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Archive for the ‘Cristianismo’ Category

Suite Charlotte Pike é uma grande canção. O que mais me surpreende nela é a alegria verdadeira que ela exalta. Escute os primeiros dois minutos or so:

Repare como a banda ri e se diverte (o áudio, claro, ignore o vídeo) ao fazer a sua jam. Perceba a alegria das hamonias.

Estão cumprindo o seu dever. Viram que seu papel no mundo é ser músicos. Inspirar a mesma alegria que têm nos outros. Outros sentimentos, outras vontades, entreter, virar assunto, e tudo que um bom músico pode fazer pelos demais. Na gravação, um processo por vezes tedioso, é difícil manter-se com uma disposição viva. Muitas gravações se tornam “foscas”. Mas, para quem tem uma determinada virtude, isso não ocorre.

Essa virtude é a esperança. A esperança não é querer ganhar uma geladeira do Sílvio Santos, como se acreditou em grande parte dos anos 80. Esperança, colocada da forma mais simples que eu consigo, é a plena certeza de que a verdade é boa e o erro é ruim. A esperança nada mais é que a identificação entre bem e verdade, entre ἀγαθία e ἀληθῆ. Viver na verdade torna-nos felizes, viver na mentira nos deprime. Ao viver na verdade, isto é, cumprir o nosso dever, deve surgir uma profunda alegria.  É uma confiança na justiça, pois fazendo o bem, tornar-nos-emos felizes.

A esperança não é plena sem a fé. E a fé não é plena sem esperança. Fé não é crendice, fé não é superstição, fé não é acreditar cegamente. Fé é confiança. Confiança no quê? Na verdade. Mas isso não é a mesma coisa que a esperança? Quase.

A fé consiste em saber o que é verdadeiro e o que é falso. E temos que confiar em diversas coisas que podemos atestar mas não comprovar. Atravessamos pontes sem saber engenharia civil, e não nos detemos perante elas até ter certeza de que sua estrutura nos aguentará. Vivemos sem ter prova matemática de que nossos sentidos nos dão a exata percepção do mundo. Mas a razão nos diz que é melhor nos nossos sentidos do que duvidar deles. Melhor confiar na ponte que não chegar a Niterói ou à USP. A razão sustenta a fé e, sem termos fé, não chegamos a conhecimento algum: a fé sustenta a razão.

Sem saber o que é verdadeiro nem falso (sem ter fé) não podemos esperar receber benefícios de viver segundo a verdade, pois sequer a conhecemos: não teremos esperança. Sem ter confiança em que a verdade é boa (sem ter esperança), jamais poderemos conhecê-la (nem confiar nela), pois só buscamos (e confiamos em) aquilo que é bom: não teremos fé. E é isso, uma vida verdadeiramente feliz depende da fé e da esperança. E a felicidade faz nascer a alegria verdadeira. A fé e a esperança não se perdem, porque são tautológicas. A verdade é verdadeira (óbvio) e a verdade é boa (óbvio), mas às vezes nos esquecemos disso.

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Educação moral é um termo que faz algumas pessoas (principalmente aquelas na meia-idade, que tiveram aulas e mais aulas de “educação moral e cívica”, que não era educação moral nem educação cívica) tremerem. “É coisa de militares”, “de reacionários”, “de beatas”, et cetera. Concordo em parte, educação moral não é coisa pra se ensinar em escola, muito menos do jeito que se ensinava por estas bandas.

A educação moral é dada por familiares, por amigos, e pela vida mesma. São eles, e nenhuma escola, que incitarão o amor pelo bem, ensinando a “pegar gosto” pelas coisas boas. Não canso de citar o Julio Lemos:

«Veremos que o melhor é ser melhor: crescer em cada uma das virtudes, até os mínimos detalhes, aprendendo a ter prazer naquilo que é bom, e não naquilo que agrada só aos sentidos. § O resto é picaretagem.» (LEMOS, J., Feliz Nova Dieta: Futher details on how to get ICEMAN on your license plate, Blogspot: Blogger, 1997.)

Não deixe de ler o Raubkapitalismus, dele também, também. Essa “educação moral” faz nascer no educando outra virtude, que consiste no agir segundo a fé e a esperança. E não citarei seu nome para não cair no mais antigo clichê que já inventaram.

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São Tomás de Aquino não tinha o Google. Nossas bisavós não tinham telefone. Einstein não tinha periódicos acessíveis por um índice eletrônico. O que faríamos sem forno, sem microondas, sem internet, sem computador, sem máquina de lavar, canalização de água, de esgoto, sem revólveres, sem telefone, telégrafos, aviões?

Muita coisa.

É da folga moderna ficar limitado pelos meios. Podemos render mais que São Tomás de Aquino em suas pesquisas. Rendemos? Podemos derrotar, com uma arma de fogo, mais inimigos que Joanna D’Arc. Derrotamos?

Estava a ler “A Vida Intelectual”, do famoso Pe. Sertillanges, e ele comentava sobre a vida em família. A edição que tenho é da década de 40. Falava que se juntava a família em calma à noite, para ter um breve colóquio, às vezes o esposo tomava uma obra filosófica para ler e meditar, enquanto a família lhe fazia companhia silenciosa e tranquila. Na hora me veio à mente: “ele fala isso porque à época não existia televisão, que maravilha!”.

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Escuso-me da falha na semana passada, e não sei se manterei postando sempre às segundas-feiras. Mas apareçam, meus dois leitores, na próxima segunda-feira.

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Algumas pérolas lapidadas e alguns diamantes polidos:

“Será sensato, será normal deixar o investigador no gabinete de trabalho, ter assim duas almas: a do trabalhador e a do homem folgado que circula?” — Sertillanges

“Viver na presença de Deus é viver na presença da Verdade. Não só saber que Deus o vê mas também ver a Deus nas verdades manifestadas no mundo”

“Não haveria um só pagão, se nós fôssemos verdadeiramente cristãos” — São João Crisóstomo

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Lendo o Novo Testamento, reparei que quase todas as curas de paralíticos e ressurreições são seguidas de trabalho por parte do beneficiado. A sogra de Pedro foi ressuscitada e passou a servir os apóstolos. O mesmo Pedro mandou Enéias “arrumar-se” depois de curar-lhe a paralisia das pernas.

Não adianta nada, e nisso os ateus estão certos, ficar pedindo milagres em vez de trabalhar para alcançar o que se quer. Os dons do Sabedoria (como Salomão chamava a terceira pessoa) são gratuitos, mas ela quer que façamos jus a eles. Para que fazer-nos andar se for para ficar parados? Para que nos ressuscitar se é para não servir aos outros? Para que nos dar inteligência se não para usá-la para o bem? (não esse “sou do bem” descolado de hoje em dia, que até o Suplicy consegue ser, mas aquele bem que os gregos identificavam com a verdade e a beleza)

Para solucionar o natural, não receberemos milagres não. Quererá Deus que usemos todos os milagres que já recebemos: a vida, a saúde, a força, a inteligência. Tudo isso são milagres. E, quando sobrevierem necessidades sobrenaturais, o milagre terá que ser retribuído de nossa parte, se não de nada adiantará.

E Deus, ao contrário de nós, não perde tempo.

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Em verdade, em verdade eu vos digo: quando arrumardes vossos recintos, não façais como certos blogueiros, que separam os papéis em pilhas e, depois, quando sobrevem o cansaço e querem dormir, retornam todos os papéis não descartados a caixas, desperdiçando o seu trabalho. Do contrário, que cada coisa que tomardes em vossas mãos só possa ter dois destinos, o descarte em um lugar secreto ou o seu receptáculo definitivo. Só assim agireis conforme o Espírito, que odeia o caos.

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O italiano é um povo tão exagerado que isso se manifesta na língua. Para manifestar exagero, aumento, há, entre outras que ainda não aprendi, as seguintes palavras: molto, troppo, pìu, proprio, così. O estudo vai bem, com algumas falhas aqui e ali mas, de resto, segue o rumo!

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A técnica de escrever um necrológio de si, como foi ensinada no curso do Seminário de Filosofia do Olavão, consiste no seguinte: imaginar que você morreu, *capoft* e alguém fará um elogio seu a outrem. Considere que você foi quem você quis ser, alcançou o que quer alcançar, e descreva essa pessoa. Isso é excelente para testar os objetivos de vida, medi-los, incentivá-los. Eu tenho um probleminha com isso. Uma certa descrição do meu mapa astrocaracterológico diz:

«O indivíduo percebe qualquer indício de contradição, de incoerência, nos seus planos de vida. Ele próprio argumenta contra esses planos, argumentando que estão muito acima de suas capacidades ou que, uma vez realizados, não lhe trarão qualquer satisfação real.»

Pois foi exatamente a sensação que tive ao ver o resultado do meu trabalho: nem conseguiria, com minhas capacidades, alcançá-los nem me pareceu satisfatório. Bom, DyA, vamos seguir em frente e continuar pensando no caso.

O interessante desse exercício é que pode ser feito para qualquer período de tempo, não apenas a vida inteira. Por exemplo, para o ano de 2009, e períodos sucessivamente mais curtos até chegar ao minuto atual. Nesse ponto, o indivíduo não faz mais nada que não queira*. Vou tomar um tempo e fazer um para este ano também, mas primeiro vou ver se melhoro o da minha vida inteira.

No último parágrafo do meu obituário, lê-se: «Tinha dois grandes amigos: a Graça e o tempo, este último com quem tanto brigara.» Queira Deus!

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*Eu falei «queira», de «querer». Mas não é a palavra ideal. Em italiano temos o «volere», que significa querer, mas com a mesma raiz «vol-» do português «volição», ou seja, para onde a vontade está dirigida. O «querer» não indica se é um ato do desejo ou da vontade (embora, no italiano, seja usado o «volere» para atos de desejo também, a etimologia é clara), então não conseguimos ser precisos.

Um exemplo bobinho. Eu não desejo arrumar os meus papéis, mas tenho vontade de ter o meu quarto arrumado, e essa vontade se volta para a arrumação. Se disser que «quero» arrumar meu quarto, não estarei mentindo, mas serei impreciso.

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Espaço para os nossos patrocinadores!

A Vivi está vendendo belíssimos ovos de Páscoa a preços excelentes! Eu já encomendei os meus.

Juntando tudo: para conseguir cumprir os planos de vida, e os planos simples como o último que falei, recomendo um livro chamado «Controle Cerebral e Emocional» do padre jesuíta Narciso Irala. Parece-me a melhor obra de auto-ajuda já escrita na história da humanidade. Sim, è pìu proprio troppo così buonoÈ eccelenti, ottimo, magnifico! Há copiosas cópias em sebos por aí, cheque a Estante Virtual, e há edições novas a partir de R$28,00.

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Ontem começou o terceiro mês do ano. O terceiro. Dois meses já se passaram, mas, de certa forma, o ano começa agora, afinal, no nosso Brasil, o ano começa só depois do Carnaval. Feliz ano novo!

Um início de mês é uma boa época para rever as resoluções de ano novo. Ainda mais quando é, mais ou menos, um ano novo também. Terça-feira começam minhas aulas, e também inicio uma nova tarefa no trabalho amanhã. Vamos ao estado de minhas resoluçõe:

  1. Ainda postergo. Se digo amanhã farei isso, muitas vezes deixo pra depois de amanhã. Minhas meias ainda não foram lavadas, a sorte é que eu tenho muitas.
  2. Aos poucos estou conseguindo adicionar certos hábitos rotineiros ao meu dia. Estou cumprindo, de certa forma, as imposições diárias que escrevi numa regra. Mas ainda falta muita coisa a me disciplinar.
  3. Ih, o mestrado. Retomei-o quinta passada, em marcha lentíssima, mas me impus pelo menos “contemplá-lo” por pelo menos 15 minutos todos os dias úteis. Isso, pelo menos, eu cumpri na quinta e na sexta.
  4. Continuo no mesmo emprego, já fiz duas entrevistas, mas é época de crise, claro. Vamos esperar respostas e fazer novas entrevistas.
  5. Mudar-me-ei quando estiver com o mestrado encaminhado. 5 depende de 3. Então, é hora de trabalhar.
  6. Caindo e levantando, vou tentando (chega de gerúndios!) cumprir meus pequenos deveres. Alguns tenho cumprido sim, mas outros ainda falho. Mas o 6 estou cumprindo, um passo de cada vez, às vezes uma queda e um recomeço, mas o importante é manter-se sempre examinando a si mesmo, de maneira geral, como tenho feito todas as noites, e de maneira particular, como faço neste post, por exemplo, e faço às noites e nas manhãs também.
  7. O bom velhinho! Não o verei no UNIV (boa viagem, Rodolfo) e, se for aos EUA este ano, não dará para ir a Roma também. Mas, se não gastar o dinheiro indo para os EUA, que o gaste indo para Roma!

Fazer esse tipo de exame, o exame particular, olhar os propósitos que foram tomados, ver seu andamento, e retomar os propósitos ou repensá-los é muito importante, e é uma tarefa diária. Às vezes, mais que diária. Grandes homens, como Benjamin Franklin e García Moreno, tinham guias, cartões, regras, para verificar se viviam dignamente, virtuosamente, isto é, humanamente. Como seres humanos, não como animais. Pra isso serve o nosso exame de consciência particular. Ele é, como diz o grande São Josemaria Escrivá, a “espada toledana” com que combatemos os nossos inimigos internos e defendemos nossa humanidade.

E aí, o que você já fez do que você propôs no ano novo? Se quiser, desabafe aí embaixo, na caixa de comentários. Se não quiser, não deixe de repensar consigo mesmo, e, se tiver falhado, um “miserere” e avante!

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Uma vida bem vivida é mais ou menos como um banho frio. Há um certo incômodo, mas também há um certo deleite. E o frescor ao sair mais que compensa o gelo ao entrar.

Em diversos momentos devemos fazer coisas que a princípio são incômodas. Por exemplo, preciso lavar minhas meias e arrumar meus papéis. É claro que isso é chato e vai me incomodar bastante, mas eu consigo gostar da atividade um pouco (me sinto bem lavando roupa, sério!), mas a chatice de lavar roupas não é nada comparado com poder calçar meias limpas. O incômodo de arrumar meus papéis não é nada comparado com poder encontrar aquilo que quero facilmente.

É claro que, como falei no último post, vai sempre haver a luta do desejo contra a vontade, a vontade de ter meias limpas no armário, contra o desejo de ficar vagabundeando na internet. A vontade de ter um corpo saudável contra o desejo de comer todas as iguarias que comprei no último fim-de-semana. A vontade de arrumar os meus papéis contra o desejo de jogar World of Goo (dica pro seu carnaval, Leo!) e Frets on Fire.

Mas, retomando o Aristóteles, a felicidade é viver segundo a reta razão. E a razão (diria mais, diria que é a Sabedoria) é a regente da nossa vontade. Sou mais feliz lavando meias que quebrando meu recorde de Play With Me, por mais que isso pareça contra-intuitivo. Mas a intuição nem sempre está certa, como prova o problema da Porta dos Desesperados.

Quão agradável é, como o frescor de um banho frio, olhar pra trás e falar: cumpri o que minha razão me ordenou! Ou ainda, cumpri meu dever outrora, agora posso fazer outras coisas.

Agora vem a má notícia. Esse tipo de luta nunca cessará. Nunca viveremos “pacificamente”. No último True Outspeak, o Olavo de Carvalho faz uma explanação excelente sobre isso. “Não vim trazer a paz, mas a espada”, aquela coisa toda. E, por isso, devemos renovar todo dia nosso espírito, para que enfrente mais um dia de batalha. É difícil.

Se fosse fácil, eu não perderia tempo escrevendo! Escrevo mais para me convencer do que para convencer outras pessoas!

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Eu sou fã do Latino. Não, eu não gosto de nenhuma música dele, mas sou fã do que ele representa. Ele tem uma formação musical aceitável, e pensa até acima da média do que já vi de declarações. Mas faz músicas idiotas, idiotíssimas! E ele mesmo sabe disso, faz por opção, e faz um baita sucesso! Acho que isso só prova a decadência cultural do Brasil. Se é isso que o Latino queria ou não, eu não sei.

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Continuando o debate sobre concorrência nos transportes, recomendo um post excelente do meu amigo T, no blogue “Dizem que eu viajo“.

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Ontem fui para Ribeirão Pires, a convite de meu amigo Allan. Em breve, postarei as fotos no flickr.

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Confesso: estou postando só para manter o propósito que fiz, de postar toda segunda (vejam meus dois leitores que o post sai quase no fim do dia). Mas, até que ponto vale a pena manter um propósito simplesmente por mantê-lo?

Um dos argumentos é a educação da disciplina pessoal. Ao nos obrigarmos a cumprir certas imposições, vamos educando nosso espírito (e muitas vezes nosso corpo também) à obediência. O espírito precisa obedecer a verdade, e o cumprimento dos propósitos é uma boa forma de conseguir isso.

Tenho noções vagas, o que li foi pouquíssimo, tenho retalhos mentais de algumas aulas mas, ao que parece, Aristóteles (Totó para os íntimos), em sua(s) Ética(s) (o que, no sentido clássico, significa ciência da felicidade, ou seja, “como ser feliz”), define o seguinte: o homem tem dois caracteres em si: o desejo e a vontade. Não caiamos num maniqueísmo moralista nem para defendê-lo nem para atacá-lo. Não é uma briga entre «corpo» e «alma». Ademais, nem sempre o desejo está no caminho errado.

O desejo nos mantém alimentados. É por desejo que comemos e bebemos, e não por vontade. A vontade pode nos impor mais copos de água, ou uma comida mais nutritiva, mas o essencial na alimentação é o desejo. E também no sexo, necessário à existência humana. Nem o Flanders pensa em “fazer neném” para motivá-lo à cópula. É o desejo que o move. O desejo é, a princípio, bom.

A vontade que nos faz estudar, ou agüentar acordados para o bem de outra pessoa. Ninguém, exceto a traça, sente desejo por livros. O problema ocorre quando desejo e vontade se chocam; quando o desejo pede algo, e a vontade pede algo oposto. O desejo pede que eu durma, a vontade pede que eu escreva o post que me comprometi a escrever às segundas. Nessas horas, segundo o grande Totó, é a vontade que tem que prevalecer.

Nem sempre isso acontece, e qualquer cristão, mormente católico, sabe muito bem. Às vezes a vontade sucumbe ao desejo. Embora isso seja ruim, não é dramático. Como diz certo bordão, “faz parrrte, né?” O problema é que quando o desejo sempre vence, ele deforma a vontade, e ela se torna uma escrava do desejo. Nosso intelecto nos impele a fazer coisas que outrora não impeliria. O desejo nem aparece em certas ocasiões, porque ele não precisa brigar com a vontade, ela já fará o que ele quer (pelamordedeus, não levem essas antropomorfizações muito a sério!). Portanto, não podemos deixar o desejo conquistar uma hegemonia. Do contrário, submeteremos o restante da nossa alma a ele. Seremos escravos de um pequeno pedaço de nós mesmos, em vez de sermos integrais (nem o pão para emagrecer nem o leite para engordar), termos todos os aspectos de nossa alma conhecidos, e deixar superar, em cada caso, aquele que estiver de acordo com a verdade.

Pra isso, precisa treino. Treino é (quase) sempre artificial, quase sempre uma imposição. Pode-se tirar proveito durante, mas a princípio é sempre algo imposto. O cumprimento de propósitos sérios não é treino, é agir com responsabilidade. Mas propósitos quase jocosos, como este que vos confidenciei, são, e são úteis. E agora encerro, para cumprir algumas das outras obrigações que me impus para hoje, as pouquíssimas que ainda não naufragaram.

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