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Archive for janeiro \27\UTC 2005

Cale a boca, comentarista ignorante da CBN!

Um comentarista da CBN disse o seguinte: “Imagine que será indicado para o Oscar um filme sobre Che Guevara”. Pois é. Foi. E DUAS vezes.

Caberia a esse locutor a leitura de “The Hollywood Party”, mas fica aqui o testemunho da besteira gigante que ele falou.

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Mais do mesmo – com a ajuda de Gustavo Corção

O fato é que está sendo ministrado ao povo brasileiro, às vezes com o concurso de verbas concedidas pelo tesouro nacional, o pior dos serviços, que é o de convencer às multidões que o nosso atraso vem de fora, e que a causa principal de nosso sub-desenvolvimento está nas manobras dos agentes internacionais e não em nossa própria incúria, e não na irresponsabilidade de nossos dirigentes
— Gustavo Corção

Vamos começar agora uma argumentação “Michael Moore” que, assim como as dele, não prova nada, mas serve de ilustração:

O melhor do Brasil é o brasileiro, certo? Bom, então de quem é a culpa de nosso estado lastimável? Do território? Não. Afinal, moramos num país tropical, abençoado por Deus e bonito por natureza. Dos governantes? Também não, afinal eles são brasileiros e assim sendo, o melhor do Brasil. Então a culpa só pode ser… dos… estrangeiros! Sim, os malditos imperialistas ianques, são eles os culpados de nosso atraso.

Isso foi uma argumentação “Michael Moore” como eu disse, e não tenho a pretensão conspiratória de dizer que a campanha “O melhor do Brasil é o brasileiro” tem o intuito de colocar a culpa nos países estrangeiros, mas que essas duas idéias andam muito bem juntas, isso andam.

Devo confessar que concordo com a campanha. Parcialmente. O melhor do Brasil é o brasileiro. Mas o pior também. O melhor do Brasil é formado pelos seguintes brasileiros (entre outros): Machado de Assis, Gustavo Corção, Heitor Villa Lobos, José Bonifácio, os trabalhadores honestos, os policiais incorruptíveis, e diria que até o Marcos Lisboa. O pior é Fernandinho Beira Mar, Mc Serginho, José Genoíno, Duda Mendonça, etc.

Um país é feito pelos seus cidadãos (aliás, vou ainda expor isso um pouco mais quando falar do relativismo cultural). Então, tudo que ele tem de melhor e de pior são os seus cidadãos. O melhor e o pior do Brasil é o brasileiro.

Quanto ao argumento da auto-estima, com que o Otto me contrariou, eu respondi e respondo aqui também: para ter auto-estima há de ter, primeiro, do que se auto-estimar. Como disse um anônimo por aí, de uma maneira petulante, mas nem por isso incorreta, talvez só possamos nos auto-estimar do futebol. Ou, como o Gustavo Corção: “A verdade manda confessar que, fora do futebol, pouca coisa trouxemos para a tal apoteose humana”. Adiciono a isso, talvez, as nossas exportações. E só. Só? Tem mais coisa, contudo a maioria mais de 50 anos passadas. Enquanto não tivermos do que nos orgulhar, não é uma campanha publicitária que vai mudar isso.

Já o Lucas disse que prefere falar de coisas bacanas. Contrariando-o, cito de novo (e pela última ou penúltima vez) o mesmo livro de Corção:

os que não têm confiança inabalável e incondicional nos gloriosos destinos da Pátria, esses tratarão de trabahar, de fazer força, de cumprir o dever, de denunciar os escândalos, tudo isto com o objetivo patriótico de trazer uma contribuição para a glória e para a riqueza do Brasil. O curioso, meus amigos, é que nos chamem de pessimistas! O fato de acharmos ser preciso trabalhar e vigiar para um dia sermos grandes é apontado como derrotismo mórbido pelos que clamam incondicional confiança nos destinos da Pátria, e desde já sacam por conta sua grossa parte da glória e da riqueza“.

Tudo isso que citei foi escrito em 1960, e contudo possui uma estarrecedora atualidade. Bom, acho que o que tinha para falar do assunto terminou, graças à ajuda do livro “Patriotismo e Nacionalismo” desse genial Gustavo Corção. Obrigado por nos ler (a mim e a ele) e até mais.

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Explicando o post anterior

Olha,

eu estava me sentindo meio Wunder e resolvi expressar isso.

Quanto ao que falei, estava tirando um sarro da propaganda do governo pelo seguinte motivo: cada nação é construída, feita pelos seus cidadãos. Com o Brasil, não é diferente, os brasileiros é que construíram esse país, e que o tornaram o que ele é. Então, se no estado lastimoso que estamos, o melhor que temos são os brasileiros, realmente não estamos bem!

Era somente isso. Eu me incluo como brasileiro — para quem não entendeu isso — então sinto-me à vontade para falar mal.

Obrigado por me ler e até mais!

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In a Wunder Way

O melhor do Brasil é o brasileiro. Imagina o pior…

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Proposta Pedagógica (parte I – ensino fundamental)

AVISO: segue uma proposta pedagógica para uma educação de elite, feita por um rapaz que nem sequer pedagogo é e sonha em ser a total antítese de Paulo Freire.

Primeiros anos (de 3 a 5): educação física, artística e cultural. Em educação física, exercícios de preparo: flexões e alongamentos, esportes individuais como corridas, saltos, arremessos e talvez natação. Na educação artística, audição de clássicos (não no sentido estilístico mas sim no cultural), aprendizagem de algum instrumento simples como flauta doce, estímulo à pintura e à escultura, e crítica e autocrítica dessas atividades. Apreciação de obras de arte. Educação cultural: ensino de valores morais (religiosos ou não, depende da laicidade da escola), audição das histórias mitológicas e das fábulas culturais.

Seis e sete anos: Continuação da educação física, e iniciação aos esportes coletivos (futebol, vôlei). Início possível de alguma arte marcial. Continuação da educação artística, possível avanço para algum instrumento musical mais avançado e aprendizado de técnica na pintura ou escultura. Aprendizagem das letras, leituras simples. Aprendizado das operações aritméticas, realização de operações aritmeéticas.

Oito a dez anos: Aprimoramento da atividade física predominante (e favorita) nos anos anteriores. Aprimoramento da arte de mais sucesso na infância. Iniciação à poesia. Leitura de poemas. Leitura de clássicos universais de fácil assimilação. Estímulo à atividade narrativa: composição de narrativas criativas. Contínuo aprendizado da aritmética. Iniciação à geometria. Iniciação à álgebra. Princípio do estudo científico (bases científicas, estudo da ciência feita pelos cientistas de todas as ciências (Aristóteles, Da Vinci e outros)). Princípio do estudo histórico. História local e regional. Início do aprendizado de outra lingua latina viva (Espanhol, Italiano ou Francês preferencialmente).

Onze a Quatorze anos: Continuação das atividades físicas e artísticas. Continuação da atividade narrativa e princípio da atividade dissertativa e argumentativa. Lógica e Retórica. Aumento da dificuldade das leituras e aprendizagem de gramática. Continuação dos estudos da língua latina escolhida. Início do ensino de Grego ou Latim. Aprimoramento da Álgebra e da Geometria. Início dos estudos de Física, Química e Biologia. Continuação dos estudos históricos: história da civilização ocidental. Início dos estudos cartográficos. A partir dos 12 ou 13 anos, ensino da língua inglesa ou alemã.

Qualquer outro dia, escrevo o bem mais difícil projeto para o ensino médio.

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Reflexões em uma postura Socrática

Para começar bem (ou não) o ano: Política, Economia e Jurisprudência (talvez devesse incluir nessa lista a Filosofia). Todo mundo fala desses assuntos sem conhecê-los. Quando falo todo mundo, é patente que faço uma generalização. Mas é uma generalização suficientemente grande para incluir a mim mesmo. Se me incluo, falo com “consciência de classe”.

De economia, fiz um cursinho de macroeconomia keynesiana no Instituto de Economia, li alguns keynesianos nesse curso, como Galbraith, li dois capítulos d\’O Capital de Marx, a crítica de Böhm-Bawerk à teoria da exploração (mais-valia), alguns apuds de uns liberais por aí, leio umas revistas que falam de economia, e tal, coisa bem pouca: em suma, não sei nada.

De política, vi um pouquinho mais. (Embora tenha plena consciência que não é possível emitir posicionamentos políticos sem conhecer economia. Para mim, todo político devia conhecer, pelo menos: Locke, Smith, Ricardo, Rodbertus, Stuart Mill, Marx, Keynes e os notáveis da Escola Austríaca. Hoje em dia, quem lê tudo isso sabe mais que muito economista formado nas melhores universidades brasileiras. Deveria ser pré-requisito para um vereador de Pindaíba). li, além do Marx, outros marxistas como Althusser, Saviani, Rosa Luxemburgo e Brandão; li apuds de Gramsci e Lênin; li também os políticos libertários americanos, gosto do pensamento político de Olavo de Carvalho, li, além disso, grande parte d\’A República do Platão, d\’O Príncipe de Maquiavel, e ainda tenho a Política de Aristóteles, a Suma Teológica (que entre outros assuntos, versa sobre política e o pensamento proto-liberal e proto-socialista na minha fila de leitura (em qual não estão nas primeiras posições): em suma, sei quase nada.

De jurisprudência, li um livrinho de Miguel Reale e conheço alguns artigos da Constituição: em suma, sei menos que nada. Comentava hoje com o Rafael que todo cidadão tem como dever conhecer pelo menos a Constituição, mas isso é impossível para o brasileiro, que tem, em um só artigo, metade do tamanho da constituição americana (conforme já comentei) e que se subjulga a uma lei volatilíssima que muda todo dia.

Falei tudo isso para dizer que tomo uma postura, a meu ver a mais acertada, socrática sobre esses assuntos: pelo menos sei que nada sei. Tem gente que nem isso sabe, e fala desses assuntos com a postura de um especialista, sem muitas vezes saber o mínimo para discutir os assuntos do jornal no boteco ou na padoca. Podem ter certeza que sou sincero ao dizer que sei que nada sei. E nada modesto ao dizer isso, aliás, talvez até pedante. Sei que meu conhecimento é bem pouco, e tem muito a melhorar. Qualquer pessoa com algum fundamento (e infelizmente isso é raro) me quebra em qualquer discussãozinha sobre esse assunto. A diferença minha para os outros é que eu sei quando alguém “quebra minhas pernas” em uma discussão. Os outros, por não saberem que nada sabem, saem desses tipos de discussão com um ar de superioriedade, já que não entenderam nada do que o outro falou, e por isso não foram convencidos.

É isso, obrigado e feliz ano novo.

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