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Archive for the ‘cinema’ Category

Tigris Pantheræ Oculus

Falava, há duas semanas, da alegria na estafa. E o tema é tão interessante que vou continuar nele.

Rocky (vamos ficar só no primeiro, mas vale pra todos) não teria graça nenhuma se o sr. Balboa começasse espancando e terminasse espancando. A grande diferença de Rocky para os outros filmes de luta até então, é que ele não apanha “para não perder a graça”. Ele apanha porque é fraco, e perde a luta final. Mas vence, porque seu objetivo era simplesmente aguentar os 15 rounds.

Mas, o que interessa, é que ele luta com ardor, mesmo vislumbrando a derrota. E isso que o motiva. Quando em situações ruins, desanimadoras, tiramos vontade do nada para fazer o que temos que fazer, ficamos alegres. Essa alegria de agir na aridez é uma daquelas coisas que “não tem preço”.

Lutar, quando tudo nos tira a vontade, é uma das coisas mais difíceis. A primeira luta a ser vencida é conseguir lutar. Mas essa primeira já tem a sua recompensa. A alegria de começar a lutar quando tudo vai contra nos motiva para continuar lutando. Podemos perder, como Rocky perdeu, mas sairemos vencedores. Viver é lutar, e a vitória está precisamente na perseverança nessa luta, independentemente do resultado final. Buscaremos a vitória até o último instante, e nisso está o nosso cinturão.

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Saudades do Edu

Por que razão não sei, acabei fuçando coisas do meu amigo Edu Levy. Há tempos que ele não escreve nem em seu blogue, nem no pequeno burguês. Agora ele escreve no resistência. Achei esta pérola, de 29 de maio último, em http://nemersonlavoura.blogspot.com/2008/05/socialismo-real.html

Sou arrastado pelas más companhias a um desses cinemas alternativíssimos em que pululam araras e outros bichos. Filme francês. Filme francês. Quatro filmes brasileiros. Todos quatro bancados por Petrossauro e Lei de Incentivo à Cultura. Vejo aquela gente nojentinha, com eterna cara-de-dor de barriga, e penso: Socialismo é isso: dinheiro tirado da boca dos desdentados para sustentar subintelectuais de classe média para que façam filmes sobre a miséria dos desdentados, aos quais só assistirão subsubintelectuaizinhos de classe média que foram condenados pelo destino a ter uma sempiterna cara de dor-de-barriga por causa da miséria dos desdentados.

O cara escreve realmente muito bem.

***

Alunas conversam no bumba:

— Hoje o professor perguntou pra gente “O que é o bem pra você?”. Matar é mau, não é (tenho certeza que a moça em questão grafaria “mal”)? Mas Deus mata. (Ela comenta a passagem bíblica do mar vermelho fechando matando os egípcios que perseguiam Moisés). Aí ele falou pra gente que o bem é relativo! Nunca tinha pensado nisso!

Sabe o que é pior? A oxigenada coitadinha tem a menor parcela de culpa nisso. Ela não parou pra pensar que o ato de matar pode não ser necessariamente mau, e a relatividade não está no bem, mas no ato de matar. Até aí, ok. O problema é ensinarem essas besteiras… Agora que falei do Edu, queria que ele tivesse visto essa cena, pelo menos ele faria um comentário que, com toda a certeza, me faria gargalhar.

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Eu tenho um grande sonho patriótico. Eu quero, um dia, entrar em uma locadora e não ver a seção “cinema nacional”.

Uma vez uma pessoa, ao me ouvir dizer isso, olhou pra mim com aquela cara de “seu estrangeirista vendido”. A verdade é o contrário. Quando eu vejo um filme, brasileiro, americano, alemão ou iraniano, é pelo que ele pode me dar. Diversão, temas pra refletir, emoção, ou apenas minutos de distração. O fato dele ser brasileiro não me dará isso mais ou menos.

Tropa de Elite é um filme policial, Meu Nome não é Johnny uma comédia, o Homem que Desafiou o Diabo uma pornochanchada, Cidade de Deus é um drama de ação, Central do Brasil um drama sem ação e o Quatrilho pertence ao gênero “chatice insuportável”. Já a Dona da História é uma legítima comédia romântica e merece um destaque. Embora bobinho, é uma comédia romântica no molde das inglesas, e melhor que muitas delas. Consegue ser legitimamente brasileiro sem “forçar a barra”, sem ter que afirmar sua “brasilidade” a cada instante. É bom, não por ser brasileiro, mas apesar de ser brasileiro.

Outra coisa insuportável: todo filme europeu cai na sessão “Cult” ou “Interesse Especial”. O Fabuloso Destino de Amélie Poulain não é cult, é uma comédia romântica também, só diferentezinha. Corra Lola Corra é um videoclipe, um filme de ação. Não é mais cult que Matrix ou Clube da Luta. Já “O Cheiro do Ralo” é um filme cult, mas mais precisamente um filme nonsense, mas colocá-lo-ia na seção de comédia sem dor na consciência. Está na de cinema nacional. Ora, alguém que goste do Cheiro do Ralo, não necessariamente gostará de Dias de Nietzsche em Turim ou de Meu Tio Matou um Cara. Não são do mesmo gênero, definitivamente.

Ao colocarmos todos os filmes europeus na categoria de “filmes intelectuais” e todos os filmes brasileiros na categoria “vai lá, assiste, dá um valor pro seu país”, subestimamos estes e superestimamos aqueles. É um desrespeito com a boa produção nacional. Há filmes brasileiros bons e ruins. Olga é Péssimo, Tolerância também, e o Homem que Copiava, apesar de meu asco moral por sua tese, é um filme bom, comparável à produção estrangeira que nos chega. Estamira me deu vontade de vomitar (pode ser porque eu o assisti no cinema mais fedido da face da terra, o Cine Arte Posto 4 em Santos) e Ilha das Flores seria mentiroso e auto-contraditório filmado no país que fosse.

O cinema brasileiro será muito melhor no dia em que não precisar ser brasileiro, em que for “cinema ponto”.

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É impossível, na América (provocação a meu amigo Tomás) passar um 4 de julho sem ouvir milhares de fogos de artifício, por mais que você esteja no sudoeste de Montana. No 7 de setembro deste ano, em Santos (cidade mãe da independência), não ouvi nenhum.

Não interessa que D. Pedro não fosse dado aos estudos, e que fosse português, herdeiro, marionete do José Bonifácio. Ele proclamou a nossa independência de Portugal, e foi uma independência verdadeira, apesar de tudo. Nenhuma história de nenhum país é linda e maravilhosa, feita com heróis saídos da tradição homérica, e feitos de bravura incontáveis. Todos os homens têm defeitos morais, inclusive os heróis, e descartar seu heroísmo por causa disso é jogar fora uma razão, é jogar fora o valor dado à pátria.

D. Pedro, ao voltar a Portugal, tornou-se Pedro IV. É conhecido por lá como “O Libertador”, pois libertou Brasil de Portugal e, depois, Portugal do absolutismo. Também é conhecido como “Rei Soldado”, por pelejar na guerra civil portuguesa de 1832. Era definitivamente um homem de uma coragem rara, principalmente se comparada à baitolagem dos moleques de hoje em dia. Soube se cercar das pessoas certas, e tomar as atitudes necessárias para que o Brasil fosse um país independente. O problema é que, com nossa história, fazemos o mesmo que com nosso cinema: colocamos numa prateleira separada.

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Muitos cristãos não têm uma noção muito simples: “todo mundo” é pecador. A modernidade, a “ateização” da sociedade, leva a ignorar muitos dos pecados, tornando quem escolhe ter esses “santos”, e cria uma compensação: há certos pecados proibidíssimos. Não me confundam, há sim uma escalaridade na gravidade dos pecados. Mas hoje, nesse mundo da “paz mundial”, versão moderninha do paz e amor hippie, o pecado proibido é a violência, mesmo que não seja uma violência pecaminosa. Jesus Cristo, que jamais pecou, se hoje fizesse um chicote para expulsar os vendilhões do templo, seria atacado pela mídia.

Guerras são necessárias. Mataram teus amigos e vizinhos e vão te matar. Pecado é não agir de forma violenta para impedir: peca-se por omissão. E nas guerras, violência é o método. Deus nos deu a ira e a força violenta para usarmos em caso de necessidade. Acontece que o usuário dessas forças é um pecador, e pode usá-las de maneira errada mesmo com reta intenção. Aí entra a “ética moderna” e crucifica-o.

No filme “Tropa de Elite”, os policiais do BOPE são violentos, têm até um pouco de sadismo, mas agem com a reta intenção de acabar com o tráfico, ou pelo menos reduzi-lo ou ainda contê-lo. São pecadores como eu, você, ou o maconheiro da esquina. Os traficantes, muitas vezes, agem por sadismo. São pecadores como todos nós, mas o pecado deles destrói vidas e impede os demais de prosseguir na virtude. Devem ser impedidos, e (reitero!) só podem ser impedidos por outros pecadores.

Nos anos 70, os EUA sofreram um surto de violência “gratuita” terrível. Não vou explorar as origens disso, vá ler o Olavão. A reação veio: Charles Bronson e o “Desejo de Matar” e Dirty Harry, o policial honesto, intransigente e violento, interpretado por Clint Eastwood. Capitão Nascimento — protagonista de “Tropa de Elite” — é o nosso Dirty Harry. Seja bem vindo!

Na primeira metade do filme, Nascimento marca muito ao dizer: “Eu sempre me pergunto: quantas crianças a gente tem que perder pro tráfico só para um playboy rolar um baseado?”. E bate, estapeia, humilha, tortura, ao mesmo tempo que chora, se condói, comemora e agradece. É a personagem mais bem construída que vi nos últimos tempos: ele é intensamente humano, plenamente pecador, mas age pelo que considera justo e correto. Não é um santo nem um demônio, não é um animal nem um “espírito evoluído”: humano. Choca-se com seus atos? Ora, olhemos para a nossa vida, para a nossa vileza! Será que o que fazemos não é tão ruim quanto?

“Tropa de Elite” é um filme excelente. Queira Deus seja o início uma reação como a que houve nos EUA nas décadas de 70 e 80. Eu li em um artigo de opinião no Estadão que ele abria uma nova era no cinema brasileiro: a era da pirataria (para quem não sabe, o filme será lançado dia 12 de outubro, mas já pululam cópias por aí) cinematográfica. Que o filme possa não ter apenas esse marco.

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Oscar 2007

Veja no Yahoo! os indicados ao Oscar 2007. Existem dois filmes este ano que foram filmados juntos. Ao mesmo tempo, nas mesmas locações, com o mesmo diretor (Clint Eastwood), a saber “A Conquista da Honra” e “Cartas de Iwo Jima“. A idéia é muito interessante: retratar a batalha de Iwo Jima dos dois pontos de vista; respectivamente, o americano e o japonês. Cartas recebeu 4 indicações: melhor filme, melhor diretor, melhor roteiro original e melhores efeitos sonoros[1], já Conquista recebeu duas indicações: melhor som e melhores efeitos sonoros[1].

A pergunta que surge é: se Eastwood dirigiu os dois filmes ao mesmo tempo, me estranha que ele tenha dirigido um melhor que o outro. Os roteiros eu entendo, são diferentes, feitos por pessoas diferentes, mas a direção não. Ao que me parece, a decisão de por qual filme indicar Clint Eastwood seguiu uma orientação política: o antiamericanismo.

A batalha de Iwo Jima foi decisiva na Segunda Guerra, e a vitória dos Aliados garantiu ao mundo a democracia e a liberdade. Não importa qual seja o drama do soldado japonês, ele pode até dar um melhor roteiro, mas ele lutava do lado da tirania. O antiamericanismo de Hollywood já mereceu um livro: “Hollywood Party“.
Cartas de Iwo Jima é um grande candidato tanto ao Oscar de melhor filme como ao de melhor diretor, embora seja possível que não queiram dar duas estatuetas de melhor diretor seguidas a Clint. Mas a indicação de melhor diretor para este filme, e não para Conquista, serve a um propósito político que não poderia ser pior: proteger aqueles que lutavam ao lado do nazismo.

Obrigado por me ler e até mais.

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