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Archive for julho \21\UTC 2009

Google is cheaper

O Google é, de longe, a empresa que faz os melhores aplicativos “cloud-based”. Google Docs (foi comprado do writely, não é 100% deles), GMail e, claro, a busca, são apenas 3 exemplos. Mas parece que a empresa se embanana quando a coisa é social.

O orkut, apesar de ser febre no Brasil, está muito abaixo em número de usuários do Facebook. O Picasa Web Albums não dá aquele “clima de sociedade” que dá o Flickr. No Flickr você se sente numa comunidade de fotógrafos, ele é “community-centred”, e a mesma  comparação vale para Blogspot e WordPress. Aliás, “nomen est omen”. Enquanto o blogspot é isso mesmo, um “lugar de blogues”, o WordPress é uma “(im)prensa de palavras”, um lugar mais social. No WordPress você tem vários mecanismos de “comunidade”, os blogues são elencados, você sempre é presenteado com os “posts do dia”, se alguém coloca um link pro seu blogue (trackback), aparece como comentário, etc. Faz muito tempo que eu não uso o Blogspot, mas mesmo que ele já faça isso, ele está “seguindo” o líder.

E o que o Google oferece em troca? Gratuidade. No Picasa Web Albums você pode colocar uma infinidade de fotos sem custo. No Flickr você tem um limite rigidíssimo e tem que pagar (é uma mixaria, US$ 30 por ano, acho) para não ter limite algum. Eu pago, e com muito gosto. Já o Blogspot deixa você fazer quase tudo no blogue, e o WordPress te limita horrores. Para adicionar funcionalidades no WordPress, você tem que pagar taxas anuais. Para poder editar o seu template, coisa basicíssima, paga-se. Para colocar em domínio próprio, paga-se. É claro que eu não pago nada disso e fico com essa coisa limitada.

A outra opção do WordPress é baixar o código (é software livre) e implantá-lo — sem restrição alguma — em seu próprio servidor. Isso tem suas desvantagens — atualizações de segurança manuais e todo o trabalho que isso implica. Eu já usei isso, mas deu um trabalho que não valeu a pena. Voltei pra essa coisa gratuita e limitada que, assim mesmo, é melhor que minha experiência com o Blogspot (não com o Blogger, que fique claro, que é um sistema excelente, quiçá melhor que o wordpress)

E é isso, foi só um rant mesmo.

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Reflexo da Guanabara

As moças sempre se desesperam quando atrasa. Mas não se preocupem, rapazes. Aqui no Rio ficou um pouco mais difícil de postar. É a quarta vez que venho ao Rio neste ano e já tenho uma próxima viagem planejada, em agosto, para um casamento. O Rio tem algumas coisas que é preciso “ver para crer”, e vou fazer um amontoado delas aqui, com algumas reflexões breves e superficiais.

O metrô é caríssimo, custando R$2,80, contra R$2,20 do ônibus e R$2,35 do trem. Há vários tipos de ônibus, alguns mais caros. Achei que fosse livre concorrência mas, ledo engano, é só uma flexibilização maior. Há vans também, mas não sei seu preço. Por que o metrô é tão caro no Rio se ele atende tão poucos lugares e demora tanto a passar (mais de 8 minutos entre trens no domingo!)? Resposta: ele é seguro e não pega trânsito. O transporte público no Rio é muito mal planejado, o que leva a congestionamentos tremendos, apesar de uma engenharia de tráfego até um pouco melhor que a de São Paulo (o aterro do Flamengo, ao contrário das marginais, flui. Já não se pode dizer o mesmo da linha vermelha mas não é pior que as marginais também). O metrô é o único meio de transporte no Rio em que há a garantia de que você não tomará uma bala perdida. Por isso ele é tão caro.

Falando de transporte público, os trens atendem muitos lugares no Rio. Se fossem trocados por trens de média velocidade (60km/h) frequentes a coisa melhoraria muito. Outra coisa que melhoraria é uma melhor integração, como há em SP. Um cartão único que fizesse as contas dos preços das integrações. Cada integração custa um valor diferente e precisa de cartões diferentes, você fica maluco. O cartão do metrô não serve pra fazer integração no trem, o que me fez perder 3,80.

Um lugar pelo qual me encantei aqui foi a Biblioteca Nacional. Com um acervo gigantesco e uma sala de estudos excelente, é uma boa para estudar, ler, entre outras atividades intelectuais. Fiquei lá e li um pouco “A Descoberta do Outro” do Gustavo Corção, meu livro favorito. Foi bom relembrá-lo, já que o meu exemplar está perdido em algum canto.

O livro é um romance autobiográfico, escrito de maneira ímpar. Corção conta como a sua indignação perante às injustiças e superficialidades burguesas levou-o a um proto-marxismo (nas palavras dele, ele não gostava tanto do materialismo histórico, o seu lance era o “fígado do burguês”) e daí, com todas as suas experiências, ele pulou para a “descoberta do outro”, aprendeu a amar. Descobriu os detalhes. Nas palavras de Nelson Rodrigues, “Corção é todo amor”, e é fato. Em “A Descoberta do Outro” você descobre o que é, de fato, o amor cristão. Não é algo piegas nem sentimentalista. É algo que mesmo um engenheiro como Corção pode sentir.

Aliás, Corção era carioca. Contemporâneo de tantos outros. Durante muito tempo, a vida intelectual e cultural no Brasil se deu no Rio de Janeiro. Corção e Alceu, Nelson Rodrigues, Jackson de Figueiredo, Herberto Sales, Carlos Drummond de Andrade. E do Rio ainda surgiu Bruno Tolentino. Olavo de Carvalho no Rio morou por muitos anos. E não é por ter sido a capital brasileira. Qual a vida intelectual em Brasília? Zero. E Recife, que nos deu Gilberto Freyre e tantos outros, e nunca foi capital?

No Rio você pode viver uma vida medíocre de baixos prazeres, mas também galgar o que de mais alto se fez no Brasil. Os museus, as bibliotecas, os prédios do império, as peças de teatro, os concertos. Muitas vezes com aquele diletantismo acadêmico que é simulacro de cultura, é fato, mas uma alma atenta pode tirar disso o melhor, assim como um bom coador tira uma delícia de suco de uma laranja muito bagacenta. São Paulo também tem simulacros, mas tem menos cultura verdadeira. Essa que veio dos mestres e ficou impregnada no ar do Rio. Respira-se cultura por aqui, e não sei explicar isso direito. Mas sinto-o desde a primeira vez que pisei nessas paragens. Senti o mesmo em Recife, aliás.

(post incompleto postado com um atraso estupendo!)

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