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Archive for novembro \22\UTC 2007

Um amigo meu (não vou citar seu nome mas isso tornar-se-á público em breve) teve uma idéia aleatória e inconseqüente (como toda idéia aleatória) num dia de falta de luz. Morador da Moradia Estudantil da Unicamp (conjunto que compõe-se de várias casinhas com sala, quarto, cozinha e banheiro povoadas por 4 pessoas que lá moram gratuitamente, voltada para estudantes menos favorecidos e gente que quer economizar pra comprar um carrão — viva o Estado!), ao faltar luz, resolveu sair com algumas pessoas, vestido de profeta (ou de Jesus Cristo mesmo, não sei), com uma moça a seu lado com um lençol feito véu branco a anunciar que “O fim está próximo”, “Arrependam-se”, “A culpa é de vocês”, entre outros.

10 anos, alguns jovens lançavam O Indivíduo, que contava com o artigo “A negra noite da consciência“, que combatia o “Dia da Consciência Negra”. Foram chamados de “racistas” pelos melano-fascistas (go Greek if you didn’t catch it). Nunca fui fã deles, nunca fui leitor assíduo, às vezes recomendavam-me um artigo e eu lia. Sempre eu gostava, mas há outros estilos que eu prefiro. Quem me lê constantemente sabe quem são os meus favoritos. Retomo, estou disperso demais: os jovens que lançavam “O Indivíduo” na PUC do Rio foram perseguidos, caluniados e Olavo de Carvalho veio em seu socorro com diversos artigos em jornais que foram posteriormente publicados no volume “Imbecil Coletivo II: A longa marcha da vaca para o brejo e os filhos da PUC”. Eles eram os filhos da PUC.

Volto ao meu amigo. Em uma das casas em que ele parou, acabara de terminar uma reunião de um “coletivo do movimento negro”. Sem saber desse fato relevantíssimo, gritou “A culpa é de vocês”. A moça que conduzira a reunião saiu de sua casa, viu-os e, achando em sua paranóia que a moça de lençol branco simbolizava uma espécie de KKK, inflou-se de cólera anti-racista e pediu (ou pedirá, não estou ao certo) a abertura de uma comissão de sindicância (na verdade, provavelmente será uma comissão de processo sumário, que geralmente é chamada de sindicância, mas sindicâncias são apenas para funcionários) para puni-lo. Este querido sabiamente trouxe toda a responsabilidade para si.

É incrível a “mania de perseguição” que se desenvolve nesses movimentos de minoria:

— Machado de Assis é o maior autor negro da história

— Seu racista! (…)

Ela tornou-se lésbica porque ficou desiludida dos homens.

— Seu homofóbico!! (…)

— A natureza feminina é voltada aos cuidados do lar. Isso não impede… — no que sou interrompido:

— Seu machista!!!

O pior é que até pessoas que não consideram racista o seu ato condenam-o por motivos estapafúrdios. Mas vejam — volto novamente de uma dispersão –, esses movimentos de minorias estão criando uma predisposição à guerra, seja de raças, de sexos, de credos! Todos os negros “politizados” passam a ver nos brancos (e meu amigo em questão está muito longe de ser um caucasiano!) inimigos em potencial, descendentes de escravizadores (ah, se eu fosse levar meu parco sangue semita a sério…). Os gays, lésbicas e todas essas coisas aí vêem o “moralista” e acham que ele os odeia! Viva a tolerância, viva a sociedade plural, não devia ser por isso que os movimentos de minorias deveriam lutar?

E a pergunta que fica: como posso ter orgulho de algo que me foi imputado?

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No dia da consciência negra, que foi ontem, o ideal seria lembrar dos grandes homens e mulheres negros da história. No lugar disso, lembram dos medíocres. Além disso, um grande mulato (como a maioria dos grandes brasileiros: quase todos eram mulatos) seria lembrado em que dia? Não podemos lembrar dos mulatos no dia da consciência negra, negros eles não são. Nem brancos. Teríamos que criar o dia da consciência mulata, o dia da consciência mameluca, o dia da consciência cafuza, o dia da consciência oriental, o dia da consciência indígena, e por aí vai. Não dá, portanto, para lembrar de Machado de Assis ou Lima Barreto neste dia. Mas eu tenho, aqui debaixo da manga, um exemplo de consciência negra: uma mulher que, independentemente de cor, origem, situação social, econômica, deixou um exemplo para as gerações futuras e está, segundo a crença da Igreja, no céu no momento: Irmã Josefina Bakhita, ou simplesmente Santa Bakhita.

Santa Josefina BakhitaNascida no Sudão, Santa Bakhita foi raptada aos 10 anos de idade para ser escrava. Sofreu diversos maus tratos e o trauma fez-lhe esquecer o próprio nome: Bakhita é o nome que os seus senhores lhe deram. Em árabe significa afortunada. Foi escrava no Sudão e, depois de muito tempo, foi comprada por um cônsul italiano, o primeiro senhor que a tratou com respeito. Quando do fim de sua missão diplomática, Bakhita pediu-lhe que a levasse consigo para a Itália. Na Itália, o amor e a proteção que recebeu de Deus sentiu a necessidade de retribuir. Tornou-se irmã canossiana. Ela mesma escreveu:

“Irmãos, se estivesse de joelho por toda a minha vida, não diria nunca a minha gratidão ao Bom Deus. Estive raciada, batida, perseguida…entravi a liberdade e fui pretendida novamente, amarada a cepos e correntes… O meu corpo é toda uma cicatriz. Fui respeitada pelos leões da floresta, no entanto os homens me prendiam outra vez e me vendiam como coisa.
Todavia senti-me protegida por um Ser Superior, apesar eu não conhecê-lo. Sentia-o no coração sem saber quem Ele fosse. Porém, agora o conheço e sou toda dele.”

Conta-se que Bakhita freqüentemente orava pelos seus antigos senhores, não os culpando pelos atos que fizeram contra ela, já que eles não conheciam o Senhor, que Bakhita carinhosamente chamava de “Patrão”. No fim da vida, ela foi atormentada pela lembrança da escravidão e via-se presa por correntes. Suas últimas palavras foram “Nossa Senhora!”. Cativou a muitos, era conhecida como “Irmã Morena”, e o carinho que distribuiu foi retribuído na hora de sua morte: vários vieram passar com ela nos seus últimos momentos na terra.

Santa Bakhita jamais se justificou, nunca disse que sua oração era melhor ou pior por ter sido escrava, ou por ser negra. Soube fazer, de sua vida, de seu sofrimento, exemplo, carinho e santidade.

Referências:

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O pecado está em toda a parte, frutifica entre religiosos e leigos, entre fariseus e publicanos. Jesus nos mostra isso claramente no apedrejamento da adúltera. Aqueles homens, cheios de furor justiceiro, vendo que são também pecadores, retiram-se, começando do mais velho. O pecado, esquece-se a mídia e muita gente, também está nas igrejas, nas congregações, e nas associações de leigos.

Há algum tempo, não muito, imagino que uns 3 ou 4 anos, houve um furor relacionado ao Opus Dei: saiu um livro chamado “Opus Dei — Os bastidores”, que conta histórias terríveis. O linque para o site do livro, com alguns trechos, é este: http://www.jeanlauand.com/page0.html. Verídicas ou não as estórias narradas, não é esse o meu escopo. Minha experiência com a Obra (maneira que alguns chamam o Opus Dei) é pequena, assisti a algumas palestras e um curso em sedes dispersas, e conheci alguns membros.

Se ligamos esses acontecimentos narrados, caso verídicos, ao pecado do homem, a história termina aí: conhecemos o tipo de pecado a que estão mais propensos os membros da Obra. Cada modo de vida dá uma propensão a uns ou outros pecados, e isso é natural. Contudo, o contexto em que se insere o livro (uma fundação chamada Opus Livre, copiada da espanhola Opus Libros) pretende imputar essas falhas estruturalmente ao Opus Dei, e não a seus membros. Os problemas que ocorrem seriam, para essas pessoas, causados pelo que se constitui o Opus Dei.

Para quem não conhece o Catolicismo, faço um pequeno parêntese: quando Roma declara que um homem é santo, isso significa que ele já alcançou a Salvação, já contempla, agora e pela eternidade, a face de Jesus Cristo. A Igreja dá esse reconhecimento para pessoas que deixaram as marcas de sua santidade na terra. São Josémaria Escrivá foi declarado santo pelo mesmo motivo que todos os outros, e a marca de sua santidade é o Opus Dei.

É impossível dizer que o Opus Dei é “podre”, “ruim em si”, sem com isso discordar de Roma. A contrariedade à obra se converte, por um silogismo simples, em contrariedade ao catolicismo. Pois, se a obra que santificou um homem é ruim, ele não é santo, e portanto a Igreja erra. Se a Igreja erra, eu não posso crer nela, ter fé. Logo não posso ser católico. Portanto, quem diz defender a Igreja e atacar o Opus Dei ou está mentindo, ou foi enganado.

Reitero: não conheço o Opus Dei, mas quanto mais conheço São Josemaria Escrivá, mais tenho certeza de que é um dos maiores santos. Tenho poucas dúvidas de que será decretado doutor da Igreja em breve. E, para ilustrar, adiciono aqui dois vídeos:

http://www.opusdei.org.br/art.php?p=24905

http://www.opusdei.org.br/art.php?p=24621

Também, se quiser ler os livros de São Josemaria, há um site que os disponibiliza integralmente, sem custo, em Português e outras línguas. Comecei a ler o “Caminho”, e recomendo vivamente. Cá está o site:

http://www.escrivaworks.org.br/

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