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Archive for the ‘Liberalismo’ Category

Uma das coisas que mais me irrita é o patronímico “estadunidense”. Por que não americano? Eu respondo: por recalque. O nome daquele país é América. Estados Unidos é a organização de lá, assim como o Brasil já se chamou Estados Unidos do Brazil, e hoje se chama República Federativa do Brasil, serei eu um “republicofederativense”?

Ah! Mas confunde com o continente. E os torcedores do América, por acaso são “footballclubenses”? Não! São chamados, igualmente, de americanos.

“Porque a torcida americana é toda assim, a começar por mim, a cor do pavilhão é a cor do nosso coração!”.

Ora, se um time de segunda divisão (com um passado glorioso) tem seus torcedores chamados de americanos, por que não igualmente um país cujo nome é América?

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Como eu odeio a Expresso Brasileiro, a Rápido Brasil e a Ultra! Essas três empresas formam um cartel na linha São Paulo – Santos/São Vicente. Você não consegue escolher entre elas. É bem diferente, por exemplo, da cooperação Cristália – Cometa na linha São Paulo – Campinas. As passagens, nesse último caso, são vendidas num mesmo guichê, pelo mesmo preço, mas você escolhe se prefere Cristália ou Cometa. Cada uma tem seus horários regulares, suas vantagens e desvantagens. As três empresas que eu odeio revezam quem oferece o serviço, ou seja, nunca há escolha. Para completar a picaretagem, eles atrasam absurdamente o ônibus até que ele lote, pra aumentar os lucros. Dane-se se os passageiros têm horário a cumprir.

Não bastasse isso, quando surgiu uma concorrência verdadeira (a Expresso Luxo, que oferece um serviço pontual e executivo pelo mesmo preço), eles entraram na justiça para cassar a concessão do trecho a ela, tamanho foi o seu medo. Felizmente, a Expresso Luxo ganhou o recurso e voltou a operar, mas com poucos horários. No último domingo, eu, com pressa, peguei o Expresso Brasileiro de 14h59min, porque não podia perder os 10 minutos para pegar o Expresso Luxo de 15h10min. Advinhem que hora o Expresso Brasileiro saiu? 15h10min. Que raiva! Bando de picaretas.

Mas reparem uma coisa: o medo que esse cartel tem da concorrente pequena. Monopólio é uma coisa cruel. Uma empresa detém o monopólio das linhas do aeroporto de Guarulhos para São Paulo. O preço que ela cobra é praticamente o mesmo que o cobrado pelas empresas que levam a Santos e a Campinas. Por quê? Porque tem um monopólio. Dada a tradição estatal do Brasil, nós sempre fomos acostumados com monopólio, e queremos “reclamar pro governo” (como acontecia na Alemanha Oriental, se alguma coisa fosse ruim, você escrevia uma cartinha pro governo, e torcia pra alguém ler). Mas, graças a Deus, um setor tem transformado isso, e mudado a mentalidade do brasileiro: a telefonia.

Cada vez mais o brasileiro se acostuma com uma coisa chamada “concorrência”, fundamental para o capitalismo, graças às empresas de telefonia, mormente telefonia móvel. No mesmo ônibus em que passei raiva, vi um homem ligando para a Claro para reclamar que não pagava mais apenas 6 centavos pela ligação, seus créditos tinham se esvaído, e deixou claro: “Na Vivo eles me dão bônus de 10x o valor da recarga”. Isso é um progresso enorme no Brasil, a noção da concorrência trabalhando a seu favor! A concorrência acirradíssima entre as empresas de telefonia móvel é um exemplo para a nação. Todo mundo tem celular hoje no Brasil, tido na época de monopólio estatal como “coisa de milionário”, e o número de celulares sobrepujou o de telefones fixos. E há idiotas que criticam a privatização… É claro que a primeira empresa a entrar vai combater, com todas as forças, a existência das chamadas “banda B” e “banda C”. Mas o mercado tem que ser o mais amplo possível!

E volto aos transportes rodoviários. Uma estrada não é algo tão crítico como o espaço aéreo. Por que não deixar quem quiser operar um trajeto? Só pode haver ganhos advindos disso. Tenho certeza que pelo menos umas 5 empresas ofereceriam São Paulo – Campinas. Umas duas a mais entrariam no trecho São Paulo – Santos, os que mais uso. Os preços cairiam, a qualidade melhoraria, cada empresa ofereceria um diferencial. Antes de ser comprada pela 1001, a Viação Cometa garantia a pontualidade e a agilidade, por benevolência apenas. Depois da aquisição, a Cometa foi do vinho pro fel. Os ônibus não têm a agilidade de outrora (dos 2h10min que levava em 2002, a viagem Santos – Campinas hoje demora 3h30min), apesar de serem “novos”, e a pontualidade caiu bastante. Na maioria de suas linhas, eles são monopolistas e/ou têm um número de horários muito superior aos concorrentes.

E por que pedágio é tão caro? Simples, porque estradas que vão para “quase” o mesmo lugar são administradas pela mesma concessionária. Anhangüera e Bandeirantes deveriam ser concessionadas para empresas diferentes, o mesmo vale para Dutra e Trabalhadores, Anchieta e Imigrantes, etc. Só que em todos os casos, é a mesma concessionária, os mesmos valores de pedágio, a qualidade da administração privada, mas com o preço do monopólio.

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Mais um comentário capitalista, mas aeroviário: a entrada da Azul no mercado foi uma coisa fantástica. Os preços dos voos em Campinas para os destinos para que ela opera caíram bastante. Mas outros voos também, já que o aeroporto de Viracopos começou a ficar mais movimentado, e a empresa aérea deve operar em breve para mais e mais destinos (como Rio e Floripa). A Azul atacou em rotas inexistentes (como voos diretos para Vitória e Florianópolis partindo de Campinas), rotas existentes, mas overpriced pelas outras companhias, de forma a competir não apenas com o mercado de Campinas (pequeno), como com o de São Paulo (gigante). Dependendo de onde você está em São Paulo, você chega em Viracopos antes de Guarulhos. Se a Azul crescer, e novas empresas a seguirem, todos ganham. Ainda vou falar mais disso.

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Mudei de assunto em relação aos últimos posts, não? Só quis dar uma descansada dos assuntos de moral e virtudes. Semana que vem, quem sabe volto à carga, menos irritado com as empresas detentoras de monopólio e exploradoras, não do negócio, mas do cliente. Mas quero falar mais sobre a educação da vontade e já estou com um artigo engatilhado sobre crendices, ceticismo cego, e um áureo equilíbrio, quem sabe sai segunda que vem. (E veja, quarta segunda-feira seguida com artigo, espero manter o ritmo!)

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Feeling Guava

Hello there!

Sinta os anos 80!

(Não perca tempo! Vá direto para 2:16 e sinta o naipe da galera)

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Plebiscito popular “A CPMF É NOSSA”

1) Em 1996, a CPMF – patrimônio construído pelo povo brasileiro – foi violentamente tomada, ação que o governo e o poder judiciário podem anular. A CPMF deve continuar nas mãos da politicagem privada?

2) O governo deve continuar priorizando a contratação de funcionários públicos, em vez de investir na melhoria das condições de vida e trabalho do povo brasileiro?

3) Você concorda que as estatais continuem sendo exploradas por partidos privados, roubando do povo até 8 vezes mais que das grandes empresas?

4) Você concorda com uma reforma tributária que retire dinheiro dos trabalhadores/as?

Esse deveria ser o plebiscito.

 

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Legalize Já!

Nota: tomo todo o cuidado para que este artigo seja não uma apologia ao crime, mas sim, uma iniciativa na mudança da lei para algo de acordo com os anseios da população acossada pelo tráfico de drogas.

Uma das notícias de maior reação nessa semana foi a questão das milícias no Rio de Janeiro. Alguns policiais, ex-policiais, bombeiros e outros voluntários formaram milícias, que expulsaram os traficantes e tomaram o poder em alguns morros cariocas. Depois disso, começaram a cobrar de 5 a 15 reais pela segurança das favelas e a monopolizar a distribuição de gás e o transporte coletivo alternativo. Para garantir a segurança, chegaram a colocar um portão numa favela.

De uma hora para outra, isso se tornou mais grave que o próprio tráfico de drogas. O governo fluminense está determinado a destruir essas milícias. O governador Sérgio Cabral chegou, inclusive, a dar uma declaração mandando derrubar o tal portão. Contudo, nenhuma cobertura mostrou a população. Eles provavelmente agradeceriam as milícias, falariam que se sentem mais seguros, e que preferem que continue assim, como disse alguém numa comunidade do orkut pró-milícias. Essa comunidade será fechada a pedido do Ministério Público, e seu criador será processado criminalmente. Procure comunidades de apologia das drogas no orkut e você achará um monte. E ninguém enche o saco delas! Mas não, o problema são as milícias.

No fim das contas, essas milícias fazem o papel que deveria ser do Estado: segurança. De 5 a 15 reais é um pagamento ínfimo comparado com a ameaça de morte constante dos traficantes ou o peso tributário do Estado brasileiro, que não cuida dessas pessoas. É só um apêndice de pobreza para permitir discursos demagógicos. Quem cuida deles são os “criminosos” das milícias, e deixar essas pessoas livres do jugo dos traficantes é insuportável para qualquer governo.

Outras duas coisas interessantes: desde o advento das milícias, o perfil da criminalidade juvenil mudou, de predominância dos crimes relacionados ao tráfico de drogas aos furtos e roubos. E isso é excelente! No Brasil de hoje, você agradece a Deus se for assaltado simplesmente. Se foi um furto que você nem percebeu, você manda rezar uma missa de ação de graças a quem te roubou! Toda sociedade tem ladrões. Se os crimes predominantes numa sociedade forem roubo e furto, podemos dizer que é uma sociedade mais segura. A outra coisa é que, um grupo de 50 a 100 milicianos (imagino que seja esse o número), consegue enxotar os traficantes e limpar um morro. Qual é o efetivo da polícia fluminense? Se forem 3 mil, dá para limpar 30 morros simultaneamente. Por que isso nunca foi feito?

Se o Estado não cumpre sua função, ele não pode proibir que outros o façam. Não se podem proibir escolas nem hospitais particulares. A segurança não deve ser diferente. As milícias mais ajudam que atrapalham na segurança. Só uma cultura que pense mais no poder do Estado que no bem da população pode se opor a isso. As drogas devem ser criminalizadas (embora não sejam), mas quanto às milícias que as combatem, legalize já!

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