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Archive for the ‘política’ Category

Saudades do Edu

Por que razão não sei, acabei fuçando coisas do meu amigo Edu Levy. Há tempos que ele não escreve nem em seu blogue, nem no pequeno burguês. Agora ele escreve no resistência. Achei esta pérola, de 29 de maio último, em http://nemersonlavoura.blogspot.com/2008/05/socialismo-real.html

Sou arrastado pelas más companhias a um desses cinemas alternativíssimos em que pululam araras e outros bichos. Filme francês. Filme francês. Quatro filmes brasileiros. Todos quatro bancados por Petrossauro e Lei de Incentivo à Cultura. Vejo aquela gente nojentinha, com eterna cara-de-dor de barriga, e penso: Socialismo é isso: dinheiro tirado da boca dos desdentados para sustentar subintelectuais de classe média para que façam filmes sobre a miséria dos desdentados, aos quais só assistirão subsubintelectuaizinhos de classe média que foram condenados pelo destino a ter uma sempiterna cara de dor-de-barriga por causa da miséria dos desdentados.

O cara escreve realmente muito bem.

***

Alunas conversam no bumba:

— Hoje o professor perguntou pra gente “O que é o bem pra você?”. Matar é mau, não é (tenho certeza que a moça em questão grafaria “mal”)? Mas Deus mata. (Ela comenta a passagem bíblica do mar vermelho fechando matando os egípcios que perseguiam Moisés). Aí ele falou pra gente que o bem é relativo! Nunca tinha pensado nisso!

Sabe o que é pior? A oxigenada coitadinha tem a menor parcela de culpa nisso. Ela não parou pra pensar que o ato de matar pode não ser necessariamente mau, e a relatividade não está no bem, mas no ato de matar. Até aí, ok. O problema é ensinarem essas besteiras… Agora que falei do Edu, queria que ele tivesse visto essa cena, pelo menos ele faria um comentário que, com toda a certeza, me faria gargalhar.

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Should I have hissed her?

Exemplo idiota

Há algumas “dores e delícias” (pra começar citando “Caetano”) em ser audaz. Mas antes de continuar a ler, pare e leia isto aqui: http://julio-lemos.blogspot.com/2008/07/how-to-convince-groucho-marx-joining-my.html

Podemos tentar definir audácia de várias formas, a minha preferida, por ser abrangente o suficiente, é: “sair da zona de conforto por um objetivo”. Como disse o Christian num comentário no meu recente artigo B&C,”aos bons falta o ímpeto dos maus”. Discordo, e para cutucar o Leo de novo, eu corrigiria a frase para: “aos bonzinhos falta o ímpeto dos maus, que também é dos bons”. Como disse no mesmo artigo, o bonzinho não assalta um banco porque tem medo, o  bom porque não deve.

Farei aqui uma confissão pública: diversas atitudes torpes não foram tomadas de minha parte, não por senso do dever, responsabilidade, consciência do que é correto, mas por simples medo das conseqüências. Mas aqui não é confessionário, e nenhum padre me lê pra me dar o perdão sacramental. Vamos falar de atitudes moralmente neutras.

Demorei mais de 24 anos para aprender a andar de bicicleta. Aprendi há um mês, mais ou menos. Aprendi naquelas… Hoje, saindo de casa para fazer a barba e dar feliz aniversário pessoalmente à Izabel, antes de viajar para Porto Alegre (viagem que seria posteriormente cancelada), lembrei que havia aprendido a andar de bicicleta. Só havia feito trechos curtíssimos, e muito dentro da zona de conforto, tirando as duas primeiras vezes que tentei. Hoje, estava com um pouco de pressa, tinha pouco tempo, e resolvi pegar a bicicleta (na pior das hipóteses, eu vou carregá-la na mesma velocidade em que ando). Corri alguns riscos, a bicicleta tombou algumas vezes, uma boa parte do percurso eu nem tentei fazer (subidas muito íngremes, ruas movimentadas), mas a tímida audácia valeu a pena. Ganhei um tempo preciosíssmo que me faria falta.

Mas digo, não aprendi a andar de bicicleta todo esse tempo por dois medos: dos tombos e da vergonha. Passei um pouco de vergonha, me ralei um pouco (e foi bem pouco) no começo, mas o saldo é positivo.

A audácia é necessária. Num artigo recente sobre liderança do “The Art of Manliness” (a arte da macheza) — blogue excelente recomendado-me pelo Zé –, é dito com todas as letras: não é um líder quem não arrisca. Ou, em bom português, “quem não arrisca não petisca” (em bom inglês: nothing ventured, nothing gained).

Duas coisas são importantes no caminho da audácia: o sucesso e o fracasso. Parece óbvio, mas cada um é importante em um aspecto. O sucesso para manter a motivação, se somos audazes e fracassamos sempre, voltaremos à nossa medíocre zona de conforto. O fracasso para não nos assoberbarmos nem nos acharmos super-homens. Na medida em que somos audazes e conseguimos cumprir nossos propósitos sempre, podemos desenvolver um comportamento temerário.

É importante tomar um não no pedido de emprego, tomar um tombo de bicicleta, ver algo que tinha tudo pra dar certo dar errado, porque mantém nossos pés no chão. Mas tentando ter uma audácia mais firme e virtuosa a cada dia, eu vejo que vale a pena. A raiva, a dor, a sensação de impotência, isso é passageiro. Os ganhos para a alma são eviternos. A cojer las cuerdas y picos, aquela coisa toda…

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Meus artigos, por uma coincidência — ou, pelo menos, de forma não planejada — vêm num crescendo nesse tema. Primeiro sobre a coragem, depois sobre a ousadia e o ímpeto e, agora, sobre a audácia. Ainda mais depois de ler o artigo do Julio, com a “jaculatória” de Hernan Cortez no fim. Esse é um tema muito importante para qualquer um que queira ser mais que morno, mais que bonzinho, mais que cumpridor das regras. A audácia é algo que nos torna (os homens) verdadeiramente viris e, no âmbito antrópico, plenamente humanos

Aproveito para um comentário marginal. Em uma campanha política, é preciso audácia também, e o César, candidato a vereador (e amigo meu) está cumprindo com isso. É preciso coragem para enfrentar as adversidades e ousadia para encarar situações novas, ainda mais apenas com o dinheiro de doações de amigos e obedecendo à lei eleitoral (não obedecê-la ajuda muito). Sim, eu forcei a barra só para recomendá-lo como candidato a vereador em Campinas, mas não é só isso, é claro. Audácia tem, e muito, a ver com a sua campanha.

Por fim, voltando, um outro escrito meu que talvez valha a pena a releitura, com a nova visão sobre coragem, ousadia e audácia, ainda mais em tempo de olimpíadas e eleições, é o “Vencer e Perder“. Se tiver um tempinho, dê uma conferida. Obrigado por me ler e até mais!

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Acho um absurdo a Igreja se meter assim nas questões de Estado! Ainda bem que a ciência prevaleceu sobre o obscurantismo, na questão das células-tronco embrionárias, ao contrário do que vimos em muitas ocasiões na história. Não podemos deixar a religião interferir na vida pública!

A oposição à escravidão, verificada no início do primeiro milênio, foi contra a base da economia romana, e contra o progresso material! Quando as luzes vieram, no renascimento, retomamos a escravidão, que nunca devia ter sido encerrada. E pra você ver como os católicos querem se meter na vida de todos, quando os bandeirantes quiseram botar os vagabundos dos índios pra trabalhar de escravos, os jesuítas não deixaram! Já na Idade Média, a regulamentação da tortura, obra de carolas, impediu que se torturasse alguém mais do que uma vez na vida e que se derramasse o seu sangue no processo, impedindo muitas investigações e tirando um poder lícito dos reis. Depois, a catequização dos índios e o combate ao infanticídio e às guerras fratricidas entre eles dizimou valores culturais antiqüíssimos, mostrando quão opressora é essa instituição.

Depois, na sociedade moderna, vemos que a Igreja impôs muitos de seus mandamentos na lei. Por exemplo, a proibição do assassinato acabou com o justo direito dos Estados sobre os seus cidadãos. E quer lei mais opressora que o atentado ao pudor? Por que não pode bacanais em público, como faziam os romanos? E o estupro, mero seguimento da natureza? Só são proibidos por causa da Igreja!

Não é só isso, em muitas outras coisas a Igreja e seus carolas interferiram nas leis até hoje, cometendo diversos impropérios e entraves à civilização! Por que não posso matar meus filhos se nascerem com deficiência? Por causa da Igreja! Pois onde ela não atuou, pode. Por que não posso bater na minha mulher caso ela me desobedeça? Por causa da Igreja! Onde esses reacionários católicos não têm vez, essa ação naturalíssima pode ser feita! Aliás, eu deveria ter o direito de matá-la a pedradas caso me traísse, mas os cristãos acabaram com esse direito!

E a pedofilia? Os gregos eram muito felizes com seus rapazotes, mas depois a Igreja, com seu moralismo, proibiu esse prazer! E os doentes? Que morram! Por que essa instituição tinha que se meter na vida dos saudáveis e inventar os hospitais? E ainda dar aos doentes direito de ser tratados gratuitamente, como pode? E essa história de educação gratuita e universidades? Invenção da Igreja Católica, o Estado não pode fazer isso! Por causa da Igreja, eu não posso arrancar a mão dos ladrões, matar o filho daquele que mata meu filho, eles impuseram uma série de coisas contrárias a tudo isso, que sempre foi feito na humanidade até a Igreja Católica se meter com seus tentáculos opressivos.

Está na hora de darmos um basta a esses que querem colocar seus valores religiosos nas leis. A luta continua!

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Sábado passado foi dia de Santo Expedito. Um problema que tive durante algum tempo na Igreja foi a devoção dos santos. Explico. Aquela coisa de beatas pegarem um santinho e fazer uma “reza milagrosa” não me cheirava bem. Eu não gostava daquilo, de jeito algum. E era só pedir, e depois ir até Aparecida acender uma vela. Não gostava, repito. E, se quer saber, ainda não gosto.

Uma das coisas emblemáticas disso é o “apelido” dos santos: Santo Expedito é o “santo das causas urgentes”. Então, se a sua filha já está ficando velha e ainda não casou, reza pra Santo Expedito! Se a prova é amanhã e você não estudou, reza pra Santo Expedito. E tem o santo casamenteiro, o santo das causas impossíveis, o santo disso, o santo daquilo, e o daquilo outro também. É estranho.

O Padre Euclides, de quem só não puxei mais o saco aqui no blogue que o Julio Lemos, deu uma revolucionada na minha cabeça soberba e botou a devoção aos santos nos trilhos. Os santos são importantes pelo que fizeram: pela marca, pelo sulco que deixaram no mundo; para o Pe. Euclides são importantes pelos seus defeitos e fraquezas.

Hein???

Ah, meu amigo! Vamos por partes. Todos nós temos fraquezas, tentações, vicissitudes. Os santos também tiveram. E a maioria teve muitas quedas, antes e depois da conversão. Estudando como eles lidaram com isso (e nem precisa ser “católico”, basta admirar as virtudes e querer imitá-las), podemos agir semelhantemente.

Não vou citar santo por santo. Há um livro excelente chamado “The saints according to their handwriting” (se você lê italiano, leia o original: il i santi dalla loro scrittura, ou algo assim), do Padre Girolamo Moretti. Já falei dele aqui, é um livro que faz análise (cega) grafológica de escritos de santos, e mostra suas qualidades, defeitos e tendências. Todos os santos foram humanos como nós. É claro que não temos as chagas de Cristo nem delas sai perfume, como São (Padre) Pio de Pietrelcina, mas nem por isso as tentações não o atacavam.

O caso de Santo Expedito, contudo, merece ser citado. Ele era um cara pagão e devasso, como geralmente são os pagãos. Apresentado ao Cristianismo, sentiu-se chamado à conversão. Ele podia deixar pra amanhã, foi o que um corvo falou pra ele: chegou perto dele e começou: “cras”, “cras”, que em latim (ele era soldado romano, latim era sua língua mãe) quer dizer “amanhã”. Ele olhou pro corvo e berrou: “HODIE” (não preciso traduzir, né?).

Por isso ele é o “santo das causas urgentes”. Não só: por se converter, foi chicoteado até as vísceras e depois decapitado. Isso que é martírio. Eu acho de uma mediocridade sem tamanho chegar pra um cara desse e pedir pra ir bem na prova. Mas acho justo e necessário pedir-lhe, por exemplo, inspiração e intercessão pra não deixar pra amanhã as coisas. Foi isso que ele fez, e é nisso que ele pode me inspirar. Posso recorrer a ele para coisas mais medíocres, como recorro a São Bento quando vou entrar em lugares potencialmente perigosos (beco, caminhos escuros, etc.).

Essas coisas me fizeram recobrar a “devoção aos Santos”, mas de uma maneira que considero mais de acordo com “o que Deus quer de nós”. Assim fui compondo o meu “devocionário”. A São José peço dedicação ao trabalho e atenção; a São Bento, que eu cumpra o “ora et labora”; à Virgem Maria, pureza, humildade, obediência; a Santa Bakhita, que eu aceite os sofrimentos que a vida me impõe, a Santo Expedito, que eu vença as tendências de procrastinação e grite “HODIE”. Isso que eles ensinaram com sua vida, com seus momentos de fraqueza e de fortaleza. E é isso o que eu peço em oração para eles. Já disse, é claro que tenho intenções medíocres muitas vezes, mas isso era pra ser exceção, e não regra.

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Um comentário ortogonal: estou em Brasília, e vim para cá de Congonhas na quarta-feira. Entre outros políticos, viajei com Michel Temer, o único cara no mundo que consegue ser de extremo centro.

Por falar em política e em PMDB, o Kassab conseguiu apoio do Ércia, vocês viram (meu tio o chama assim, porque “o resto do nome ele já perdeu faz tempo”)? O Ércia (ou Quércia, se preferirem) é o cara que manda, hoje, no MR-8, que por sua vez publica o fantástico “Hora do Povo“. O jornal soltou um caderno em homenagem ao Stálin ano passado, e quando começou a guerra do Iraque, soltou a seguinte manchete: “Bush invade Iraque contra governo democrático de Saddam”. Maravilha da humanidade.

Essa aliança me deixou muito feliz porque eu poderei ver o HP (e o MR8 ) falando bem do Kassab e do DEM. Essa eu quero ver mesmo, e vou dar muita risada! Mas ainda não foi dessa vez, eles soltaram uma manchete criticando (MUITO levemente, diga-se de passagem) o apoio ao Kassab, preferindo um apoio ao PT. Mas vejam que pérola de jornalismo encontramos no artigo:

“Quércia sempre foi o líder da resistência peemedebista à submissão aos tucanos. Durante os oito anos do desastroso governo de Fernando Henrique, o ex-governador manteve-se na oposição ao neoliberalismo e ao entreguismo, coerente com sua trajetória de identificação com o povo e com as aspirações pelo desenvolvimento nacional (…) Fernando Henrique e Serra saíram do PMDB para fundar o PSDB acusando Quércia, exatamente em virtude de suas qualidades (…): uma política econômica de acordo com os interesses nacionais, a vontade de ver o Brasil como uma grande nação, a promoção do bem-estar do povo e, não menos importante, a competência administrativa”.

Stupendo!

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No Natal eu vou ver o bom velhinho, e por isso comecei a estudar italiano. Se alguém quiser me dar uma força, bater papo em italiano daqui a um mês mais ou menos, quando vou ter uma base para uma conversa de crianças, ou algo assim, eu agradeço. Estou usando um método autodidata, que apesar do título asqueroso, parece muito bom: “O Novo Italiano Sem Esforço”, da editora Assimil (parece que é publicado no Brasil pela E.P.U.). Há outras línguas, todas “O Novo XYZ Sem Esforço”. Já sei, nas três primeiras lições (que tomam apenas dois períodos de 20 minutos a meia hora cada, uma por dia), conjugar o verbo ser/estar e haver/ter, algumas palavras básicas, os elementos constitutivos da pronúncia e algumas palavrinhas chave. (Ademais, o método é tão politicamente incorreto que na lição dois você já aprende a pedir cigarro, isqueiro e assento de fumantes no trem).

Scusi, lei ha una sigaretta?

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Na quinta-feira fui a São Luis, cujo centro achei semelhante à parte antiga e acabada do centro histórico de Santos. É triste, é um lugar caindo aos pedaços. A cidade não tem cara de capital, parece mais caiçara que muita cidade por aí e, apesar da beleza natural e da beleza que ainda resta em algumas construções antigas, é uma cidade deveras “enfeiada”. O Maranhão é o lugar mais politicamente atrasado do país, é o único lugar que ainda tem um dono. Mesmo sendo um estado de 4 senadores (afinal, Sarney é senador pelo Amapá!), se tem algum benefício político é capitalizado apenas para os políticos. Tem um litoral privilegiado para portos, e uma posição logística excelente (muito mais próximo dos EUA e da Europa que Santos ou Tubarão), mas não há vigor na economia local (muito diferente do que vi em Recife, por exemplo, cidade pujante).

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Eu gosto demais das benesses do progresso. Pegar um avião, botar um iPod na orelha, e abrir um livro comprado no aeroporto, ter a garantia que um corticóide te salvará de uma dor que causava suicídios outrora, é excelente. Mesmo que o livro aberto seja Ortodoxia do Chesterton e a música ouvida seja uma missa de Palestrina (minhas opções), isso só demonstra outra coisa ainda mais fantástica dos tempos atuais: você poder escolher “em que época você quer viver”. Um contemporâneo de Bach, por exemplo, apesar de ter acesso a “música popular” melhor, teria menos chance de escutar música mais antiga do que eu, mesmo em uma sala de concerto.

Mas não boto minha fé no progresso. O progresso não é garantido, não é linear, pode-nos levar a melhor ou a pior. Gosto do que ele me trouxe, gosto demais, mas não o coloco em um altar e lhe presto culto, apenas agradeço às gerações passadas e presentes pela genialidade e pelo trabalho.

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Falando em Ortodoxia do Chesterton, comprei o livro meio que “no susto”. Ao passar pela livraria Laselva, no aeroporto de São Luis, olhei a vitrine como sempre olho, para saber quais são os livros de auto-ajuda do momento e vi, em destaque num canto da vitrine lateral, “Ortodoxia”. “Não pode ser o do Chesterton” — pensei — e, ao ver que era (e custava menos de 20 reais), entrei, chamei um atendente — “quero o Ortodoxia do Chesterton” — que ficou meio perdido, mostrei-lhe o livro na vitrine, e ele pegou uma cópia para mim em uma das bancadas da frente. Surpreendeu-me realmente e positivamente ver uma edição brasileira do livro, e não pude me furtar a comprá-lo. Para fugir do meu vício de comprar e botar na estante, comecei a lê-lo quase imediatamente, deixando para trás a leitura que havia começado no aeroporto de São Luis.

Li os prefácios no aeroporto e aqui no avião (onde fiz uma pequena pausa para fazer os meus relatórios de horas e despesas e escrever estas linhas), os dois primeiros capítulos. Já recomendo. O livro está tabelado a R$19,90 — uma pechincha — e você encontra com descontos por aí (para clientes do Mais Cultura está a 17,91), a edição é bacaninha e a leitura é leve mas profunda. Assim que cessar a turbulência voltarei para ele (ou para a carta Encíclica Spe Salvi, de Bento XVI — o livro que comecei a ler em São Luis –, que também recomendo e pode ser baixada gratuitamente do site do Vaticano ou comprada a preços módicos em livrarias, em edição conjunta da Paulus e da Loyola), pois estou instigado com sua entrada no tema com a questão da loucura e da razão.

Chesterton diz, com maestria, que o louco, o lunático, não é aquele que perdeu a razão, mas aquele que perdeu tudo menos a razão. E diz que só pode apreciar a loucura aqueles que são sensatos. Para o abilolado, a loucura é absolutamente normal, e ele não vê naquilo graça alguma. Por isso os poetas estão distantes da loucura: ao abrir mão dos excessos de razão, imaginam, e imaginando fogem do que é normal, correm muito menos risco de serem loucos. Não dá para concentrar 20 páginas de um mestre em metade de um parágrafo de um pedante um pouquinho culto da Tatâmbia como eu, vá lá e leia. Se não quiser gastar, deve haver e-books legais por aí — a obra é centenária, e é por essa comemoração que foi publicada no Brasil.

É isso aí, vou tentar escrever com mais freqüência (agora principalmente que parei de passar mal em aviões, há um tempo bom a ser aproveitado aí) de novo! Obrigado por me ler e até mais!

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Algumas pessoas mais novas do que eu não chegaram a brincar de “Polícia e Ladrão”, mas a brincadeira é bastante simples. Um grupo é “a polícia” e outro grupo “o ladrão”. O objetivo da polícia é pegar o ladrão e do ladrão fugir da polícia. É mais uma variação do “pega-pega” e do “esconde-esconde”. Uma brincadeira à moda antiga em que o objetivo é correr pela escola, pelo parque, e ter uma desculpa para isso, um subterfúgio, um pano de fundo racional, de uma racionalidade infantil, é claro! Há algumas variações, com revólveres de dedo et cetera.

Brincar de polícia e ladrão além de ser saudável (é um exercício físico, coisa cada vez mais rara entre os infantes) ajuda a consolidar alguns valores: de que é dever da polícia pegar o ladrão, e que o ladrão vai querer fugir da polícia se não quiser ser preso. Ensina justiça e tolerância: a verdadeira, que consiste em ver o outro lado, não defendê-lo sabendo do seu erro. Eu rezo para que nenhum juiz resolva proibir a brincadeira de “polícia e ladrão” (como proibiram as armas de plástico, o que é, pelo menos, compreensível).

Apesar de imaginar o contrário, talvez alguém que me leia nunca tenha jogado “Counter Strike”. Este jogo, que roda em cima de outro jogo (o Half-Life) consiste em uma coisa muito simples: formam-se duas equipes: terroristas e contra-terroristas. O objetivo dos terroristas é ou explodir uma bomba, ou manter reféns, ou outros que eu não lembro. O objetivo dos contra-terroristas é impedir que a bomba seja “plantada” ou desarmá-la, resgatar os reféns mantidos pelos terroristas, et cetera. As caras são diferentes, os gestos são diferentes e até as armas são diferentes. Quem joga como terrorista agora pode jogar como contra-terrorista na próxima. É um polícia e ladrão do século XXI, no computador. Dizer que isso incentiva “táticas de guerrilha” é o mesmo que dizer que “polícia e ladrão” incentiva a insubordinação, ou mesmo o roubo. Chamar o jogo de violento é fechar aos olhos ao que passa no cinema, não estamos mais na década de 30, oras! Especular que o jogo gera empatia pelos terroristas é o mesmo que banir “O Poderoso Chefão” por gerar empatia aos mafiosos (eu até achei Vito Corleone bacana) ou “Meu nome é Johny” aos traficantes “playboys”. Assim sendo, deveríamos banir metade do cinema e da literatura nacional, que faz apologia do banditismo às claras.

Mas isso é besteira minha. O meritíssimo Carlos Alberto Simões de Tomaz decreta o banimento a um jogo inofensivo porque induz à subversão da ordem social. Por que não proíbem as apologias da maconha em músicas? Aposto o meu órgão sexual que muito mais gente subverteu a ordem social por causa de “Planet Hemp”, “Gabriel, o pensador(sic)”, “Skank” e “O Rappa” do que por Counter Strike, geralmente jogado por nerds babões (como eu) que sofrem para matar uma barata. Mas não, pregar que se fume e venda uma substância ilícita, pode. (Agora, cantar “eu bebo sim, e estou vivendo” é politicamente incorreto, fumar cigarro de tabaco, pior ainda, defendê-lo então, logo dará cadeia).

“Sr. juiz! Pare agora!!!”. Presta atenção no que faz mal à sociedade!!! Dos garotos que entram no tráfico todo dia, aposto que nenhum jogou Counter Strike. Há gente matando, trucidando, abortando, viciando, e suas meritíssimas não fazem nada. Agora fazem perder tempo de agentes de justiça com uma medida que só fará tirar uma diversão de jovens sedentários. Fora da lan house, de repente eles encontram um “bagulhinho bom” ou uma “bala da boa”. A culpa será sua. Ademais, se sua meritíssima sempre perdia quando brincava de polícia e ladrão, a minha diversão eletrônica não tem nada a ver com isso. Vá enxugar gelo, perde só o seu tempo.

Post-scriptum:

1) Alguns dizem que o motivo para a proibição do jogo é um cenário no Rio de Janeiro, no qual os terroristas (traficantes) seqüestraram agentes da ONU e os contra-terroristas (policiais, mas ia ser bacana fazer uma roupa de BOPE pra eles) têm que resgatá-los e são recebidos a bala. Já joguei, e é muito bem feito, toca samba de maconheiro e funk de criminoso no fundo. Se isso é motivo para proibir, vamos proibir o Jornal Nacional!

2) Meu amigo Leonardo Lopes, o tio Leo, matou a charada: “Essa é a vantagem de ser juiz… você nao quer ver seu filho jogando CS (Counter Strike), proíbe que o país inteiro jogue…”

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O ano começa com uma guerra entre as Satanistas pelo Dever de Matar (SDM ou SaDô-M), que se auto-intitulam “Católicas pelo Direito de Decidir (CDD)” e a Verdadeira Igreja. Basicamente, através de um contato na produtora, elas conseguiram colocar um depoimento no vídeo da Campanha da Fraternidade da CNBB deste ano, cujo tema é justamente a defesa da vida (tendo o anti-abortismo como pauta principal). A CNBB mandou cortar sua participação depois de receber reclamações de Fiéis (com F maiúsculo), retirar todos os vídeos e relançar o DVD limpo. Mas parece que o vídeo, mesmo sem as SDM, não é lá muito bom… Obra da irmã gêmea má da CNBB: CNBdoB (crédito da piada a Wagner Luís, do blogue “O Possível e o Extraordinário“). Parece que este artigo resume bem a situação (linque: http://portal.rpc.com.br/gazetadopovo/impressa/brasil/conteudo.phtml?tl=1&id=729031&tit=DVD-traz-criticas-a-Igreja-Catolica-e-defesa-ao-aborto).

O supra citado “O Possível e o Extaordinário” e o site do pró-vida de Anápolis estão com uma documentação muito boa a respeito do tema.

O que me interessa aqui, e me motiva a publicar este post, é indicar textos que já saíram pressionando a CNBB, e a Sociedade do Verbo Divino para que tomem providências enérgicas e imediatas e manifestos de grupos católicos sobre o tema. O que segue pode receber novos linques nos próximos dias, então fique atento.

Manifesto da Sociedade Católica:

http://www.sociedadecatolica.com.br/modules/smartsection/item.php?itemid=77

Carta de Pedroso, Moura e Murat aos Verbitas:

http://blog.veritatis.com.br/2008/01/carta-aberta-aos-verbitas.html

Carta do “Veritatis Splendor” à CNBB:

http://www.veritatis.com.br/article/4707 

Mais por vir…

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