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Archive for agosto \16\UTC 2006

Não vote no Suplicy!

“O Suplicy é ético. O Suplicy é honesto. O Suplicy é correto.” Chega a ser irônico que a principal qualidade do candidato a senador pelo PT em São Paulo seja o udenismo*. O seu programa eleitoral só fala de como ele é “do bem” (exatamente nesses termos). Não duvido que Suplicy seja tudo isso. Mas isso não vai me fazer votar nele. Todos que me lêem já devem saber que apóio o Afif para qualquer coisa que ele se candidatar, logo ele é meu candidato a senador.

Poderia parar por aqui se fosse só isso. Mas tem mais coisa. Vou colar um trecho das diretrizes do PT para programas de governo, tiradas em seu último congresso (grifo meu):

Combate às desigualdades e discriminações – O segundo Governo deve consolidar e avançar na implementação de políticas afirmativas e de combate aos preconceitos, à discriminação, ao machismo, racismo e homofobia. As políticas de igualdade racial e de gênero e de promoção dos direitos e cidadania de gays, lésbicas, travestis, transexuais e bissexuais receberão mais recursos. A Secretaria Especial de Mulheres, a Secretaria de Promoção de Políticas para a Igualdade Racial e o Programa Brasil sem Homofobia serão fortalecidos, influenciando e dialogando transversalmente com o conjunto das políticas públicas. O Governo Federal se empenhará na agenda legislativa que contemple as demandas desses segmentos da sociedade, como o Estatuto da Igualdade Racial, a descriminalização do aborto e a criminalização da homofobia

OK. E daí? Mostro: tomo a liberdade de encher um pouco mais o seu saco, colando o artigo 14 do estatuto do PT:

Art. 14: É dever do filiado:
I. Participar das atividades do Partido, difundir as idéias e propostas partidárias;
II. Combater todas as manifestações de discriminação em relação à etnia, aos portadores de deficiência física, aos idosos, ou qualquer outra forma de discriminação social, de gênero, de orientação sexual, de cor ou raça, idade ou religião;
III. Manter conduta compatível com os princípios éticos do Partido;
IV. Acatar e cumprir as decisões partidárias;
V. Contribuir financeiramente nos termos deste Estatuto e participar das campanhas de arrecadação de fundos do Partido;
VI. Votar nos candidatos indicados e participar das campanhas aprovadas nas instâncias partidárias;
VII. Comparecer, quando convocado, para elucidar fatos em procedimentos disciplinares;
VIII. Emitir voto sobre questões submetidas à consulta partidária pelas instâncias de direção;
IX. Renunciar ao mandato eletivo no caso de desligamento do Partido.
§1º: O filiado investido em cargo de confiança na administração pública, direta ou indireta, deverá exercê-lo com probidade, fidelidade aos princípios programáticos e à orientação do Partido.
§ 2º: O disposto no parágrafo anterior também se aplica ao filiado detentor de mandato eletivo.
§ 3º: Os filiados a que se referem os parágrafos deste artigo, quando convocados pelo Diretório a que pertençam ou pelas instâncias superiores do Partido, deverão prestar contas de suas atividades.

Bom, o que a gente pode dizer de tudo isso? Que Suplicy é obrigado, como filiado ao PT, a seguir o que o partido como um todo decide. Isso se chama “centralismo democrático” (que de democrático não tem nada). Mais ainda, sendo obrigado a votar nos candidatos indicados, o filiado ao PT tem que abrir mão de um direito da esfera privada.

Ligando isso à citação anterior, implica que Suplicy terá que lutar no senado pela descriminalização do aborto e pela criminalização da homofobia. Deverá lutar para que a lei permita que matemos crianças em gestação a nosso bel-prazer, e que qualquer discriminação da conduta homossexual seja considerada crime, ou seja, o padre, pastor, rabino, imã, monge ou assemelhado que, amparado pela escritura e por séculos de tradição religiosa, condene o homossexualismo.

Suplicy deverá lutar pela morte de crianças. Suplicy deverá lutar por transformar a religião em crime. Por mais “honesto” e “correto” que ele seja, ele será obrigado, pelo estatuto de seu partido, a fazê-lo. Então, eu faço o pedido urgente: não vote no Suplicy!.

* Chama-se “udenismo” uma campanha pautada pela sobrevalorização da honestidade do candidato, sem levar em conta propostas. Isso é originário de uma visão preconceituosa sobre a UDN, que, defensora da moralidade, também era altamente propositiva, com exceção de uns e outros.

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