Feeds:
Posts
Comentários

Archive for outubro \29\UTC 2006

Alckmin tem chance?

Ontem saíram duas pesquisas, Datafolha e Ibope, as duas péssimas para Alckmin. A diferença de Lula para Alckmin é de 22 pontos. Contudo, no primeiro turno Alckmin estava 10 pontos acima do que indicavam as pesquisas.

O segredo disso está num artigo de César Maia, comentando que deve-se cortar as menores faixas de renda, pois o voto nulo e a abstenção são muito maiores nessas faixas. Então, eu peguei o DataFolha de ontem e fiz a análise por César Maia sugerida.

A situação ficou assim: considerando todas as faixas de renda, o resultado é (como esperado) 61 a 39 para o Lula, conforme mostrado no Jornal Nacional ontem (na verdade eles arredondaram de uma maneira estranha, de forma que ficou 62 a 38). Retirando a faixa de renda mais baixa (até 2 salários mínimos), a situação fica 55% a 45% para o Lula. A margem de erro é de 2 pontos percentuais, como na pesquisa. Ou seja, a melhor situação para o Alckmin é de 47% a 53%.

Desta forma, as chances do Alckmin são minúsculas. Estatísticamente, são menores que 0,2% (já que o Datafolha está com uma confiabilidade de 99,8%, dado o tamanho gigantesco da amostra). Mas, estando no limite da margem de erro, ele precisaria que apenas 3% do eleitorado mudasse de idéia. É muito difícil, mas é possível.

Que São Judas Tadeu, o das causas impossíveis, nos abençoe. Amém.

Anúncios

Read Full Post »

É a Política, Estúpido!

Nos EUA, em 2004, George Bush vinha sendo destruído pela mídia “liberal” (como eles a chamam por lá), a guerra do Iraque não era tão popular, e parecia que ele ia perder. O que ele fez? Trouxe à tona o debate ideológico, no qual mostrou firmeza de posições. É contra o aborto e o casamento gay, defende a família tradicional e os valores conservadores americanos. Kerry, ao contrário, sempre tateou. Não podia se dizer favorável ao aborto, pois seria excomungado (diz-se católico), mas não poderia ser contrário, pois desagradaria o eleitorado democrata, que poderia migrar para um candidato “independente”.

No Brasil, Lula percebeu isso e Geraldo não. Lula está cômodo entre os bolsa-miseráveis. Sacou que, para ganhar no segundo turno ia ter que apelar para a ideologia. O jornalismo brasileiro preparou todo mundo para ser simpático à ideologia petista. É só o Lula falar a coisa certa, que os votos mudam. Vimos isso no Datafolha divulgado ontem. Lula partiu para o discurso ideológico e ampliou para 20% a vantagem sobre Geraldo Alckmin.

Por isso que Lula se manteve estável entre os bolsa-miseráveis, entre os que “não lêem manchete de jornal”, e subiu entre os que lêem. O diabo é esperto. Faz-se de político “pão e circo” como estratégia. Lula cresceu mais: na classe média, no Sul, Sudeste e Centro Oeste, redutos de Alckmin. Só não o ultrapassou no Sul, mas a vantagem é agora ínfima (já foi de 25% para Geraldo).

Se Geraldo quiser vencer, terá que apelar para a política. Terá que acusar Lula dos desmandos, do autoritarismo, do regime autoritário para qual caminha o Brasil e a qual o Lula é tão simpático. Se Geraldo quiser vencer, vai ter que dividir o Brasil, escolher um nicho eleitoral, como acontece em qualquer país do mundo.

Enquanto ele for um “Lula mais limpinho”, Lula terá, a seu favor, o comodismo de quem já está lá, a máquina estatal e a militância petista. Geraldo precisa definir o nicho eleitoral. Ele tem que voltar a falar para a classe média, voltar a falar para o Sul – Sudeste – Centro-oeste. Defender firmemente o agronegócio. Descer a lenha no MST, MTST e assemelhados. Defender o produtor rural do Sul-Sudeste. Defender o empresário, defender a classe média.

Se Alckmin não apelar para a ideologia, não vai ter o que o faça ganhar. Ele só faz é dar pano para a manga do “não troque o certo pelo duvidoso”. Entre dois petistas, Lula e ele, fica-se com o Lula, que é certo que é petista mesmo. Foi o que os americanos fizeram em 2004. Ficaram com o conservador “certo”, e não com o “duvidoso”.

Mais, se a campanha do NÃO (no referendo de 2005) tivesse feito um “olha só, não queremos que ninguém tenha arma, só queremos que não proibam a venda”, o SIM ganharia, sem dúvida. O que fez o NÃO ganhar foi a firmeza com que a posição era defendida. Afif só chegou tão perto de Suplicy (que pena que não há segundo turno para senador!) porque defendeu o programa liberal, enquanto Suplicy ficou no “eu sou do bem”, história que definitivamente não cola com o Lula.

Alckmin, se quiser ganhar, vai ter que rachar o país mesmo. Só tem que tomar o cuidado de ficar com a maior metade. Vai ter que ser diferente de Lula. Vai ter que recuperar os votos que tinha e perdeu pro Lula. E ele só faz isso, se desconstruir a imagem desconstruída que o PT fez dele, afirmando-a, defendendo a ideologia de quem mais o apóia. Se perder, será como o Afif, por 5%. Não por 20% (ou mais, lembremos que a tendência é Lula continuar crescendo nos próximos 10 dias), como tudo indica.

Obrigado por me ler, até mais, e comecemos a procurar sair deste país o mais rápido possível!

Read Full Post »

Lula vai ganhar

Tenho raríssimas dúvidas de que Lula vai ganhar. Acabou de sair uma pesquisa Datafolha: 56 a 44 para Lula. Antes era 54 a 46. Geralmente os debates repetem a preferência do eleitorado. Contudo, no debate, consideram que Geraldo venceu 43, contra 41 que consideram que foi Lula a vencer. Se Geraldo foi melhor, por que ele caiu?

O Datafolha informa mais: Alckmin caiu mais exatamente onde é mais forte: no Sul, nos de maior renda e nos mais escolarizados. Quem são essas pessoas? São as que lêem jornal.

No primeiro turno, quando a vitória precoce de Lula parecia inexorável, a mídia foi justa na cobertura dos escândalos. Não queriam parecer não ver nada como o presidente candidato. Estavam preparados para mudar o tom para o das festividades assim que terminasse o primeiro turno. Lula não ganhou, e então acordaram para o fato de que a vitória não estava tão na mão.

Dessa forma, no segundo turno não tem chance para o equilíbrio. Todas as formas de mídia (excedendo, é claro, o Blog do Reinaldo Azevedo ) que presenciei fizeram mais críticas à postura do tucano que à do Lula. Geraldo foi agressivo, não discutiu programa, entre outras coisas. Deu-se mais cobertura aos comentários de Marta Suplicy, Tarso Genro e outros petistas. No resumo da CBN, Lula sempre tinha a última palavra.

A mídia, infestada de petistas, não vai deixar Lula perder. Tínhamos apenas uma ilusão de que ela servia à democracia no primeiro turno. A Veja, fazendo uma reportagem óbvia sobre Alckmin (afinal, contra todas as expectativas, ele veio para o segundo turno), recebeu notificação para retirar seus outdoors de propaganda da edição pois possuem a foto do candidato. Todos os oturos meios de comunicação podem fazer propaganda para o Lula à vontade, contudo.

Alckmin não ganharia no Norte/Nordeste. Não ganharia entre os clientes do bolsa-miséria. O PT está com a tática do terrorismo eleitoral: Alckmin vai cortar o bolsa-família, vai cortar os programas sociais, etc. Restava à ele a esperança de aumentar o seu share no Sul-Sudeste-Centro-oeste. Restava a esperança de ter os votos de Aécio, Serra e Hartung. Mas a mídia formadora dessa opinião está fazendo campanha para Lula: dão eco à mentira deslavada petista de que Alckmin vai privatizar tudo, e não o mostram desmascarando Lula no debate exatamente sobre esse tema; mostram 20 petistas falando que Geraldo foi agressivo e não foi propositivo, e apenas um tucano falando que Lula foi desconexo e estava despreparado; no meio disso tudo, colocam um artigo “neutro” dizendo ou que houve empate (nos melhores casos), ou achincalhando o Geraldo.

Lula vai ganhar. Nos recantos eleitorais de Alckmin, a mídia está fazendo o seu trabalho direitinho. E não há nada que indique que elas vão deixar de fazê-lo. O Datafolha está aí, mostrando que a repercussão do debate já está dando resultado. Se os fatos desmentem as matérias, danem-se os fatos. Pouca gente viu o debate. Mais gente recebeu as repercussões. É isso que interessa! O que importa é Lula-lá.

Obrigado por me ler e até mais!

Read Full Post »