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Archive for the ‘música’ Category

O som mais sublime

Há poucos sons que me agradam tanto quanto a afinação de uma orquestra. São apenas vários instrumentos tocando algumas notas dispersas, mas a torrente de sentimentos e espectativas que eles suscitam são coisas inarráveis. Um vídeo no YouTube não é a mesma coisa, mas já dá uma boa noção:

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Na comunidade Católicos do Orkut, comunidade excelentíssima que a todos que queiram crescer na fé ou conhecer decentemente o Cristianismo Universal recomendo, surge uma pergunta: “O estilo de música rock é incompatível com o [C]ristianismo?”. A discussão também tomou feições de se rock era apropriado para a igreja ou não. Eis a minha resposta:

O Cristianismo é a sacralização do mundo, a sacralização do profano. Sacralização não significa divinização, se não caímos no panteísmo.

O que eu quero dizer é que tudo, do mundo, pode ser bom. A comida é dom de Deus, a gula é pecado. Os bens são dom de Deus, a avareza é pecado. A palavra é dom de Deus, a mentira é pecado. A força violenta é dom de Deus, a violência contra o próximo é pecado.

Os timbres e harmonias do Rock, essencialmente existentes desde a Criação, não são ruins em si.

Decerto é fato que a sonoridade tem efeito em nós. Todas as tradições religiosas sabem disso e escolhem tradicionalmente a sonoridade para o efeito que querem. Destarte, o canto gregoriano e a polifonia renascentista foram escolhidas, pela Tradição da Igreja, como apropriadas para a devoção, a adoração e o sacrifício do rito da missa.

No Hinduísmo e no Budismo, há toda uma sorte de mantras, com os efeitos estudados e muitas vezes comprovados. No Islamismo, no Judaísmo, na Umbanda, há música litúrgica que serve a alcançar um fim específico. No Cristianismo Universal, nem herético e nem cismático, Verdadeira religião de Cristo, havia uma tradição, o espírito almejado era alcançado, e por isso mesmo a música litúrgica tem que ser esta: Canto gregoriano e (com ressalvas) polifonia renascentista.

Mas, na mesma toada, volto ao Rock. A grande e única preocupação que se deve ter com a música secular é: a letra e o ritmo propiciam o quê? Um ritmo que propicie uma “sensualidade” ou uma “violência” não deve ser escutado em grandes manifestações a não ser que a pessoa “agüente o tranco”. Contudo, a sensualidade e a violência têm fins bons e, portanto, a música que incite isso não é ruim per se.

A outra preocupação não diz direito à música em si, mas aos músicos: não se deve idolatrar músicos, por melhores, mais bonitos e mais tocantes que eles sejam. Essa era uma grande preocupação do Papa Bento, que foi chamada pela mídia de “Rock é coisa do Diabo”. Como vemos, eles não perdem tempo em difamar o Santo Padre.

Ademais, qualquer canção que, em sua letra, use de mentira, idolatria (satanismo está aí incluso), vanglória, qualquer palavra pecaminosa deve ser evitada*. Mas não é o som da música que propicia o pecado aí mas a letra. E isso valeria para qualquer coisa escrita, não só letra de música.

E finalmente, para fechar minha fala em um círculo: toda a criação de Deus pode ter um uso bom. O rock pode ter um uso bom, excelente. Não é apropriado para o rito litúrgico e acredito que também não seja adequado para um grupo de oração ou uma procissão (opções nas quais eu fico com a música popular cristã tradicional: “Te amarei Senhor”, entre outras). Mas para uma devoção pessoal, para a pregação do Evangelho, ou mesmo para outros sentimentos profanos (mas sacralizados por Cristo) que têm uso para o bem, o rock não é nenhum problema.


* Eu costumo escutar um disco do grupo “Dream Theater” chamado “Scenes from a Memory” que tem letras “espíritas”, no sentido que advogam a reencarnação. Como eu disse, isso deve ser evitado. Eu escuto por gostar da música, mas devo acautelar-me de que não posso sair cantando tudo, pois estaria repetindo, mesmo sem acreditar em, falsidades.

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