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Archive for agosto \31\UTC 2007

Disclaimer: Este não é um post político nem cinematográfico

Todos nós temos um conjunto de valores que tomamos como primordiais para a nossa vida e outros que rejeitamos. Eu vejo, pelo menos no Brasil, uma péssima tendência da liberdade cair para o segundo grupo. Falo liberdade em um sentido amplo, não simplesmente a liberdade econômica, ou mesmo a liberdade civil (a despeito do que possa fazer parecer o título deste escrito), mas a liberdade que chamamos de “livre arbítrio”.

O que é o livre arbítrio? É, em todas as situações de sua vida, ser confrontado com um espectro amplo de opções, ter plena liberdade de escolher quaisquer caminhos, e assumir todas as responsabilidades de sua escolha. Isso, do mesmo modo que eu disse que acontece com a derrota, nos faz crescer, aprendendo com os erros. Isso nos torna verdadeiramente humanos. A liberdade é a principal diferença do homem para os demais animais: estes são escravos do instinto.

Mas não queremos: queremos soluções prontas, queremos uma escolha única, tal que nos engane: acreditamos que escolhemos, quando não tínhamos opções, achamo-nos livres, quando uma corrente nos prendia. Um exemplo, estou muito teórico: não é tão incomum entre adolescentes vestibulandos o desejo de ser aprovado em apenas uma das faculdades que tentou (ou pelo menos das que tem como primeira preferência): isso evita a escolha. No futuro, na hora da escolha profissional, o desejo é de que todas as portas se fechem, exceto por uma. Desnecessário dizer que, isso buscado de uma maneira ativa, não haverá a excepcional porta aberta.

Outro exemplo que me vem à mente: um rapazito, cheio de hormônios, corteja diversas garotas. A primeira que lhe dá bola recebe seus afetos de uma maneira especial. Se vem uma segunda, que ele acha que prefere, a escolha se impõe, “Ó aporia!”. Se larga a primeira, se esquece da segunda, se trai a primeira com a segunda ou com a terceira que ainda está por vir, tudo isso se impõe como “dilema moral”, quando não é nada disso, apenas o rapaz sequer cogitava ser livre para decidir, e depois inventa “fiquei com a primeira, mas gosto de verdade da segunda, e agora, o que eu faço?”. As contas bancárias dos psicólogos juvenis agradecem. (Pois é: incapazes de decidir antes, incapazes de decidir depois, doam sua liberdade a um terceiro que nunca os viu mais gordos e, numa hipótese otimista, apenas domina técnicas de conhecimento de seres humanos em bloco).

Ora, não é este um artigo político, mas não posso deixar de falar: no Brasil, queremos que o governo faça tudo. Não queremos ser livres nem para ajudar o mendigo, ou mesmo o nosso vizinho.

Estamos perdendo diversos valores importantes por confusão de conceitos: nos varões, virilidade se tornou sinônimo de machismo, nas mulheres, valorosidade virou sinônimo de submissão. Ora, não é nada disso. A mulher valorosa não é submissa, muito pelo contrário: sua índole a impede; o homem viril não pode ser machista, o machismo nada mais é que uma muleta aos homens que carecem de virilidade.

A liberdade entra na conta também, mas por outro motivo. A liberdade traz obrigações, cujas contas prestaremos, todos nós (até o Renan Calheiros), à nossa consciência. Isso é demais para o nosso espírito, que se tornou preguiçoso demais. Se os músculos de minhas pernas definham ao ponto de não conseguir eu andar, perco essa liberdade. Ou, em João 21:18 “Em verdade, em verdade te digo: quando eras mais moço, cingias-te e andavas aonde querias. Mas, quando fores velho, estenderás as tuas mãos, e outro te cingirá e te levará para onde não queres.”. Da mesma forma o nosso espírito, quando definha, perde a mobilidade. Um espírito inerte só pode ser levado pela torrente dos fatos.

É preciso que verifiquemos em nós essa desvalorização da liberdade, façamos uma “fisioterapia espiritual” para tornar nosso espírito móvel novamente, em seguida voltemos nossa vontade para a plena realização do dom da liberdade e, só assim, daremos adeus a esse “Lênin mental” que nos imputa uma ditadura solicitada.

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Estou no deserto de minha vida.

Jesus Cristo, Nosso Senhor, foi levado pelo Espírito Santo ao deserto para ser tentado pelo demônio. (Mateus 4). Ele resistiu a todas as três tentações, que equivalem aos três principais males espirituais, e quando voltou nos ensinou o Caminho (Mateus 5); como tratar e como não tratar esses males (Mateus 6).

Durante nossa vida, o Espírito Santo nos leva ao deserto também. Como não somos perfeitos como Cristo é, sempre fraquejamos. Alguns mais, alguns menos. Nem todos percebem isso, nem todos vencem o Tentador (ninguém o vence sozinho, é claro, mas com a ajuda da Santíssima Trindade apenas), nem todos são levados de volta. Neste momento eu sei que estou nesse deserto, graças à iluminação que o Padre Paulo Ricardo me deu (está tudo no site dele, então você pode recebê-la também) e que ele foi buscar na Tradição da Igreja e nas obras dos Santos Padres.

Fico muito feliz por enfrentar esse deserto com 24 anos, a mesma idade que o enfrentou Santa Teresinha do Menino Jesus. E buscarei nela a inspiração para, com a ajuda de Nosso Senhor, vencê-lo.

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O Padre Euclides, da paróquia de Santa Izabel em Campinas, conta que os santos lhe servem mais de inspiração do que qualquer outra coisa: os santos, para ele, servem como modelos a serem seguidos, exemplos de vida, acertos e erros que nos têm um propósito educativo. Como ele é um excelente pastor, vou imitá-lo e buscar, como disse, inspiração em Santa Teresinha.

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Ainda um outro comentário, em torno do mesmo tema: os Santos Padres, os padres do deserto, os grandes monges santos têm um acúmulo de conhecimento e trato psicológico superior a qualquer teoria psicológica moderna. Por exemplo, a acídia, entendida, explicada e diagnosticada pelo menos desde o ano 300 pela Igreja, compreende, abrange e generaliza o fenômeno (muito hodierno, aliás) conhecido como “depressão”. E a profilaxia proposta me parece (e poderei ter certeza quando a colocar em prática) muito mais adequada que soluções freudianas ou a ingestão de remédios de tarja preta. Delongar-me-ia se fosse necessário. Não é: reitero que visite o site do Padre Paulo Ricardo e escute o curso da “Terapia das Doenças Espirituais”. Aposto que concordará comigo depois disso.

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Quer ler algo realmente bom? Aqui vai a dica: Feliz Nova Dieta (http://julio-lemos.blogspot.com/ ). Pertencente ao ex-“wunderblog” Júlio Lemos, é bem escrito, trata de diversos temas, de temas profundos e importantes, não é pedante, não é político, não é monotemático, não é cliché. É um dos poucos blogues que me dá algo, em que eu termino de ler me sentindo melhor do que quando eu comecei. Obrigado por me ler e até mais!

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