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Archive for dezembro \28\UTC 2005

Tomemos a música popular. As modas de viola falam de amor, amizade, companheirismo, o trabalho cotidiano de boiadeiro. O samba outrora falava da situação social, de amores, de reflexões sobre certos sentimentos. A bossa nova fala de romances, paixões, mulheres, canções. O axé é um "manual de instruções" de como dançá-lo. O funk carioca, hoje, fala de pornografia, talvez seja melhor chamar de pornofonia.

E depois dizemos que estamos nos civilizando. Melhor seria, como Gilberto Freyre, dizermos que estamos nos sifilizando.

***

Alguns escritores fazem descrições físicas tão bem feitas que podemos imaginar suas cenas com quase perfeição, como se as víssemos perante nós. São raros, mas há um punhado por aí, aparecem esporadicamente e, se procurarmos bem, encontramos.

Mas Machado de Assis vai além, e muito. Ele descreve sentimentos de forma tão perfeita que chegamos a sentí-los. Não é uma empatia (ou simpatia, como deveria ser pela etimologia). Empatia temos com certos personagens, como tive por um de Graciliano e outro de algum outro autor. Essa empatia nos faz simpatizar com suas emoções, e sentirmos, junto com o personagem, cada paixão (de pathos) descrita.

Não, Machado não é assim, não é necessário simpatizar, os sentimentos são descritos de tal forma que nos tomam junto, fazendo da leitura uma experiência muito maior. E não pára por aí, a descrição caracterológica é tão minuciosa, que parece impossível a gênese daquelas criaturas fictícias tão reais. Se tudo isso não bastasse, Machado cava nas profundezas do sentimento humano, dando nome ao inominável, descrevendo coisas que algum dia sentimos e nunca pensamos ser capazes de explicar, quanto mais descrever.

Precisava dizer tudo isso a seu respeito. E faltou muito para falar de sua grandeza, mas eu não sou Machado de Assis para fazê-lo.

Obrigado por me ler, e até mais!

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Feliz Natal

"[Deus] ama a todos, porque todos são criaturas suas. Mas, algumas pessoas têm a sua alma fechada; o seu amor não encontra qualquer acesso a eles. Pensam que não têm necessidade de Deus; não O querem. Outros, que moralmente talvez sejam igualmente miseráveis e pecadores, pelo menos sofrem com isso. Estes esperam Deus. Sabem que têm necessidade da sua bondade, embora não tenham uma ideia precisa dela. No seu íntimo, aberto à expectativa, a luz de Deus pode entrar, e com ela a sua paz.". Homilia de Natal de Bento XVI, grifo meu ( Leia-a no Zenit ).

Está aí expressa a idéia do arrependimento, e o porquê de, mesmo pecadores, podermos alcançar a Salvação. Feliz Natal.

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Google Zeitgeist

Não conhecia, mas é bem interessante para quem quer saber de estatísticas de buscas. Conheci-o no blog do Google em sua retrospectiva 2005. O site do zeitgeist é http://www.google.com/press/zeitgeist2005/

Obrigado por me ler e bom divertimento!

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Ilha das Flores, a Inteligência e o Materialismo

Ontem ou anteontem li um artigo do Otto questionando a questão da inteligência humana como superior às demais. Baseado nisso, fiz algumas reflexões que, o contrariando, levaram-me a algumas conclusões que exponho aqui. Por isso, obrigado Otto pelo enlightenment.

Ilha das Flores é um curta-metragem que professores de história gostam de mostrar para seus aluninhos para começar a doutrinação materialista. O filme começa assim:

"Esta é uma obra de ficção. Existe um lugar chamado Ilha das Flores. Deus não existe.".

Em seguida, dá algumas definições: por exemplo, define o homem como um animal que tem telencéfalo altamente desenvolvido e polegar opositor. Também define o porco como um animal que não tem um telencéfalo altamente desenvolvido e nem sequer um polegar.

Bom, a historinha é a seguinte: há uma mulher que compra tomates no supermercado, vê um que está podre e joga fora. Esse tomate é levado à Ilha das Flores. Lá há um dono de porcos, cujos funcionários podem entrar no lixo e selecionar alguns alimentos para dar àqueles animais. Depois que é retirada a comida dos porcos, é permitido que um grupo de pessoas (mulheres e crianças) entrem no lixo para buscar alimentos, solução realmente degradante.

A conclusão induzida é óbvia: "a culpa é do capitalismo selvagem". Isso já era esperado. Mas há uma pequena coisa a se notar: o que nos faz ficar chocados? Por que nos choca que aquelas famílias sejam colocadas na fila depois dos porcos? Por que nos indignamos? Será que é porque aqueles animais (as pessoas, não os porcos) têm telencéfalo altamente desenvolvido e polegar opositor?

É claro que não. Então há algo mais no homem que não o polegar opositor e o telencéfalo. Se víssemos macacos depois dos porcos na fila, não nos chocaríamos, mesmo os últimos tendo um telencéfalo razoavelmente desenvolvido e, pelo menos, um polegar. E também, o que coloca o telencéfalo desenvolvido e o polegar opositor acima de um focinho e cascos nas patas? E se fossem ETs com telencéfalo mais desenvolvido ainda e 3 polegares opositores em cada mão, será que isso nos geraria indignação?

A impressão que o filme quer nos causar então depende que descartemos uma de suas premissas mais importantes: o materialismo. Para nos sensibilizarmos com os humanos que comem lixo, precisamos ter um entendimento do "humano" superior ao entendimento materialista. Na cultura judaico-cristã isso se chama "imagem e semelhança de Deus", o que contraria também o pequeno corolário colocado no início do filme "Deus não existe".

O filme, portanto, faz uso de algo que ele pretende contrariar: a transcendência. O que sensibiliza o humano com o outro humano é que no outro há também a imagem e semelhança de Deus. O materialismo estrito não diferencia um animal de outro, então que se faça como o maluco do Peter Singer: defenda-se o "direito humano dos animais", em que todos os animais têm o mesmo direito, e aí, tanto faz se são os porcos ou os seres humanos que comem primeiro. Se vamos considerar os humanos superiores, temos um porquê, e ninguém vai me conseguir convencer que o fazemos porque temos telencéfalo altamente desenvolvido e polegar opositor.

Muito obrigado pela leitura, até mais, e que você tenha um Natal na companhia dO Aniversariante.

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Tá bom, eu falo alguma coisa agora.

Adeus Lênin é um drama, com humor bem-medido, mas é muito mais que isso. Talvez possa chamar de "mitologia política". Cada personagem representa, em sua atuação, uma força política diversa daquela que faz parte na interpretação superficial.

As três personagens principais são Alex, Christianne e Lara. Coadjuvantes são Rainer e a irmã de Alex (cujo nome não lembro agora). Se você ainda não viu o filme, você ainda tem um tempo para assistir, já que eu não vou escrever o review agora, e terão muitos spoilers nele. Agora já há alguns.

Na interpretação superficial, Alex é o rapaz que luta contra a opressão do sistema socialista, Lara é uma moça com ideais semelhantes e Christianne é a senhora conivente (e até contribuinte) com o socialismo. O significado de suas atitudes é outra: Alex representa o socialismo, Lara representa o capitalismo (mais especificamente, a inexorável queda do muro de Berlim) e Christianne representa a população, o elemento passivo. Alex e Lara, homem e mulher, montam o choque de opostos ativos.

Eu não vou explicar agora, tomaria muito tempo, mas eu vou dar um plano do que vou fazer depois: 1) vou resumir o filme superficialmente; 2) vou contar detalhes que acho relevantes; 3) vou explicar cada uma das simbologias que percebi. 4) tirarei minhas conclusões.

Mas, assista ao filme (de novo, se necessário) e tome um cuidado: o filme é sutil. Detalhes fazem toda a diferença e se não prestarmos atenção a diversos detalhes (há várias cenas que preciso assistir novamente) podemos fazer interpretações opostas. Então é isso, depois continuo.

Obrigado por me ler, feliz Natal e até mais!

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EU VOU ESCREVER UM REVIEW DE ADEUS LÊNIN ANTES DE COMPLETAR 23 ANOS!!!

(Se o Rafael não escrever como eu pedi, eu já o fiz).

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Uma homenagem frugal

Coloque-a na sua lista de presentes de natal para mim 🙂

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