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Archive for janeiro \26\UTC 2009

Malditos Românticos!

Amor é treino.

Uma nota se faz necessária. Amor não é um sentimento. Nunca foi. E quem acha que é, é idiota. Amor não é um fogo que arde sem se ver. Não é ferida que dói e não se sente. É no máximo um contentamento descontente, mas jamais desatina sem doer.

O processo para se saber amar é o mesmo daquele para aprender piano ou uma língua estrangeira. Treino. Pouco romântico, você diz? Danem-se os românticos! Muito intelectual? Jamais. Ninguém nega que há sentimento no “tocar piano”, mas só os emos e os ébrios acreditam que o sentimento faz prescindir da técnica (ok, e o Miró também, será ele emo ou alcólatra?).

Então, você começa com a “primeira valsinha”, ou seja, amar as pessoas mais próximas, quiçá a si mesmo. Raros são os que tocam as variações de Liszt sobre um tema de Paganini, assim como raros são os que conseguem amar seus malfeitores. Mas antes de apresentar a “primeira valsinha” em público, você tem muito treino (Czerny, Hanon e Cramer, por exemplo) pela frente.

E aí surge o problema: o treino é artificial, e é carregado pelo resto da vida. Todo pianista que se preze, toca o Czerny e o Hanon diariamente, até o fim da sua carreira (tenho certeza que você já escutou isto). Todo ser humano que se preze tem que praticar — ainda que artificialmente — o amor diariamente, até o último de seus dias. É estranho falar isso, já até causei polêmica num post semelhante, mas reitero: treina-se o amor, com práticas aparentemente artificiais. Por exemplo, dar esmolas. Você não sente nada por aquele mendigo, até quer que ele suma da sua frente, mas dá o um real pra ele comprar uma pinga.

Com o treino, você vai tornando amar uma coisa natural na sua vida, praticamente automática, como dirigir ou andar de bicicleta. Você não precisa mais racionalizar o ato, isso se torna até difícil. Esse é o segredo daqueles grandes que conhecemos, admiramos, e não sabemos de onde tiram tanta disposição.

Não sei onde li recentemente, que amar é atentar, onde está o seu amor, aí está a sua atenção. Você só presta atenção ao que ama, e só ama aquilo a que presta atenção. Porque o amor é entrega, e a atenção é dedicação do tempo, e é do tempo que é feita a vida, de nada mais.

Destarte, você não está amando nada, caia fora daqui agora, a não ser que você esteja a ler meu blogue por piedade para eu ter mais de dois leitores (o robô do Google e o gerador de feed do wordpress).

Reitero, amor é treino, como a boa educação e a etiqueta, como andar de patins. Errar faz parte, você pode destruir seu joelho, acontece, mas se ousar “na medida”, os erros serão menores e menos danosos. O treino deve se tornar atividade diária, cotidiana, lembrada.

***

Perguntam-me o que achei da Azul. Gostei. O atendimento é bom, embora o pessoal do check-in seja um pouco amador. O avião é bem confortável, com espaço entre as poltronas, e ela tem o serviço de bordo mais inteligente que eu vi, estilo “bar”: a aeromoça pergunta o que você quer beber, e depois traz, evitando passar com carrinho, impedindo a passagem, de um lado para outro. As bebidas são individuais: latinhas, caixinhas, copinhos. Nada de sanduíches: wafers e batatinhas. Os bancos são de couro, há um espaço maior que a média entre as poltronas, e o avião é bem estável (não tanto quanto os de maior porte, mas muito estável). Mas o que eu mais gostei foram dos detalhes, que fazem toda a diferença.

As aeronaves têm nomes, todos com “azul”, desde coisas ridículas como “O Rio de Janeiro continua Azul” até nomes bem interessantes como “A Liberdade é Azul”. As aeromoças usam um quepe gracioso (mas bem baratinho), só fora do avião, e o uniforme é clássico. A solicitude do pessoal é ímpar.

Se há desvantagens em relação a outras companhias? Várias: há poucas rotas ainda, o serviço é mais voltado ao tipo de viagens “de turismo”, como a Gol, ao contrário da TAM que é mais voltada ao tipo de viagens “de negócio”. Isso faz sim muita diferença quando você viaja a trabalho. Eles inventaram uma de falar “com tom natural”, assim: “Oi, tudo bom? Você já deve saber que a sua poltrona tem que estar na vertical, não é? Não esqueça também de abrir as persianas e botar o cinto, hein!” que é ridículo demais (ok, eu dei uma exagerada). Mas o saldo final é bem positivo, também por causa dos preços excelentes.

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Hoje começo uma nova empreitada aqui no blogue, qual seja, ter um post novo toda segunda-feira. Façam os seus bolões de quantas semanas isso dura. A idéia é aumentar o tráfego e me disciplinar, como um exercício (lembra da “parte principal” deste post?).

Peço desculpas pelo post incompleto mais cedo, terminei o post semana passsada e mandei publicar hoje, como disse, quero ter posts novos toda segunda-feira. Acontece que a conexão internet era por demais ruim, e o post não foi salvo desde a última edição. Como eu perdi tudo que havia escrito, e estava no Rio depois disso, acabei esquecendo de terminar o post. Espero que não se repita!

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azulJato

Dentro de alguns minutos vou embarcar em meu primeiro voo da Azul — linhas aéreas brasileiras, do mesmo criador da jetBlue, que é brasileiro de nascimento. O “centro de operações” deles, o seja, o “aeroporto deles” é aqui em Campinas.

Pegando voos nesta cidade durante todo o ano de 2008, percebi algumas coisas: há poucos voos, poucos destinos, e são sempre caros (pelo menos mais caros que em São Paulo). Oferta baixa, preço baixo, é a lei do mercado.

Campinas é um centro urbano importante, com uma excelente infraestrutura rodoviária, próxima da capital e de outras cidades chave. Esta região já foi chamada de Sillicon Valley brasileiro. O aeroporto de viracopos é sub-utilizado (pela regrinha semântica e abstrata da nova reforma, como em sub e utilizado mantêm-se, na consciência geral, com sentidos bem distintos, mantem-se o hífen — eu ainda me recuso a arrancar o trema e o acento diferencial de “pára”, o resto estou tentando seguir).  Há diversos ônibus diários para os aeroportos de Congonhas e Guarulhos, de forma que muitos habitantes de Campinas vão pegar voos em São Paulo, principalmente por causa dos preços, mas também pela maior variedade de destinos.

Operar incialmente em Campinas, a preços “de São Paulo” foi a grande jogada da Azul. Ela garante os passageiros daqui, criando um mercado novo, mas que pega clientes de um antigo. Ao mesmo tempo, cria promoções baratíssimas, que a sua principal concorrente (a Gol) copia. Nunca houve promoção da Gol para voos saindo de Campinas até agora. Para dar mais vazão a essas promoções, cria um ônibus gratuito de São Paulo (do shopping Villa-Lobos, lugar de fácil acesso e próximo à saída pra Campinas) para Viracopos.

A jetBlue fez muito sucesso por suas novidades e inovações, como voar mais devagar para economizar combustível. A Azul não fica atrás. É a primeira empresa brasileira a usar exclusivamente aviões brasileiros, o que é uma obviedade. Coloca quatro poltronas por fileira, duas de cada lado, eliminando o desconfortável “meio”.

Vou conhecer o serviço de bordo e o espaço interno agora. Depois eu falo deles. Mas o mercado aeronáutico precisa de concorrência e, mesmo que não goste da Azul (como não gosto da Gol), fico feliz om o seu aparecimento!

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Vagabundo!

Nauseabundo significa “tomado pela náusea”, moribundo significa “prestes a morrer”, vagabundo segue a mesma linha. Originalmente, vagabundo é aquele que vaga, que anda, vagabundo é quase um sinônimo de andarilho. Acontece que quem fica andando por aí é porque não tem afazeres o suficiente, daí a querer dizer, por extensão, “desocupado”, “quem não faz nada”. Ademais, uma mulher que fique a vagar a esmo era tida como alguém a quem não se dava o respeito, daí o sentido que “vagabunda” tem de lasciva.

Philologia é uma disciplina apaixonante e, déssemos valor a ela, faríamos uma reforma orthográphica que mantivesse o carácter etymológico das palavras. Soube que o tal do Bechara, o manda-chuva (agora é mandachuva?) da reforma (agora é re-forma?), é um dos dois doctores em philologia do Brasil, alguém casse a these dele?

Mas falava eu de vagabundagem. Eu sou um vagabundo, às vezes no bom sentido: gosto de andar, de vagar, para colocar os pensamentos em dia. Isso não é a coisa mais saudável do mundo, a vagabundagem, mesmo no sentido “clássico” do termo, é um defeito. É fugir dos deveres de estado. O que é muito diferente de uma caminhada planejada (essa palavra unificou ou em Portugal usa-se “planeada” ainda?). Mas, a pior é a vagabundagem de não fazer nada. Ficar deitado na cama, ficar no orkut, não fazer praticamente nada. E, às vezes, eu caio nela.

Certa vez falei aqui de Santo Expedito, “o cara que não procrastinou”. Todos nós inventamos desculpas e mais desculpas para procrastinar. Postar no blogue a respeito da vagabundagem é uma delas. Há diversas outras: “preciso conversar com fulano”, “preciso caminhar/correr pra cuidar da minha saúde”, “preciso comer pois estou com fome”. Aliás, a dinâmica da procrastinação é assaz interessante:

Se meu dever é fazer A, vou fazer B. Se, por outro lado, meu dever é fazer B, vou fazer A. Algum tempo usei isso a meu favor, entupindo-me de afazeres de forma que trabalhasse em um para fugir do outro, mas o que ficava por último… ah! coitado. Por diversas vezes ficou inconcluso. Nessas horas, parece que só uma motivação sobrenatural nos impele ao ato (com o acordo, poderei grafar “acto”?), às vezes nem isso, e aí devemos nos preocupar severamente!

Gosto por demais de um texto do Dr. Nuno Valente, psicólogo português, chamado “O que é procrastinação?“, que recomendo a todos que leiam.

Agora!

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