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Archive for setembro \26\UTC 2006

O Bode Expiatório Inexpiável

Lula sabia? Eu acredito que:
1) Do mensalão, ele não sabia até ser avisado por Roberto Jefferson (ou outra pessoa). Depois que soube, não fez nada.
2) Do dossiê, ele não sabia, mas deu carta branca para todo mundo. E, se não sabia, foi por desinteresse e/ou inépcia.

E essas opções são as piores para Lula pois, além de conivente com a corrupção, ele se mostra incompetente e despreparado. Antes um governante corrupto que um que sequer é governante, não sendo um governante corrupto apenas por vacuidade.

De fato, Lula é meio que um “bode expiatório” do PT. Ele apenas serve a congregar o voto popular e permitir o poder ao PT. Quem comandou o Brasil nestes últimos 3 anos e meio não foi o Lula, nem por um instante. Foi a alta cúpula do PT. Lula sequer sabe escrever um discurso, tem um ghost writer a seu dispor. Sarney (acadêmico) e FHC (sociólogo) faziam os seus. Collor, pela baixa qualidade deles, faz-me crer que era também o autor. Lula não. Ele sequer leu o manifesto comunista, leitura obrigatória para qualquer político, seja de direita ou de esquerda. Ainda mais de esquerda!

O grande problema é que Lula é um bode expiatório “inexpiável”. Nunca a culpa pode cair sobre ele pois ele não é descartável. O PT precisa dele. Sem Lula, ao PT apenas resta a mancha podre da corrupção e do totalitarismo. É apenas o partido de intelectuais de esquerda e sindicalistas “pelegos”. Por isso o Lula é sempre blindado. Joga-se até o presidente do PT aos Leões (como se fez ontem), mas Lula não. Se expiarem através do Lula, o PT se desfaz. E esse é o ponto fraco do PT: aquele que não pode ter culpas precisa justamente ser o mais exposto de seus políticos.

Uma hora, Lula não poderá mais fazer-se de cego, surdo e mudo. Eu espero que a oposição perceba isso e investigue. O PT logrou um grande sucesso em 2002 graças a Lula, e em 2006, graças ao governo Lula, provavelmente colecionará derrotas. Uma das poucas vitórias possíveis é a do próprio Lula. E mesmo assim (Deus queira!), ela se torna a cada dia mais difícil.

Eu acredito que Lula será reeleito, no primeiro turno, a não ser que a oposição toda (Cristóvam, Geraldo, Loló e inclusive Eymael e Bivar) mire suas armas para ele. O PT já está na lama, não é necessário mais “desconstruir” o PT. Está cheio, no país inteiro, de voto “no Lula mas não no PT”. Agora é preciso “desconstruir” o Lula αυθός (himself, ou o que o valha) se quiser que exista segundo turno.

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Ainda PT, Suplicy e o Aborto.

O André, Ceará, me mandou um link de resoluções do PT

Vejam dois parágrafos que de lá tirei:

Assim sendo, exigimos que os/as parlamentares do PT que participam da Frente Parlamentar em Defesa da Vida – Contra o Aborto retirem seus nomes desse movimento. O acordo partidário em relação a este tema é de que respeitamos as decisões de foro íntimo, entretanto as posições e voto de nossos parlamentares não podem ferir princípios em defesa dos direitos das mulheres.

Respeitamos a abstenção de votos, mas não aceitamos o protagonismo e a participação em ações e movimentos como esta Frente, que violam o respeito à vida das mulheres.

Ou seja, político do PT não pode votar contra o aborto, pode até se abster, mas votar contra não. Mais ainda, ele é proibido de se manifestar em defesa da vida.

Não vote no aborto, não vote em ninguém do PT. Isso inclui o Suplicy.

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É Lula de novo, na bunda do povo.

Desculpem o termo. Foi o que eu encontrei. Escrevi o seguinte texto há mais ou menos uma semana, para comentar o governo Lula numa lista de discussão nacional de estudantes de computação. É um pequeno histórico desse governo, que caminha para mais quatro anos.

Lula manteve a população mais pobre dependente dele criando o Bolsa Família, criando uma verdadeira relação senhor X vassalo, sendo que nesta última, o servo tinha plenos direitos de trocar de feudo se quisesse, e o benefício que o senhor dava era a terra, e não a comida pronta. Estava lendo uma matéria de um economista que disse que a África só não vai pra frente, porque de tanto dinheiro que recebe como “ajuda humanitária”, ela não se desenvolve, criando um círculo vicioso. É isso que Lula está fazendo com o Brasil com o Bolsa Família.

Lula viaja para fazer campanha em avião presidencial, imprime cartilhas com dinheiro público, é o presidente que mais usa o estado para si dos últimos 60 anos, com apenas o nosso ditador Getúlio Vargas superando tal feito. Os gastos de gabinete de Lula superam todos os outros presidentes. Ele eleva salários, bolsa família, benefícios, bolsas do prouni às vésperas da eleição, e deixa para depois dela para resolver o assunto do gás com o Evo Imorales, deixando ao Brasil o risco de ficarmos sem gás. Nunca neste país (como o Lula gosta de dizer) houve tanta cara-de-pau de um político candidato. Nunca houve tão pouco-caso com o erário.

Como vocês devem saber, muitas faculdades particulares (felizmente outras tantas não são assim) são do tipo “pagou passou”, que querem mais alunos para darem formação zero para eles e ganharem dinheiro com isso. Eu não tenho nada contra quem, de própria vontade, vai lá, e com o próprio dinheiro, paga essas porcarias. Problema de quem pagou. Agora, com o PROUNI, o governo Lula deixa famílias felizes porque “o meu filho está na Universidade, só o Lula para fazer isso”, sendo que o tal filho não está tendo formação decente e, o pior, tudo pago com o nosso dinheiro. Nos EUA e na Europa, o governo tem bolsas para estudantes universitários, mas: essas bolsas são para universidades com grande qualidade acadêmica e são por mérito, para alunos brilhantes.

Isso pode chocar algumas pessoas aqui: Universidade não é para todos. A cada dia cresce o número de analfabetos funcionais com ensino superior. Tem gente que não sabe escrever, não sabe concordância básica, e está se formando. Essa pessoa sequer devia ter entrado. O programa “Universidade para Todos” ofenderia a intelectualidade de qualquer nação.

Fernando Collor de Mello, velho conhecido nosso, foi acusado (pelo PT) de caixa dois. Só por isso (e porque a UNE levou um monte de matadores de aula para a Paulista), ele teve um pedido de impeachment, que levou a sua renúncia e à cassação de seus direitos políticos por 8 anos. Sofreu 103 processos e foi de todos inocentado. Lula CONFESSOU o caixa 2 em uma entrevista, e é o favorito para vencer as eleições de 2006. Isso só mostra o quanto ele se apoderou do país. Como a UNE é aliada dele, não botou um monte de cara-pintada-alienado nas ruas. Se fosse o Serra metido nisso, ele teria caído (e com muita justiça, diga-se de passagem). É incrível o esquema de poder paralelo que o PT-PCdoB criou nesse tempo, e é incrível como tão pouca gente se dá conta disso.

A economia brasileira, nos “anos Lula”, só cresceu menos que a do Haiti, um país marcado por uma guerra fratricida, que derrubaria a mais estável das economias. Ao mesmo tempo, a arrecadação fiscal só cresce, enquanto que o trabalho informal decresce: é a lógica do imposto alto para financiar um governo gastador. Em tempo, fala-se de FHC, o “Viajando Henrique Cardoso”. Lula viajou em 3 anos mais que FHC nos 8 em que esteve, e isso que ele viajava demais.

Isso porque eu nem comecei a falar do Mensalão. Embora a compra de votos seja notadamente uma prática comum no Brasil, o PT a levou à regra. Negociava direto com os partidos. Diversos ministros de Estado envolvidos. Votações chave para projetos que levariam Lula à reeleição. Nem quero falar mais, me dá ânsias. Só falta a reforma política para piorar a situação: com a instituição da “fidelidade partidária”, pessoas honestas que não queiram compactuar com os mensalões do partido, sairão e perderão o cargo, que provavelmente irá para alguém mais subserviente. Já com o “voto por listas”, os dirigentes partidários que escolherão a ordem dos candidatos, e os primeiros com certeza serão os mais dóceis a esses dirigentes. Ainda a “cláusula de barreira” ajudará a diminuir o número de partidos. Resumo: o mensalão passa do varejo para o atacado. Não tendo que negociar com cada parlamentar, correndo o risco de encontrar um honesto que denuncie tudo no meio (risco pequeno, concordo), o PT passará a negociar “quanto” direto com os dirigentes. E quem votar diferente, está fora.

Isso me faz lembrar do ponto mais importante. O mais importante de tudo! Nos últimos 60 anos, este também é o governo mais totalitário. Com o Conselho Federal de Jornalismo queria impor a censura aos jornalistas. Com a idéia de “apoio à mídia alternativa” dará dinheiro estatal a quem o apóia, e cortará aquele de quem o critica. José Dirceu faz apologia aberta à censura de imprensa em seu blogue. O jornalista Larry Rohter, que criticou as bebedeiras de Lula, foi expulso do país. O prefeito de Campinas foi assassinado, o prefeito de Santo André foi assassinado, e também todas as prováveis testemunhas do caso. A maior suspeita é que eles sabiam demais. Estamos vendo nossas liberdades sendo cerceadas debaixo de nossos narizes, e reelegemos o ditador. Também reelegemos Getúlio Vargas. Os militares de 64, perto de Getúlio Vargas, até passariam por democratas. Getúlio flertou com os nazistas, assim como Lula flerta com os maiores ditadores do mundo.

Se alguém teve saco de ler até aqui, isso é só parte de minhas críticas. Foi o que eu lembrei nos 15 minutos que passaram. Duvido que alguém consiga responder a tudo isso. Em tempo, votei no Lula em 2002. Arrependo-me amargamente. Tento iludir-me que antes aprendermos agora que num momento mais crítico. Mas vejo que mais gente vota no Lula hoje que há quatro anos, provavelmente pela questão da dependência que eles criaram do Estado. E o que eu gostaria era que as pessoas deste país fossem independentes. LIBERTAS QUAE SERA TAMEN, dizia um movimento que muito admiro, frase expressa na bandeira de Minas Gerais. Infelizmente, esse estado também vota contra seu lema.

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Angiosperma Dicotiledônea Cariófila: Abaixo a Média 7!!!

Angiosperma Dicotiledônea Cariófila é uma tese que enviamos ao sétimo congresso dos estudantes da Unicamp. Desnecessário dizer que destoou das demais.

Angiosperma Dicotiledônea Cariófila: Abaixo a Média 7!!!
Praça Sérgio Buarque de Holanda, 777 – um endereço sugestivo

TESE

O caderno de teses é longo, talvez você não tenha paciência de lê-lo inteiro. Além disso, a pressa fez com que o prazo para entrega de teses fosse muito curto (mais que de costume), de forma que a maioria dos estudantes não teve tempo hábil para produzir uma. Tentando auxiliar nesses dois problemas, fornecemos um formulário que permitirá, ao mesmo tempo, você saber o que está escrito nas outras teses (marcando sempre a mesma alternativa) ou montar a sua própria tese dentro dos prazos exigidos, obviamente nos moldes das outras que você encontrará por aqui.

Então, mãos à obra! Monte sua tese!

Conjuntura

O governo Lula
a) traiu a população sucumbindo aos interesses neoliberais,
b) não atendeu às expectativas da classe trabalhadora,
c) tem conseguido grandes avanços no Brasil,
d) é golpista, fascista, conservador, neoliberal,

mas
a) temos uma esperança real de esquerda com a frente de esquerda.
b) não é possível um governo decente na democracia burguesa.
c) as sanhas neoliberais de Alckmin tem piorado a situação.
d) temos que unir a classe operária na revolução.

Contudo, não podemos nos esquecer
a) da luta da juventude pelo passe livre.
b) dos banqueiros exploradores.
c) do imperialismo ianque de Bush.
d) de lutar pelo salário mínimo de três mil reais.

Universidade

A Universidade brasileira
a) Tem sido vítima dos apetites neoliberais.
b) Tem sido vítima dos apetites neoliberais.
c) Tem sido vítima dos apetites neoliberais.
d) Tem sido vítima dos apetites neoliberais.

Precisamos:
a) De mais assistência estudantil.
b) De uma universidade popular e de luta.
c) Nos unir pelas reformas.
d) Lutar pelo socialismo.

A meritocracia:
a) É um impedimento dos pobres de estudar.
b) É uma herança do capitalismo selvagem em que vivemos.
c) Vem sendo felizmente diminuída pelas reformas.
d) Bem… Vamos lutar pela diminuição da jornada de trabalho.

Para melhorar a Universidade:
a) Precisamos de mais participação social.
b) Só o socialismo.
c) Precisamos aprofundar as reformas.
d) E… E sem redução de salários!

Movimento Estudantil

A UNE:
a) Tem servido a uma burocracia sedenta de poder.
b) É podre e não tem salvação.
c) Está com os estudantes nas lutas.
d) Tem conluio com os interesses neoliberais.

Então devemos:
a) Vencer suas disputas, e voltá-la para a luta.
b) Romper com ela e construir uma nova alternativa.
c) Privilegiar seus espaços e participar dela.
d) Usá-la em benefício da classe trabalhadora.

O movimento estudantil deve lutar por:
a) Uma sociedade justa, democrática, de esquerda.
b) Pela ruptura socialista.
c) Pelas reformas sociais que já vêm acontecendo.
d) Pela expulsão dos reitores, para que trabalhadores e estudantes realizem a gestão da Universidade.

ANTÍTESE

Parte I – A estória de Julião.

O estudante “medíocre e alienado” (que vamos personalizar no nome “Julião”) está surpreso. Surpreso por não estar surpreso, um sentimento paradoxal que ele não entende direito. Ele não é mais surpreendido por assembléias acaloradas no PB, nem por panfletos criticando ferozmente o DCE ou sua oposição. Julião só vê calmaria. Embora “medíocre e alienado”, não lhe escapa o fato de que este é um ano eleitoral, e anos eleitorais costumam ser mais, digamos, tumultuados e aguerridos que os demais. O último ano eleitoral que ele se lembra, a gestão do DCE foi deposta.

Julião lembra que a oposição era chamada, genericamente, de “PSTU”. Também lembra que, uma garota que lhe pediu voto lá na engenharia que ele faz (afinal, o arquétipo de estudante “medíocre e alienado” tem que estudar engenharia, para dar mais realidade à nossa construção), essa garota estava numa tal “calourada do PSOL”. Medíocre, alienado, mas atento. E como! À noite, enquanto janta, vê no horário político eleitoral (se tivesse TV a Cabo estaria assistindo a alguma série da Sony) uma tal “Frente de Esquerda”, unindo PSOL e PSTU. Peraí? PSOL e PSTU? Medíocre, alienado, atento e minimamente inteligente: ele passou no vestibular! Cai a ficha. FIAT LUX.

Bom, ele não quer saber de política. Seu descobrimento ficará engavetado em um arquivo distante da memória. Tudo que ele pensa é na aula terrível que terá que suportar no dia seguinte. O professor não tem a mínima capacidade de explicar. Há um outro professor ministrando a mesma disciplina, mas ele não pode trocar de sala pois o seu professor cobra presença. “Se a alteração de matrícula durasse um pouco mais… Estamos na terceira semana de aula ainda!”, pensa. Impotente para resolver isso, tudo o que lhe resta é a festinha do DCE que haverá à noite. No decorrer da noite, ele tem a certeza de que não será impotente.

Julião, medíocre e alienado, atento e inteligente, não quer saber de política mas tem um interesse em uma determinada especialidade de seus estudos. O processo de “não-empurra-que-a-fila-anda” que descreveremos a seguir ainda não o atingiu. Mas dedicar-se não pode. Não o quanto ele gostaria. Os 29 créditos tomam todo o seu tempo, e não vê nenhuma perspectiva de enxugamento do currículo. Novamente impotente, vai gastar sua potência com outras coisas.

Mas dessa vez seu sangue foi usado na cabeça de cima. Depois de chamar alguns colegas, queria comentar tudo isso que ele sofria e como seria bom se eles se juntassem para tentar alguma modificação, algum alívio, alguma melhoria. Ao se juntarem numa sala de aula, depois de encerradas as listas de exercícios, foram expulsos pelo funcionário do campus, que perguntou se eles tinham autorização para usá-la naquele horário e ainda pediu suas identificações.

Julião, medíocre e alienado, atento e inteligente, que não gosta de política mas é um cara de interesse, expulso da sala, perde toda a vontade e resolve que sua potência é só para ser usada na outra cabeça.

A política, para Julião, é aquilo que ele vê nos CAs, no DCE, nas assembléias e debates. Nunca pensou que ele havia começado a fazer uma política muito mais legítima, e como muitos outros juliões, resolveu voltar para o “fluxo natural”.

Parte II – O salto ornamental

A Universidade é vista como trampolim social. Ela é o portão dourado das oportunidades financeiras. Esse pensamento nasce de uma análise apressada do uso proxenético que alguns fazem da Universidade, e toma feições ideológicas de interpretação parcial da realidade. O fantoche de ideologia criado no seio da Universidade mesma se expande para fora dela, frutificando aberrações ainda mais divertidas. A interpretação da Universidade como trampolim social, criada pelos acadêmicos iluminados, se espalha pela sociedade como uma verdade em-si, criando a sub-ideologia do “mamãe-eu-quero-formar”. Isso posto, forma-se a fila para uso do trampolim: e a espera é de “duros e longos 4, 5 ou 6 anos”.

Surge então, a genial idéia: vamos dar cotas para negros e afrodescendentes (aproximadamente 95% da população brasileira, segundo estudo do finado sociólogo Otávio Ianni, do IFCH). Assim, eliminamos as desigualdades raciais criando uma elite intelectual (e, portanto, financeira) afrodescentente. Só faltou explicar como a existência dessa elite conseguiria tal feito, nem sequer como evitar o agravamento do racismo quando a lei passa a ser diferente para alguns. Seguindo uma linha um pouco menos incoerente, por que não estabelecer cotas raciais para vereadores e deputados?

Como o governo, na figura do MEC e dos mecanismos avaliativos, imputa à escola superior uma gama de exigências formativas, a Universidade cumpre essas ordens. Contudo, não há a contrapartida do interesse científico, já que a idéia dos alunos já vem voltada para ascenção que trará o diploma. A fila tem que andar e, andando, vai seguindo unicamente as exigências dadas. A Universidade se torna um “escolão técnico”: sem pensamento, sem ciência, sem pesquisa. O jovem lança-se ao mundo sabendo a técnica só dentro da técnica. Fora disso ele é um doido com todo o direito a sê-lo. Com todo direito a sê-lo, ouviram?

Por outro lado, ironicamente, muitos dos responsáveis pela definição da ideologia saltitante tentam fazer outro uso da Universidade: o de célula revolucionária. Usando as estruturas materiais e de influência da Universidade, pretendem usá-la para os seus fins políticos, sejam quais forem, desde a “construção do socialismo”, passando pelo “amoldamento do senso comum” e chegando à mera disputa de cargos eletivos.

O sentido de Universidade não é algo estático e imune à rediscussão, não sendo necessário nos prendermos ao sentido original de Universidade, surgido no início do segundo milênio. Contudo é impossivel dissociar a Universidade do conhecimento, e este último do ensino e da pesquisa livres. Ao prender o ensino e a pesquisa a certos esquemas fixos de pensamento de direita ou de esquerda, ou ao querer tirar dos docentes o seu devido valor, diminuindo sua importância, fugimos de uma “cláusula pétrea” da Universidade. Já vemos hoje a perversão seja para a “escola de formação de militantes”, seja para o “curso profissionalizante para o mundo corporativo”. E não me venha com conclusões, a única conclusão é morrer!

Parte III – Epílogo de Julião

E voltamos a ele, que não precisa ser ele-mesmo: Julião, medíocre e alienado, atento e inteligente, que não gosta de política mas é um cara de interesse, é de fato um pouco ignorante. Não o culpamos. Ele não sabe o que é movimento estudantil, confundindo esse conceito com o seu também confuso conceito de política. Se chamamos sempre alface de fruta, para nós ele é uma fruta, por mais que objetivamente não o seja. Movimento estudantil para Julião é o que ele vê, é a realidade objetiva que ele observa, mesmo que a relação signo-significado seja aí baseada numa falácia.

Por um curto período de tempo, Julião cogitou fazer um verdadeiro movimento estudantil: de estudantes, para estudantes, centrado em temas da realidade estudantil. Talvez não passe pela sua cabeça que os temas externos se relacionam com os internos, nem tenha a nossa compreensão, de que começamos de dentro para, nas nossas possibilidades, abarcar o que está fora. Em um ímpeto sincero, ele quis melhorar sua situação, que não era só sua. Política remete à pólis, e não há porque para a Universidade não caber no conceito de pólis. De nada adianta. Julião também ignora etimologia.

Contudo pensa em como o seu curso poderia ser melhor. Pensa em como a Unicamp, o ambiente que vive, poderia ser um lugar melhor. Julião não sabe que isso é que é fazer política. E não tem ninguém para ensiná-lo. Alguns, porque também não o sabem. Outros, porque o querem um técnico capacitado. E outros (os que dizem fazer a tal “política”), não parecem estar lá muito preocupados com a sua pólis, mas com Sóis, Socialismos, Comunismos e Causas Operárias, e, se o chamarem, o farão puxando-o para suas demandas.

Nesse momento, Julião deverá responder:

Não me peguem no braço!
Não gosto que me peguem no braço. Quero ser sozinho.
Já disse que sou sozinho!
Ah, que maçada quererem que eu seja da companhia!

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Enfim, a verdade!

Hoje assisti a um pedaço da mesa de conjuntura do Congresso dos Estudantes da Unicamp. Na mesa, havia um cara do diretório nacional do PCdoB e um do diretório nacional do PSOL. O PSDB também foi chamado, mas por problemas logísticos não foi possível concretizar a presença de alguém na mesa.

Eu só assisti a uma parte da fala do senhor do PCdoB, e lembro de alguns fragmentos que reproduzo aqui: “Nosso objetivo sempre foi a revolução socialista (…) apoiamos Lula nas cinco vezes que ele se candidatou a presidente”, talvez cogitando conquistar a platéia, massivamente pró-Loló (Heloísa Helena). Numa pesquisa que ele fez na hora, havia 3 votando no Geraldo (o que me surpreendeu, achei que só seria eu), uns 4 ou 5 votando no Lula, e todo o resto (quase 100 pessoas, estimo) na Loló.

Outra coisa interessante foi que ele afirmou, categoricamente, que os candidatos principais à presidência, excetuando o Geraldo Alckmin, são de esquerda. Ele afirmou isso, está gravado em vídeo, e eu vou tentar conseguir. Continuou dizendo que “essa direita [o Alckmin] precisa ser esmagada”. Como não queria ser esmagado, e tinha coisas mais importantes para fazer (jogar futebol, por exemplo), não vi a fala do cara do PSOL.

Enfim, a verdade! Finalmente é assumido que o que resta de direita no Brasil são uns candidatos de um partido social-democrata ruins de voto. Como é bom poder ter acesso a um espaço quase-“esotérico”, e conhecer os segredos que eles escondem dos outros, mas revelam aos pares.

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