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Archive for março \30\UTC 2009

Não estudo porque minha escrivaninha está bagunçada. Ela está bagunçada porque não tenho onde guardar as coisas. Não tenho onde guardá-las porque a estante lotou e estou sem dinheiro para comprar uma nova. Essa situação é fictícia, mas retrata muito bem uma situação comum.

Quantas vezes não deixamos de fazer algo porque não dispomos dos “meios” ideais para agir. Aí ficamos a esperar: só posso estudar decentemente depois de comprar o livro, só posso empreender mais esta atividade depois de liberar tempo na agenda, só posso tomar banho quando voltar a luz. Esquecemos que podemos estudar por apostilas e/ou nossas anotações, esquecemos de todo o tempo livre que jogamos fora, esquecemos que até que está um dia quente e um banho frio nem cairia tão mal assim.

Ou seja, tudo desculpa esfarrapada. A busca pelos meios é um saco sem fundo. Não que não devamos buscar os meios, mas isso não pode ser pré-requisito para “nos virarmos”, do jeito que der por enquanto. Na grande parte das vezes, a busca por meios é uma bela duma desculpa para procrastinar.

A idéia é perseguir o objetivo verdadeiro sempre, sem tomar como restringente a falta de alguns dos meios, sem confundi-los com os objetivos, ao mesmo tempo que se os vão galgando.

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Ok, isso não é tudo. Apaga as três estrelinhas aí atrás. Por que diabos queremos meios? Não existe meio sem fim. Se meu fim é estudar história, e eu estudo história na cama ou no trono muito bem, eu não preciso organizar a minha escrivaninha (é claro que organizá-la vai tornar o meu ambiente mais agradável e facilitar outros estudos, isso não é desculpa para que ela vire a pile of debris).

Quando temos um fim em mente, devemos estudar todo o seu processo de aquisição, necessidades e alternativas. E, feito isso, ter o caminho bem guardado, e não se distrair com “pseudo-meios”: coisas que são úteis, mas não pro que nós queremos. Às vezes precisamos de perseverança, às vezes até de coragem. Para alcançar um fim nobre, podemos ter que fazer sacrifícios, negar-nos temporariamente, piorar nossa situação por um momento. Mas, se de fato queremos o que achamos que queremos, vale a pena, decerto.

Então vamos lá. 1) Preciso mesmo disso pro meu fim almejado? 2) Qual era mesmo o meu fim? 3) O que eu de fato preciso para alcançá-lo, o que é meramente útil? 4) Vou ser macho pra encarar o que for preciso? Respondendo tudo isso, fica mais fácil — não automático, mais fácil — dirigir adequadamente nossos sentidos, sentimentos, pensamentos e vontade. O resto é desculpa.

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Em verdade, em verdade eu vos digo: quando arrumardes vossos recintos, não façais como certos blogueiros, que separam os papéis em pilhas e, depois, quando sobrevem o cansaço e querem dormir, retornam todos os papéis não descartados a caixas, desperdiçando o seu trabalho. Do contrário, que cada coisa que tomardes em vossas mãos só possa ter dois destinos, o descarte em um lugar secreto ou o seu receptáculo definitivo. Só assim agireis conforme o Espírito, que odeia o caos.

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O italiano é um povo tão exagerado que isso se manifesta na língua. Para manifestar exagero, aumento, há, entre outras que ainda não aprendi, as seguintes palavras: molto, troppo, pìu, proprio, così. O estudo vai bem, com algumas falhas aqui e ali mas, de resto, segue o rumo!

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A técnica de escrever um necrológio de si, como foi ensinada no curso do Seminário de Filosofia do Olavão, consiste no seguinte: imaginar que você morreu, *capoft* e alguém fará um elogio seu a outrem. Considere que você foi quem você quis ser, alcançou o que quer alcançar, e descreva essa pessoa. Isso é excelente para testar os objetivos de vida, medi-los, incentivá-los. Eu tenho um probleminha com isso. Uma certa descrição do meu mapa astrocaracterológico diz:

«O indivíduo percebe qualquer indício de contradição, de incoerência, nos seus planos de vida. Ele próprio argumenta contra esses planos, argumentando que estão muito acima de suas capacidades ou que, uma vez realizados, não lhe trarão qualquer satisfação real.»

Pois foi exatamente a sensação que tive ao ver o resultado do meu trabalho: nem conseguiria, com minhas capacidades, alcançá-los nem me pareceu satisfatório. Bom, DyA, vamos seguir em frente e continuar pensando no caso.

O interessante desse exercício é que pode ser feito para qualquer período de tempo, não apenas a vida inteira. Por exemplo, para o ano de 2009, e períodos sucessivamente mais curtos até chegar ao minuto atual. Nesse ponto, o indivíduo não faz mais nada que não queira*. Vou tomar um tempo e fazer um para este ano também, mas primeiro vou ver se melhoro o da minha vida inteira.

No último parágrafo do meu obituário, lê-se: «Tinha dois grandes amigos: a Graça e o tempo, este último com quem tanto brigara.» Queira Deus!

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*Eu falei «queira», de «querer». Mas não é a palavra ideal. Em italiano temos o «volere», que significa querer, mas com a mesma raiz «vol-» do português «volição», ou seja, para onde a vontade está dirigida. O «querer» não indica se é um ato do desejo ou da vontade (embora, no italiano, seja usado o «volere» para atos de desejo também, a etimologia é clara), então não conseguimos ser precisos.

Um exemplo bobinho. Eu não desejo arrumar os meus papéis, mas tenho vontade de ter o meu quarto arrumado, e essa vontade se volta para a arrumação. Se disser que «quero» arrumar meu quarto, não estarei mentindo, mas serei impreciso.

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Espaço para os nossos patrocinadores!

A Vivi está vendendo belíssimos ovos de Páscoa a preços excelentes! Eu já encomendei os meus.

Juntando tudo: para conseguir cumprir os planos de vida, e os planos simples como o último que falei, recomendo um livro chamado «Controle Cerebral e Emocional» do padre jesuíta Narciso Irala. Parece-me a melhor obra de auto-ajuda já escrita na história da humanidade. Sim, è pìu proprio troppo così buonoÈ eccelenti, ottimo, magnifico! Há copiosas cópias em sebos por aí, cheque a Estante Virtual, e há edições novas a partir de R$28,00.

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Before afternoon than never

Ontem não teve post novo, o gerador de feeds do WordPress e o motor de busca do Google, meus dois leitores, estranharam. Mas isso ilustra bem uma continuação de meus posts anteriores.

Propósito, planejamento e perseverança, dizia. Só que às vezes a gente falha. O que fazer? Vou pegar um exemplo. Comecei a estudar italiano no começo do ano passado. O método pede uma lição por dia, sem falta. Para dar mais ainda o caráter de settimana, uma em cada sete lições é gramática e revisão. Um dia eu não estudei, também não o dia seguinte. E parei. Um ano quase sem tocar no livro.  Retomei os estudos faz um mês, mais ou menos, por conta de uma refatoração de propósitos. Desde então, falhei dois dias. Mas retomei no dia seguinte. Não deixei a falha de um dia me empurrar para baixo.

Vamos falar mais coisas. Comecei um regime ano passado. Emagreci 5 quilos em 5 semanas, ritmo que eu conseguiria manter. Mas falhei um dia, e isso foi suficiente para que eu falhasse nos demais, perdesse o ritmo e engordasse o dobro do que emagreci (tá, um pouco menos). De vários propósitos eu desisti na primeira falha, e isso é idiotice. 

Se eu tivesse falhado 50 vezes no estudo de italiano, mas tivesse perseverado no dia seguinte, eu já teria terminado o método e já teria uma comunicação razoável na língua. Se eu tivesse falhado 100 dias nas atividades de regime, teria, pelo menos, mantido a massa que atingi. 

Há também um ponto a se considerar, que é a compensação. Se eu falhei ontem, devo compensar hoje? Se o meu propósito diário é fazer determinadas leituras, e eu falhei ontem, posso ler o dobro hoje, dependendo do volume. Quanto a regimes, nada feito. Não devo comer “metade” hoje, não devo me exercitar o dobro hoje.  Com o italiano não é tão simples, a própria dinâmica diária é importante, duas lições no mesmo dia podem não ter o mesmo efeito. Pode ser melhor atrasar um dia o término do curso, mas pode não ser. Mas, se compensar um dia é possível, compensar 4 já não é. Por isso é importante um reerguimento ágil. 

Para compensações, às vezes é preciso um plano bem delimitado. Por exemplo: este livro tem 50 capítulos e vou lê-lo em 50 dias. A compensação num caso de falha vem praticamente de forma automática. Um exemplo, pretendo ler o Gênesis (50 capítulos) no tempo pascal (49 dias, o qüinquagésimo é pentecostes). Ora, eu tomei um período de tempo delimitado, uma leitura delimitada, e uma razão para terminar no tempo proposto. Fica muito mais fácil. E isso serve para o estudo acadêmico também. Tenho uma prova tal dia, até a véspera são X dias. Divido o estudo devido em X partes (ou X-1 mais uma revisão) e tenho um projeto que para aderir-lhe preciso apenas de um mínimo de disciplina. Se falhar uma vez, o plano proposto me obriga a compensar para cumpri-lo. 

Este post sai na terça-feira como ilustração. Não que tenha sido caso pensado, mas faço-o como um exrcício de anti-hipocrisia. Compenso e, semana que vem, posso manter o ritmo. Se deixo a falha tomar corpo, o propósito se esvai e perco tudo que conquistei.

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Não sei se comentei aqui. Não lembro, e estou com preguiça de pesquisar. Matriculei-me em uma disciplina: Programação Linear Inteira (PLI). Meu objetivo com isso é múltiplo: ganhar ritmo de Unicamp, reforçar meus conhecimentos de Pesquisa Operacional, área em que anseio trabalhar e — este que vale destaque no blogue — fazer mais coisa.

“Quanto mais coisa eu faço, mais coisa eu faço”, brinco com meus amigos, que também sabem que vivo uma relação bem “entre tapas e beijos” (mais tapas que beijos) com o meu mestrado. Um breve histórico: apaixonei-me pela área no último ano da graduação. Entrei no mestrado num projeto um pouco diferente daquilo que queria, e isso e mais uma confluência de fatores — entre os quais a minha torpeza, que fique claro — me fez ser relapso e trabalhar muito menos do que deveria. Depois de dois anos, acabou minha bolsa, consegui um emprego “pra garantir o leite das crianças”, e isso atrapalhou o mestrado ainda mais. Tranquei um semestre para ganhar seis meses a mais para concluir e estou, neste momento, há 5 meses e alguns dias do meu jubilamento inexorável.

“Quanto mais coisa eu faço, mais coisa eu faço”. Na graduação, tenho viva memória, os meus melhores semestres eram aqueles em que me empenhava em mais atividades, sem muletas — fugas (farei isto para não fazer aquilo). Os semestres cheios (muitas obrigações) garantiam boas notas, vida social ativa, bom humor, e até emagrecimento. Nos vazios (poucas obrigações), as notas caíam, o humor piorava, a vida social se perdia e, claro, engordava horrores. O mestrado, o que é? Um monte de tempo livre pra você fazer o seu mestrado. Se você não tem disciplina, bau bau. Adiós, amigo! O fosso não tem fundo. Isso é meio que óbvio depois que você conhece muitos posgraduandos. Minha situação não é única, mas pode muito bem ser caricatural.

“Quanto mais coisa eu faço, mais coisa eu faço”. Com esse adágio em mente, matriculei-me em PLI (matéria de que gosto) com o Cid (professor de que gosto), uma disciplina pesada mas empolgante. Meio como uma musculação pesadíssima na qual a endorfina compensa a dor. E, fazendo essa disciplina, trabalhando 44 horas por semana, fazendo uma hora de oração por dia, estudando 15 a 30 minutos de italiano, pretendo também concluir o mestrado.

“Quanto mais coisa eu faço, mais coisa eu faço”. Isso é patentemente exagerado. Não mentiroso, exagerado. Tenho limites humanos. Meu dia só tem 24 horas, das quais não consigo dormir menos de 7 (e mesmo 7 é doloroso) meu físico e meu mental têm suas estafas, e tenho que tomar banho, ter roupas limpas, e outras coisas que me tomam tempo também. Uma hora eu vou quebrar, ou vou desistir e cair num ostracismo, se “trabalhar sem descanso”. Por isso, tenho muitas coisas a ponderar. Coisas a largar (ó dor do apego!), mudanças radicais e ousadas a serem feitas. Mas, sem disciplina, dedicação e ousadia — violência –, como quererei entrar no Reino?

Nisso tudo, há-se de ter um planeamento (pt_PT é muito bacana). Preciso, como conversava ontem com um nobre amigo, e hoje com outro, que me puxaram as orelhas (cada um, uma) sobre o mesmo aspecto — sem se conhecerem, o que é mais fantástico, e sem eu citar ao segundo que conversei isso com o primeiro –: preciso saber o que quero ser. Preciso ter uma idéia de quem é o Arqui-Pereira, o Über-Hanson, o LG ideal. Se eu não sei para onde quero ir, ou se tenho uma vaga idéia — quero ser santo (afirmar isso é uma tolice) — não chegarei a lugar algum. Se sei que quero ir para Quixeramobim, mas não sei que fica no Ceará, posso acabar caindo no Acre ou no Rio Grande. Se sei que fica no Ceará, mas não planejo minha viagem, posso demorar demais para chegar lá e acabar meu combustível e meu dinheiro para abastecer antes de lograr a chegada. Se planejo a minha viagem mas desvio minha rota, quanto antes desviar minha rota, mais longe ficarei da cidade. Propósito, planejamento, perseverança. São os 3 pês que devo lembrar diariamente.

“Quanto mais coisa eu faço, mais coisa eu faço”: consegui criar uma certa disciplina diária nos últimos dias, e cumpri-la ainda que parcialmente (mas sempre acima de 50%), de pequenas tarefas e propósitos diários. Isso não só me dá ânimo como me ajuda em outras atividades. O tempo que essas pequenas disciplinas tomam é como que recebido em dobro, quase como uma fonte de juventude. E, aliás, volto a elas.

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Ontem começou o terceiro mês do ano. O terceiro. Dois meses já se passaram, mas, de certa forma, o ano começa agora, afinal, no nosso Brasil, o ano começa só depois do Carnaval. Feliz ano novo!

Um início de mês é uma boa época para rever as resoluções de ano novo. Ainda mais quando é, mais ou menos, um ano novo também. Terça-feira começam minhas aulas, e também inicio uma nova tarefa no trabalho amanhã. Vamos ao estado de minhas resoluçõe:

  1. Ainda postergo. Se digo amanhã farei isso, muitas vezes deixo pra depois de amanhã. Minhas meias ainda não foram lavadas, a sorte é que eu tenho muitas.
  2. Aos poucos estou conseguindo adicionar certos hábitos rotineiros ao meu dia. Estou cumprindo, de certa forma, as imposições diárias que escrevi numa regra. Mas ainda falta muita coisa a me disciplinar.
  3. Ih, o mestrado. Retomei-o quinta passada, em marcha lentíssima, mas me impus pelo menos “contemplá-lo” por pelo menos 15 minutos todos os dias úteis. Isso, pelo menos, eu cumpri na quinta e na sexta.
  4. Continuo no mesmo emprego, já fiz duas entrevistas, mas é época de crise, claro. Vamos esperar respostas e fazer novas entrevistas.
  5. Mudar-me-ei quando estiver com o mestrado encaminhado. 5 depende de 3. Então, é hora de trabalhar.
  6. Caindo e levantando, vou tentando (chega de gerúndios!) cumprir meus pequenos deveres. Alguns tenho cumprido sim, mas outros ainda falho. Mas o 6 estou cumprindo, um passo de cada vez, às vezes uma queda e um recomeço, mas o importante é manter-se sempre examinando a si mesmo, de maneira geral, como tenho feito todas as noites, e de maneira particular, como faço neste post, por exemplo, e faço às noites e nas manhãs também.
  7. O bom velhinho! Não o verei no UNIV (boa viagem, Rodolfo) e, se for aos EUA este ano, não dará para ir a Roma também. Mas, se não gastar o dinheiro indo para os EUA, que o gaste indo para Roma!

Fazer esse tipo de exame, o exame particular, olhar os propósitos que foram tomados, ver seu andamento, e retomar os propósitos ou repensá-los é muito importante, e é uma tarefa diária. Às vezes, mais que diária. Grandes homens, como Benjamin Franklin e García Moreno, tinham guias, cartões, regras, para verificar se viviam dignamente, virtuosamente, isto é, humanamente. Como seres humanos, não como animais. Pra isso serve o nosso exame de consciência particular. Ele é, como diz o grande São Josemaria Escrivá, a “espada toledana” com que combatemos os nossos inimigos internos e defendemos nossa humanidade.

E aí, o que você já fez do que você propôs no ano novo? Se quiser, desabafe aí embaixo, na caixa de comentários. Se não quiser, não deixe de repensar consigo mesmo, e, se tiver falhado, um “miserere” e avante!

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