC (coloquem os sics à vontade; são muitos e tive preguiça):

 

“1. Lealdade, respeito, e solidariedade acima de tudo ao Partido

2. A Luta pela liberdade, justiça e paz

5. O respeito e a solidariedade a todos os membros do Partido, para que não haja conflitos internos, porque aquele que causar conflito interno dentro do Partido, tentando dividir a irmandade será excluído e repudiado do Partido.

7. Aquele que estiver em Liberdade “bem estruturado” mas esquecer de contribuir com os irmãos que estão na cadeia, serão condenados à morte sem perdão

15. Partindo do Comando Central da Capital do QG do Estado, as diretrizes de ações organizadas simultâneas em todos os estabelecimentos penais do Estado, numa guerra sem trégua, sem fronteira, até a vitória final.

16. O importante de tudo é que ninguém nos deterá nesta luta porque a semente do Comando se espalhou por todos os Sistemas Penitenciários do estado e conseguimos nos estruturar também do lado de fora, com muitos sacrifícios e muitas perdas irreparáveis, mas nos consolidamos à nível estadual e à médio e longo prazo nos consolidaremos à nível nacional. Em coligação com o Comando Vermelho – CV e PCC iremos revolucionar o país dentro das prisões e nosso braço armado será o Terror “dos Poderosos” opressores e tiranos que usam o Anexo de Taubaté e o Bangú I do Rio de Janeiro como instrumento de vingança da sociedade na fabricação de monstros. “

 

Qual a conclusão que se tira desses artigos? A primeira coisa que me veio à cabeça foi a semelhança desse estatuto com o código penal cubano (que você pode ver em http://www.cubanet.org/ref/dis/codigo_penal.htm). A segunda foi que os itens 15 e 16 deixam claro, óbvio e explícito o objetivo dessa entidade: a luta de classes. Isso se torna mais patente com a recente divulgação pela revista Veja de que um líder do PCC manteve contato para auxílio logístico por parte do MST, outra entidade cujo objetivo está na luta de classes.

 

Um detalhe: tal qual Stálin, Hitler, Mao e Pol Pot, o PCC também diz defender a paz, a justiça e a liberdade. Nesses últimos dias, tiraram-nos a paz, zombaram da justiça e cercearam nossa liberdade com seus atentados. Ao que parece, querem a paz para tomar sol e trepar (nome carinhoso para “visitas íntimas”), a justiça abrindo-lhes as pernas tais quais as prostitutas das visitas, e a liberdade para comandar ataques quando quiserem.

 

O segundo elemento é que Marcola, líder do PCC, já leu três mil livros, entre os quais grandes obras do pensamento socialista (Marx, Lênin, etc.), da literatura (Dante) e da estratégia (Sun Tzu). Isso, além de reforçar a tese do PCC como instrumento de luta de classes, tem outra decorrência: se Marcola, criminoso convicto, tem tanta cultura, como podemos dizer que a criminalidade organizada se deve à falta de educação? Eu, que dedico minha vida aos estudos, não tenho em conta tantos livros lidos quanto esse homem.

 

Agora eu faço um convite à investigação: como Marcola tomou contato com tudo isso? Afinal, para um estudo tão direcionado, é necessário que ele tenha sido tutorado por alguém. Alguém precisou dizê-lo o que ele precisava ler. E não é só Marcola, livros desse tipo já foram apreendidos diversas vezes em posse de líderes do PCC e do Comando Vermelho carioca, aliado do PCC. Muitos desses livros encontrados eram edições raras, muitas vezes de circulação interna de partidos e organizações de esquerda brasileiros como o PC (o Partidão). Bom, esse elemento novo que eu usei para completar o parágrafo dá uma pista: como um livro de circulação interna de um Partido iria parar na mão da organização criminosa? Três possibilidades:

1) Um membro do partido o entregou a um membro da organização criminosa;

2) A organização criminosa é um braço armado — pretensa e fingidamente sem objetivos políticos — do partido;

3) Em uma ação, a organização criminosa roubou os livros do partido.

 

A possibilidade 3 é um pouco estranha, já que livros teriam muito pouco valor comparados a drogas, dinheiro e outros bens que poderiam ser encontrados no esconderijo de um partido comunista ilegal. Além disso, eu disse esconderijo. Não era fácil para o Estado encontrar tais esconderijos, seria muita sorte roubar várias vezes justamente sedes de partidos comunistas. E, como disse-me um funcionário do Google, probabilidade é uma ciência, confiar em um método que dependa de uma probabilidade alta não é o mesmo que confiar na sorte. Logo, afirmo que a possibilidade 3 não pode ser chamada assim. É uma especulação impossível, no máximo.

 

Assim sendo, tanto a possibilidade 1 ou a possibilidade 2 levam a conclusão de que foram os partidos e organizações de esquerda que propiciaram o aparelho estratégico do crime organizado.

 

Mais um ponto que liga o crime organizado à esquerda nacional: Lula, Frei Betto, um diretor do DCE da Unicamp, e outras pessoas de esquerda consideraram o ato uma insurreição causada, em última instância, pela desigualdade social. Como o grande mote da esquerda é eliminar a desigualdade social, eu especulo que tudo isso é benéfico a ela. O crime organizado, dessa forma, privilegia a esquerda. Eu já afirmei-o diversas vezes em meus artigos, mas faço-o novamente: esse determinismo é injusto com a grande parcela pobre da nossa população. A fundo, isso é chamar todo pobre de criminoso em potencial. Voltando um pouco, ouvi de um vereador de Santos pelo PT, à época professor de história, a seguinte estória sobre uma eleição a prefeito de São Paulo: FHC, Suplicy e Jânio Quadros eram os candidatos. Jânio passou a campanha inteira dizendo que comunistas eram ateus e imorais. FHC era o líder disparado nas pesquisas quando, no último debate, Boris Casoy perguntou-lhe se acreditava em Deus. Ao se constranger a responder, imediatamente a população ligou o ateísmo comunista a FHC, em um non sequitur generalizado, e Jânio ganhou a eleição. Conto essa porque, há vinte anos, a esquerda brasileira diz que o problema da criminalidade é a desigualdade social. De repente, surge um evento da magnitude que houve, as sinapses subconscientes são acordadas, e a população tem um estalo, achando que chegou àquela brilhante conclusão sozinha.

 

Contudo, a solução que o nosso sapientíssimo Estado encontra é bloquear celulares. Li, recentemente, o livro “A Nova Era e a Revolução Cultural”, de 1996, que já comentava os inúmeros ataques coordenados e simultâneos do Comando Vermelho. Naquela época, celulares eram raros. Não havia sido criada a “banda B”, e o celular passava pela mesma burocracia estatal que o telefone fixo para ser recebido, tornando quase impossível para um presidiário conseguir um. Em todo o mundo havia 137 milhões de celulares e, nesse mesmo ano, foram realizadas apenas 780 mil ligações de celular no estado de São Paulo. Sem contar que não existia o negócio pré-pago, e o custo era muito superior. Cortar celulares voltará as organizações criminosas ao estado tecnológico que tinham há 10 anos, mas não impedirá ações organizadas.

 

A única solução que eu vejo é a seguinte: decretar o PCC, CV, organizações correlatas e todas aquelas que lhes dão apoio (incluindo, por exemplo, o MST) organizações terroristas. Criar prisões de segurança máxima tais Guantánamo para abrigar seus líderes. Garantir-lhes somente os direitos fundamentais do cidadão, a saber: vida, integridade física, expressão, saúde e alimentação; alienando-lhes todos os outros. Terrorista geralmente é combatido com as Forças Armadas, e assim deve ser feito. Toda apologia de qualquer uma dessas organizações deve ser considerada “apologia do crime” e, portanto, um crime por si só qualificado.

 

Tudo isso pode resolver o problema, mas ainda há um risco nisso. Foi-me ensinado no catolicismo que a linha entre virtude e pecado é muito tênue. Por exemplo, a humildade é uma virtude enquanto a modéstia é uma falha. Ao considerar crime a apologia dessas organizações, temos que tomar cuidado para não sairmos considerando crime qualquer opinião um pouco mais polêmica. Ao tratarmos o terrorismo com firmeza, temos que tomar cuidado para não romper o sigilo e a vida privada dos cidadãos, nem dar tratamento marcial a homens inocentes. Ao exigirmos rigor contra o crime organizado, não podemos deixar subir ao poder um fascista. Ao alienar direitos de terroristas, não devemos tirá-los de nós mesmos. Urge, contudo, atacar frontalmente o crime organizado.

 

Eliminar essas organizações do convívio social e desmembrá-las. Só isso poderá nos dar as verdadeiras paz, justiça e liberdade.

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