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Archive for abril \20\UTC 2009

Lendo o Novo Testamento, reparei que quase todas as curas de paralíticos e ressurreições são seguidas de trabalho por parte do beneficiado. A sogra de Pedro foi ressuscitada e passou a servir os apóstolos. O mesmo Pedro mandou Enéias “arrumar-se” depois de curar-lhe a paralisia das pernas.

Não adianta nada, e nisso os ateus estão certos, ficar pedindo milagres em vez de trabalhar para alcançar o que se quer. Os dons do Sabedoria (como Salomão chamava a terceira pessoa) são gratuitos, mas ela quer que façamos jus a eles. Para que fazer-nos andar se for para ficar parados? Para que nos ressuscitar se é para não servir aos outros? Para que nos dar inteligência se não para usá-la para o bem? (não esse “sou do bem” descolado de hoje em dia, que até o Suplicy consegue ser, mas aquele bem que os gregos identificavam com a verdade e a beleza)

Para solucionar o natural, não receberemos milagres não. Quererá Deus que usemos todos os milagres que já recebemos: a vida, a saúde, a força, a inteligência. Tudo isso são milagres. E, quando sobrevierem necessidades sobrenaturais, o milagre terá que ser retribuído de nossa parte, se não de nada adiantará.

E Deus, ao contrário de nós, não perde tempo.

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Tanti auguri, Benedetto!

Um brinde do Papa

Um brinde do Papa

Não esquecerei da cerveja alemã e das orações!

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Conservar algo é quase tão difícil quanto conquistá-lo. Vejamos os campeonatos de boxe. O lutador conquista o cinturão e outros tentarão tomá-lo dele. Terá que continuar a vencer as lutas para mantê-lo consigo. Ou peguemos Arnold Schwarzenegger. Esses dias apareceu uma foto do governator na praia, sem camisa, cheio de pelancas. Ele que já foi Mr. Universo. Obviamente ele não continua a fazer musculação no ofício de governador. Ou o estudo de línguas. Se não praticamos uma língua dela esquecemo-nos. Quando terminar o estudo de italiano, se partir para o de francês igorando-o, em breve esquecê-lo-ei.

Qualquer atividade que empreendemos, devemos pensar na aquisição e na conservação. Tem aquela estatística dos regimes: depois que as pessoas emagrecem, a maioria volta a engordar. Porque se esquecem que devem conservar depois.

No fim, o esforço de aquisição foi só perda de tempo. É claro que há aquelas atividades, como andar de bicicleta que se diz que não se desaprendem. Há de se estudar as peculiaridades e as diferenças, e entender a natureza das aquisições para, assim, poder conservá-las adequadamente.

***

O tempo seria inútil não existisse a morte. A morte é ontologicamente anterior ao tempo. Só há tempo porque há morte. Ou há morte e tempo, ou nem tempo e nem morte. Por isso existe a vida finita e a eternidade.

A morte, já o disse, é a guia da vida. Só porque morremos é que temos afinco. Se tivéssemos «tempo infinito», poderíamos fazer tudo com calma. Os ateus são mais trabalhadores e dedicados que os reencarnacionistas. Os agnósticos adquirem mais virtudes que o povo da «sola fide». Os reencarnacionistas acreditam ou em vidas sucessivas até atingir uma «iluminação» ou algo parecido, ou em um número finito e maior que um de vidas após o qual virá o juízo. Os ateus e agnósticos acreditam que morrerão, e quando morrer passarão a ser húmus, que é uma espécie de cocó. Então ou hão de «praticar a sexualidade» num carpe diem rasteiríssimo, ou deixar «um mundo melhor para seus filhos», por nutrir-lhes um amor gratuito, que não sabem de onde vem, mas decerto o sentem.

Partamos da idéia de Leibniz, de que a realidade não poderia ser melhor do que é. Mais de uma vida é inútil, porque uma e três vidas são igualmente insignificantes em relação à eternidade. Assim como o limite de 1/n e 3/n quando n tende a infinito é igualmente zero. Ademais, o que é melhor, ter uma vida de 60 anos ou três de 20? Sendo que na de 60 anos você vai acumulando sabedoria em vez de voltar duas vezes à «tábua rasa»? Poderá responder o contendor que três vidas de 60 anos permitiriam mais progressos que uma única de 60. Mas Deus, destarte, nos daria 180 anos, volte ao Leibniz lá.

Vamos à outra hipótese: Deus nos daria tantas vidas quanto precisássemos para cumprir uma determinada «missão». Ora, seria melhor cumprir a dita missão rapidamente do que demoradamente, mas a escolha divina não seria pedagógica. Ao nos dar «tempo infinito», não nos daria incentivo algum. Se o tempo não for infinito, voltamos ao caso do parágrafo anterior, igualmente irracional. Ainda poder-se-ia argumentar que alcançaríamos a felicidade plena tão logo cumpríssemos o dever, então isso seria incentivo para cumpri-lo logo. Quanto a isso podemos dizer: um dever no mundo está sujeito às restrições do mundo. Então seria um dever determinado no tempo. Se voltamos depois, teríamos outro dever, e Deus não pode mudar de idéia, não é mesmo?

Só a hipótese da vida única faz sentido lógico e real. Só a hipótese da eternidade faz sentido teleológico.

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Thomas Alva Edison cunhou a famosa frase de que a genialidade é 99% perspiração (existe em português, embora prefiramos “suor”) e 1% inspiração. É claro que é um chiste, mas é assaz verdadeiro.

Se ficamos esperando um lampejo divino, um toque da Providência, uma luz se acendendo repentinamente para cumprirmos um trabalho criativo, nada ocorrerá. A luz não virá, as trevas permanecerão, nada será feito. Se trabalhamos meio sem rumo, mas com algum objetivo, ainda que fosco, o “mal-contato” vai se desfazendo, a luz surge aos poucos e conseguimos. Nem sempre com genialidade, mas conseguimos “resolver” o que queríamos, ainda que mediocremente.

Quando nos deparamos com um problema de solução criativa, devemos usar a técnica do Chuck Norris: encará-lo até que ele nos dê a resposta. Não precisa ser ininterrupto. Após encará-lo um pouco (afinal, não somos o Chuck Norris, o problema não vai tremer de medo de nós), podemos nos prender em outra atividade contanto que voltemos depois ao problema. Sim, computeiros, nosso cérebro trabalha em background.

Algumas vezes vim ao blogue para postar sem ter muita idéia do quê. Ainda mais agora que me impus a postagem toda segunda-feira (e ontem falhou, vejam só!).  E, trabalhando em cima do post que vinham as idéias, as “sacadas”, o fluxo dos argumentos. Comecei os 99% enquanto esperava o 1%. Às vezes o 1% não vinha, mas é melhor um post sem inspiração que nenhum post.

Aliás, essa é outra regra para ajudar: pouco é melhor do que nada. Corolário interessante: chegar atrasado é melhor do que não ir. É claro que não dá para levar a ferro e fogo isso. Para escrever um post que não vai interessar a ninguém, melhor não escrever, claro. Assim como chegar no vestibular atrasado e dar com o nariz no portão é tão ruim como sequer ir.  Mas entre escrever algo que seja de interesse de alguns poucos e não escrever nada, é claro que devo optar pela primeira alternativa.

Falta de inspiração não é desculpa para não fazer um trabalho criativo. Comece o trabalho, mesmo com rendimento baixo, fazendo as bordas, aquilo que não precisa de inspiração (e é 99% do trabalho, lembre-se!). Aos poucos você pode ser brindado com o 1% restante.

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