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Archive for julho \25\UTC 2007



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Originally uploaded by Luís Guilherme

Em tempos de Pan, é interessante refletir sobre a vitória e a derrota. Ontem, participei de uma competição no TopCoder na qual tive um rendimento pífio. Contudo, após a competição, descobri meus erros, aprendi como solucioná-los, e provavelmente não os cometerei novamente.

A derrota é assim. É dura, mas de uma dureza que ensina. Ela nos dói, e para evitarmos essa dor no futuro, tentamos tirar o máximo de proveito dela.

A vitória, contudo, nada nos ensina. Ela nos traz felicidade, êxtase, às vezes até bens materiais (na foto são os cinco primeiros de uma competição do Google, o Google Code Jam Latin America. Eles foram premiados com mais de US$1000.00. Eu ganhei US$175.00 e um iPod, o que já é excelente), mas não saímos melhores dela. Quando temos alguma conquista é por causa do que já tínhamos.

Ainda assim, a derrota não teria utilidade sem a vitória. O que nos faz correr atrás depois de uma derrota é a vontade de se superar e vencer na próxima. Vitória e derrota, embora eminentemente humanas, não são nossas invenções, elas existem essencialmente nas leis do mundo. O fato de uma sustentar a outra é mais uma prova de que as leis eternas são perfeitas.

***

É claro que assistir a uma olimpíada de matemática, de física, um campeonato de xadrez pode não ser tão emocionante como uma partida de futebol. Mas imagino que haja abordagens possíveis, como a ESPN já faz com o Poker, com muito sucesso.

Temos uma idéia reinante de que devemos oferecer esporte aos carentes. Ora, isso é excelente, mas será que um carente não pode se tornar um grande físico, matemático, enxadrista, algoritmista? Será que devemos restringir seu futuro ao de jogador de futebol e, caso não logre sucesso nessa empreitada, ao de pedreiro?

Grandes mentes vieram de situações difíceis. Steve Jobs, gênio do design e da inovação tecnológica, juntava garrafas retornáveis para sobreviver, e andava 15km por semana para ter uma refeição decente com os Hare Kr.s.na. Talvez não saiba arremessar uma bola.

“Novos Pelés” são importantes, é claro. Mas não podemos esquecer dos “Novos Kasparovs”. Cuba investe no esporte, mas não produz nada para o mundo além de excelentes esportistas e revolucionários que destróem vidas. Vai ser difícil encontrar um esporte pujante na Hungria ou na Polônia mas, muito da ciência mundial vem desses países. Também podemos ser equilibrados como os EUA, onde esporte e Universidade andam juntos (modelo muito criticado entre os “bem-pensantes” europeus, mas que funciona), e que tem aporte financeiro para importar as melhores cabeças do mundo.

O que nos cabe é escolher nosso futuro: o prazer da vitória, ou a serenidade da derrota diária que nos engrandece com o tempo.

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Nunca antes neste país, vítimas de um acidente foram tão desrespeitadas. A preocupação do governo é uma única: se livrar da responsabilidade do acidente (http://www1.folha.uol.com.br/folha/brasil/ult96u313166.shtml). Não bastasse isso, Marco Aurélio Garcia, braço direito de Lula, e seu assessor (com cara de estudante de jornalismo da USP, desculpem os que realmente forem, mas o estereótipo é irresistível) comemoram uma notícia que talvez os beneficiasse na mais importante empreitada. Veja o vídeo abaixo:

Por mais que um reversor não estivesse funcionando, o avião não teria problemas em pousar, como já pousara outras vezes antes do acidente. O mínimo que esperávamos dos governantes era sobriedade. O mínimo. Mas, para eles, nós somos números durante quase quatro anos e eleitores perto das votações. Como disse o Reinaldo Azevedo em um hai-kai negro:

É isto!

Pega um avião.

Relaxa e morre.

Será que alguém no governo ainda respeita pelo menos a nossa vida?

***

A crise aérea é, principalmente, culpa dos governos federais. Mas a responsabilidade não é só deles, hei de fazer justiça. Em São Paulo, Congonhas seria tão movimentado se houvesse um trem de alta velocidade para Viracopos ou um metrô para Guarulhos?

Isso é uma coisa que tem que ser cobrada, é fato, mas não explica o acidente. O acidente se deve, muito provavelmente, à situação de Congonhas, conhecida pelos pilotos como “Holiday on Ice”, graças ao fato de ser extremamente escorregadia. A pista não estava em condições para chuva forte, e a INFRAERO deveria tê-la fechado naquela situação. Se isso fosse feito, 200 pessoas não morreriam, e isso é inegável.

Alguns defensores de Lula não conseguem enxergar isso, que é óbvio. A tragédia pode ter várias causas, mas se a pista fosse fechada em tempo de chuva, já que o grooving ainda não tinha sido efetuado, aquelas pessoas estariam vivas, famílias não teriam sido destruídas, o sofrimento não teria tomado conta do país. E mais, depois desse desrespeito inegável, os blogues de Mino Carta e Paulo Henrique Amorim estão quietos. O primeiro está tentando culpar a atual prefeitura de São Paulo pelo posto de gasolina que está próximo à cabeceira da pista há mais de 20 anos. O segundo está defendendo Lula como pode, sem dar a mínima para as vítimas, passadas, presentes e futuras.

A tristeza deveria diminuir com o tempo, mas há gente que só a faz aumentar…

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Luto Estou de luto. Por duzentas pessoas que jamais vi. Estou enervado, como raro estive. Eu aceitei o mensalão, aceitei o mensalinho. Aceitei pontes que ligavam nada a lugar nenhum e bois alagoanos com preço exorbitante. Não posso aceitar o que acontece. Há menos de 10 meses, 175 pessoas morreram. Hoje, as estimativas são de duzentas.

Há seis meses, as pistas de Congonhas entraram em reforma. Uma de cada vez, para não fechar o aeroporto. Em dias de chuva, o aeroporto era fechado, fato que começou depois de incidentes sem vítimas. A reforma não terminou. O aeroporto, contudo, foi liberado sem ressalvas numa medida irresponsável e assassina.

A pista era propícia à aquaplanagem. Tentarão culpar o piloto, já está morto mesmo. Não há americanos para culpar agora. Dirão que o avião pousou muito tarde, então por que nada desse naipe acontecera antes?

Não há desculpas. Não há como escapar. Quem liberou a pista sem restrições deverá responder por homicídio doloso de duzentas pessoas. Ou isso, ou podemos decretar o Brasil como reino da morte. Aqui ela impera. O maior índice de homicídios per capita do mundo. A maior cafajestagem aérea do mundo.

Inferno Essa é a imagem. Inferno. É nisso que vivemos. Essa é a manchete dos principais sites de notícias de toda a América.

Não dá! Não dá de jeito nenhum para continuar dessa maneira. Como um governo que assassina por inépcia e irresponsabilidade populista mais de 350 pessoas em questão de meses se mantém de pé? Não é politicagem, não estou defendendo nem o valor mais importante na vida: a liberdade. Estou defendendo a própria vida! Não pude deixar de me emocionar quando soube que uma mãe perdera dois filhos no vôo. Perder um filho é uma dor tão grande, que entristeci-me grandemente só ao cogitar perder dois. Quantos não sofreram tão mais que eu, um mero espectador?

Assassinos! Quantos mais haverão de morrer para saciar tua sede de sangue inocente?

Post-scriptum: Saiu a desculpa oficial, qual seja, o avião fez um pouso normal e quis decolar de novo. Mentira! O pouso foi autorizado, a torre permitiu a decolagem de outro avião assim que o avião da TAM tocou o solo (o que é de praxe em um aeroporto movimentado como Congonhas), mas ele não conseguiu frenar e a outra decolagem foi cancelada. Ouviremos nos próximos dias as mais esfarrapadas desculpas. Pela honra das vítimas, por respeito a seus familiares, não acreditemos! Basta de engolir mentiras!

Post-post-scriptum: Mais um desabafo: http://blogdobertrand.blogspot.com/2007/07/quem-vai-para-cadeia.html

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Ô perda de tempo!

“τοὺς δὲ ἀληθινούς [φιλοσόφους], ἔφη, τίνας λέγεις;

τοὺς τη̂ς ἀληθείας, ἠ̂ν δ’ ἐγώ, φιλοθεάμονας.”

Plato. Platonis Opera, ed. John Burnet. Oxford University Press: 1903. (República, livro V, parágrafo 475[d])

O “filósofo da cidade de São Paulo”, Paulo Ghiraldelli Jr., comprou uma briga com o filósofo Olavo de Carvalho porque este último diz que os filósofos, para Platão, são os amantes do espetáculo. Segundo Paulo, Platão diz precisamente o contrário: distingue em categorias distintas os amantes de espetáculos e os filósofos. Para corroborar sua tese, lança mão do parágrafo 476(a) do Livro V d’A República, em que Platão opõe o filósofo ao homem prático, que coloca como amante das artes e do espetáculo:

καὶ περὶ* δὴ δικαίου* καὶ ἀδίκου καὶ ἀγαθου̂ καὶ κακου̂ καὶ πάντων τω̂ν εἰδω̂ν πέρι ὁ αὐτὸς λόγος, αὐτὸ* μὲν ἓν ἕκαστον εἰ̂ναι, τῃ̂ δὲ τω̂ν πράξεων καὶ σωμάτων καὶ ἀλλήλων κοινωνίᾳ πανταχου̂ φανταζόμενα πολλὰ φαίνεσθαι ἕκαστον.

ὀρθω̂ς, ἔφη, λέγεις.

ταύτῃ τοίνυν, ἠ̂ν δ’ ἐγώ, διαιρω̂, χωρὶς μὲν οὓς νυνδὴ ἔλεγες φιλοθεάμονάς τε καὶφιλοτέχνους καὶ πρακτικούς*,

A tradução em Inglês, escolhida por Paulo Ghiraldelli é a seguinte:

“Of course.” “And since they are two, each is one. ” “That
also.” “And in respect of the just and the unjust, the good and the
bad, and all the ideas or forms, the same statement holds, that in
itself each is one, but that by virtue of their communion with actions
and bodies and with one another they present themselves everywhere,
each as a multiplicity of aspects.” “Right,” he said. “This, then,”
said I, “is my division. I set apart and distinguish those of whom you
were just speaking, the lovers of spectacles and the arts, [and men of action]”

Por ora, parece que ele está certo. Platão segue, através de Sócrates, a definir o filósofo. E, na mesma toada, coloca que enquanto o homem prático admira as coisas belas, o filósofo as transcende para admirar o belo. Vamos ao que o Olavo diz:

Sim, o que o filósofo ama é aquilo que, vindo do espetáculo do ser, transcende infinitamente a clausura do pensar e do pensado. Por isto ele é também o amante sabedoria[.]

Pois bem, a palavra “transcende”, que usei propositadamente, serve a mostrar que o filósofo se usa do espetáculo belo para chegar à beleza mesma (recomendo a todos que vão à República no livro V e tirem as próprias conclusões do trecho). Então ele não é exatamente um “amante do espetáculo”, mas também não o rejeita. Ele o ama enquanto ele serve para chegar à essência, ao ideal do belo.

Que palavra usa Platão para se referir ao “amante do espetáculo”? É φιλοθεάμονάς , um particípio que contém a raiz de “amar”, “amor” (φιλο – filo), e de “colocar”, “pôr”, “mostrar” (θε – the), de onde vêm “teatro”. Daí “amante de espetáculo”, que é a melhor tradução que acredito podermos chegar em Português. Se você sabe Grego ou Inglês, você verá, como já disse, que Platão de fato opõe o amante do espetáculo ao filósofo. Mas, se você voltar apenas um parágrafo, verá a citação que abre este artigo. A tradução, arriscada por mim, é a seguinte:

“Quem dizes — dizia ele — que são os verdadeiros [filósofos]?

Aqueles que da verdade — disse eu — amam o espetáculo.”

Ora, 1) Platão de fato chama os filósofos de amantes do espetáculo, usando a mesma palavra (φιλοθεάμονάς), no parágrafo anterior; 2) Em breve, Platão coloca que o filósofo “transcende” o espetáculo (e portanto, não o nega, apenas o supera). Paulo Ghiraldelli cita comentadores, trechos em Inglês, divaga por longos períodos em um texto mal escrito para querer provar uma coisa que eu só preciso usar “compreensão de texto” para ver que ele está errado. Ô perda de tempo!

Post scriptum (valeu a dica, Moreno e Rafael):

Eu havia escrito este texto na segunda-feira à tarde. Após o True Outspeak achei desnecessário publicar. Meus amigos recomendaram-me que mantivesse a publicação, já que o Paulo Ghiraldelli respondeu ao Olavo novamente, com mais perda de tempo. Se quiser acompanhar a contenda, também informo os links:

http://www.blogtalkradio.com/olavo

http://www.ghiraldelli.pro.br

 

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Na comunidade Católicos do Orkut, comunidade excelentíssima que a todos que queiram crescer na fé ou conhecer decentemente o Cristianismo Universal recomendo, surge uma pergunta: “O estilo de música rock é incompatível com o [C]ristianismo?”. A discussão também tomou feições de se rock era apropriado para a igreja ou não. Eis a minha resposta:

O Cristianismo é a sacralização do mundo, a sacralização do profano. Sacralização não significa divinização, se não caímos no panteísmo.

O que eu quero dizer é que tudo, do mundo, pode ser bom. A comida é dom de Deus, a gula é pecado. Os bens são dom de Deus, a avareza é pecado. A palavra é dom de Deus, a mentira é pecado. A força violenta é dom de Deus, a violência contra o próximo é pecado.

Os timbres e harmonias do Rock, essencialmente existentes desde a Criação, não são ruins em si.

Decerto é fato que a sonoridade tem efeito em nós. Todas as tradições religiosas sabem disso e escolhem tradicionalmente a sonoridade para o efeito que querem. Destarte, o canto gregoriano e a polifonia renascentista foram escolhidas, pela Tradição da Igreja, como apropriadas para a devoção, a adoração e o sacrifício do rito da missa.

No Hinduísmo e no Budismo, há toda uma sorte de mantras, com os efeitos estudados e muitas vezes comprovados. No Islamismo, no Judaísmo, na Umbanda, há música litúrgica que serve a alcançar um fim específico. No Cristianismo Universal, nem herético e nem cismático, Verdadeira religião de Cristo, havia uma tradição, o espírito almejado era alcançado, e por isso mesmo a música litúrgica tem que ser esta: Canto gregoriano e (com ressalvas) polifonia renascentista.

Mas, na mesma toada, volto ao Rock. A grande e única preocupação que se deve ter com a música secular é: a letra e o ritmo propiciam o quê? Um ritmo que propicie uma “sensualidade” ou uma “violência” não deve ser escutado em grandes manifestações a não ser que a pessoa “agüente o tranco”. Contudo, a sensualidade e a violência têm fins bons e, portanto, a música que incite isso não é ruim per se.

A outra preocupação não diz direito à música em si, mas aos músicos: não se deve idolatrar músicos, por melhores, mais bonitos e mais tocantes que eles sejam. Essa era uma grande preocupação do Papa Bento, que foi chamada pela mídia de “Rock é coisa do Diabo”. Como vemos, eles não perdem tempo em difamar o Santo Padre.

Ademais, qualquer canção que, em sua letra, use de mentira, idolatria (satanismo está aí incluso), vanglória, qualquer palavra pecaminosa deve ser evitada*. Mas não é o som da música que propicia o pecado aí mas a letra. E isso valeria para qualquer coisa escrita, não só letra de música.

E finalmente, para fechar minha fala em um círculo: toda a criação de Deus pode ter um uso bom. O rock pode ter um uso bom, excelente. Não é apropriado para o rito litúrgico e acredito que também não seja adequado para um grupo de oração ou uma procissão (opções nas quais eu fico com a música popular cristã tradicional: “Te amarei Senhor”, entre outras). Mas para uma devoção pessoal, para a pregação do Evangelho, ou mesmo para outros sentimentos profanos (mas sacralizados por Cristo) que têm uso para o bem, o rock não é nenhum problema.


* Eu costumo escutar um disco do grupo “Dream Theater” chamado “Scenes from a Memory” que tem letras “espíritas”, no sentido que advogam a reencarnação. Como eu disse, isso deve ser evitado. Eu escuto por gostar da música, mas devo acautelar-me de que não posso sair cantando tudo, pois estaria repetindo, mesmo sem acreditar em, falsidades.

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