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¡Adiós, amigos!

Este blogue hoje se aposenta. Foram 2433 dias (desde sexta-feira, 13 de dezembro de 2002), vários servidores, vários assuntos. Um dia ele teria que morrer. Esse dia é hoje, assassino-o.

Talvez escreva outras coisas, outros assuntos, em outros lugares. Se for o caso avisarei. Deixei vários rascunhos por terminar, infelizmente eles não chegarão a ver a luz.

Agradeço as mais de 50 mil visitas que algum dia por aqui passaram. Manterei os dados aqui, como registro. Continuarei a aprovar comentários por um tempo, depois decidirei se os liberarei de todo ou se fecharei as caixas para novos comentários. Por falar neles, se aprouver, deixe um tchau para o “Abafos e Desabafos” na caixa aí embaixo.

E, da maneira que terminei vários posts, termino este blogue. Obrigado por me ler, e até mais!

(e viva o Papa!)

Google is cheaper

O Google é, de longe, a empresa que faz os melhores aplicativos “cloud-based”. Google Docs (foi comprado do writely, não é 100% deles), GMail e, claro, a busca, são apenas 3 exemplos. Mas parece que a empresa se embanana quando a coisa é social.

O orkut, apesar de ser febre no Brasil, está muito abaixo em número de usuários do Facebook. O Picasa Web Albums não dá aquele “clima de sociedade” que dá o Flickr. No Flickr você se sente numa comunidade de fotógrafos, ele é “community-centred”, e a mesma  comparação vale para Blogspot e WordPress. Aliás, “nomen est omen”. Enquanto o blogspot é isso mesmo, um “lugar de blogues”, o WordPress é uma “(im)prensa de palavras”, um lugar mais social. No WordPress você tem vários mecanismos de “comunidade”, os blogues são elencados, você sempre é presenteado com os “posts do dia”, se alguém coloca um link pro seu blogue (trackback), aparece como comentário, etc. Faz muito tempo que eu não uso o Blogspot, mas mesmo que ele já faça isso, ele está “seguindo” o líder.

E o que o Google oferece em troca? Gratuidade. No Picasa Web Albums você pode colocar uma infinidade de fotos sem custo. No Flickr você tem um limite rigidíssimo e tem que pagar (é uma mixaria, US$ 30 por ano, acho) para não ter limite algum. Eu pago, e com muito gosto. Já o Blogspot deixa você fazer quase tudo no blogue, e o WordPress te limita horrores. Para adicionar funcionalidades no WordPress, você tem que pagar taxas anuais. Para poder editar o seu template, coisa basicíssima, paga-se. Para colocar em domínio próprio, paga-se. É claro que eu não pago nada disso e fico com essa coisa limitada.

A outra opção do WordPress é baixar o código (é software livre) e implantá-lo — sem restrição alguma — em seu próprio servidor. Isso tem suas desvantagens — atualizações de segurança manuais e todo o trabalho que isso implica. Eu já usei isso, mas deu um trabalho que não valeu a pena. Voltei pra essa coisa gratuita e limitada que, assim mesmo, é melhor que minha experiência com o Blogspot (não com o Blogger, que fique claro, que é um sistema excelente, quiçá melhor que o wordpress)

E é isso, foi só um rant mesmo.

Reflexo da Guanabara

As moças sempre se desesperam quando atrasa. Mas não se preocupem, rapazes. Aqui no Rio ficou um pouco mais difícil de postar. É a quarta vez que venho ao Rio neste ano e já tenho uma próxima viagem planejada, em agosto, para um casamento. O Rio tem algumas coisas que é preciso “ver para crer”, e vou fazer um amontoado delas aqui, com algumas reflexões breves e superficiais.

O metrô é caríssimo, custando R$2,80, contra R$2,20 do ônibus e R$2,35 do trem. Há vários tipos de ônibus, alguns mais caros. Achei que fosse livre concorrência mas, ledo engano, é só uma flexibilização maior. Há vans também, mas não sei seu preço. Por que o metrô é tão caro no Rio se ele atende tão poucos lugares e demora tanto a passar (mais de 8 minutos entre trens no domingo!)? Resposta: ele é seguro e não pega trânsito. O transporte público no Rio é muito mal planejado, o que leva a congestionamentos tremendos, apesar de uma engenharia de tráfego até um pouco melhor que a de São Paulo (o aterro do Flamengo, ao contrário das marginais, flui. Já não se pode dizer o mesmo da linha vermelha mas não é pior que as marginais também). O metrô é o único meio de transporte no Rio em que há a garantia de que você não tomará uma bala perdida. Por isso ele é tão caro.

Falando de transporte público, os trens atendem muitos lugares no Rio. Se fossem trocados por trens de média velocidade (60km/h) frequentes a coisa melhoraria muito. Outra coisa que melhoraria é uma melhor integração, como há em SP. Um cartão único que fizesse as contas dos preços das integrações. Cada integração custa um valor diferente e precisa de cartões diferentes, você fica maluco. O cartão do metrô não serve pra fazer integração no trem, o que me fez perder 3,80.

Um lugar pelo qual me encantei aqui foi a Biblioteca Nacional. Com um acervo gigantesco e uma sala de estudos excelente, é uma boa para estudar, ler, entre outras atividades intelectuais. Fiquei lá e li um pouco “A Descoberta do Outro” do Gustavo Corção, meu livro favorito. Foi bom relembrá-lo, já que o meu exemplar está perdido em algum canto.

O livro é um romance autobiográfico, escrito de maneira ímpar. Corção conta como a sua indignação perante às injustiças e superficialidades burguesas levou-o a um proto-marxismo (nas palavras dele, ele não gostava tanto do materialismo histórico, o seu lance era o “fígado do burguês”) e daí, com todas as suas experiências, ele pulou para a “descoberta do outro”, aprendeu a amar. Descobriu os detalhes. Nas palavras de Nelson Rodrigues, “Corção é todo amor”, e é fato. Em “A Descoberta do Outro” você descobre o que é, de fato, o amor cristão. Não é algo piegas nem sentimentalista. É algo que mesmo um engenheiro como Corção pode sentir.

Aliás, Corção era carioca. Contemporâneo de tantos outros. Durante muito tempo, a vida intelectual e cultural no Brasil se deu no Rio de Janeiro. Corção e Alceu, Nelson Rodrigues, Jackson de Figueiredo, Herberto Sales, Carlos Drummond de Andrade. E do Rio ainda surgiu Bruno Tolentino. Olavo de Carvalho no Rio morou por muitos anos. E não é por ter sido a capital brasileira. Qual a vida intelectual em Brasília? Zero. E Recife, que nos deu Gilberto Freyre e tantos outros, e nunca foi capital?

No Rio você pode viver uma vida medíocre de baixos prazeres, mas também galgar o que de mais alto se fez no Brasil. Os museus, as bibliotecas, os prédios do império, as peças de teatro, os concertos. Muitas vezes com aquele diletantismo acadêmico que é simulacro de cultura, é fato, mas uma alma atenta pode tirar disso o melhor, assim como um bom coador tira uma delícia de suco de uma laranja muito bagacenta. São Paulo também tem simulacros, mas tem menos cultura verdadeira. Essa que veio dos mestres e ficou impregnada no ar do Rio. Respira-se cultura por aqui, e não sei explicar isso direito. Mas sinto-o desde a primeira vez que pisei nessas paragens. Senti o mesmo em Recife, aliás.

(post incompleto postado com um atraso estupendo!)

Sei…

Uma das coisas que o Olavo de Carvalho mais ressalta a seus alunos é a questão da honestidade intelectual. Honestidade intelectual é dizer que sabe o que se sabe, e que não sabe o que não se sabe. Mas a coisa é mais profunda.

Quanto sabemos de algo? Temos certeza? Achamos provável? Verossímil? É meramente possível? O Olavo separa os graus de certeza nesses quatro, e isso é essencial para se conhecer qualquer coisa. Quantas vezes dizemos que “temos certeza” quando não temos? “Tenho certeza que isso não vai acontecer” e, batata! Acontece. Ou então “estudei esta fonte e nela aprendi que isso é assim, como estudei, tenho certeza!”. E assim vai.

O primeiro passo e saber categorizar tudo que sabemos e que não sabemos, como diz o Olavo, fazer o “inventário” dos nossos conhecimentos. Vamos descobrir que temos certeza absoluta de pouquíssimas coisas. Que reputamos várias como prováveis, inúmeras como verossímeis e uma infinidade como possíveis.

Em cima disso, ele desenvolve a teoria dos quatro discursos. Não vou entrar em detalhes, mas falar apenas de alguns detalhes. A cada grau de certeza corresponde um dos discursos aristotélicos: analítica, dialética, retórica e poética. Quando lemos algo em nossos estudos, e aquilo tem coerência interna (retórica), geralmente ele entra no nosso rol de conhecimentos como verossímil. À medida que recebemos dados de várias fontes, dados contraditórios, que nos colocam em dúvida, nossa mente faz o confronto dialético entre eles e vai surgindo uma certeza maior, a da probabilidade. E a maior parte dos nossos conhecimentos nunca passará daí. Teremos certeza de pouquíssimas coisas nessa vida. Mas um grau altíssimo de probabilidade é quase uma certeza.

Nesse ponto, devemos seguir o conselho de Sócrates (ou seria de Platão?): “verdade conhecida é verdade obedecida”. Do contrário, seremos hipócritas. Devemos viver segundo o que “acreditamos” (não num sentido de crendice, mas segundo nossa reta razão julgou provável), para que saibamos julgar se aquilo é, de fato, verdadeiro ou falso. É o julgamento da realidade sobre as crenças. Não é mais a nossa mente que separa o verdadeiro do falso, mas a realidade faz isso por nós.

Se dizemos que um conhecimento provável é uma certeza, meteremos os pés pelas mãos (principalmente se ele for falso). Viveremos de maneira errada e não prestaremos atenção ao que a realidade nos diz sobre aquilo. Do contrário, se dizemos que um conhecimento provável é verossímil (por exemplo), não o submeteremos ao teste da realidade, e não chegaremos a certeza alguma. Por isso é preciso, diariamente, com retidão e sem escrúpulos julgar cada coisa que acreditamos, e saber com que grau de certeza. Esse é o princípio de todo conhecimento racional.

Tigris Pantheræ Oculus

Falava, há duas semanas, da alegria na estafa. E o tema é tão interessante que vou continuar nele.

Rocky (vamos ficar só no primeiro, mas vale pra todos) não teria graça nenhuma se o sr. Balboa começasse espancando e terminasse espancando. A grande diferença de Rocky para os outros filmes de luta até então, é que ele não apanha “para não perder a graça”. Ele apanha porque é fraco, e perde a luta final. Mas vence, porque seu objetivo era simplesmente aguentar os 15 rounds.

Mas, o que interessa, é que ele luta com ardor, mesmo vislumbrando a derrota. E isso que o motiva. Quando em situações ruins, desanimadoras, tiramos vontade do nada para fazer o que temos que fazer, ficamos alegres. Essa alegria de agir na aridez é uma daquelas coisas que “não tem preço”.

Lutar, quando tudo nos tira a vontade, é uma das coisas mais difíceis. A primeira luta a ser vencida é conseguir lutar. Mas essa primeira já tem a sua recompensa. A alegria de começar a lutar quando tudo vai contra nos motiva para continuar lutando. Podemos perder, como Rocky perdeu, mas sairemos vencedores. Viver é lutar, e a vitória está precisamente na perseverança nessa luta, independentemente do resultado final. Buscaremos a vitória até o último instante, e nisso está o nosso cinturão.

RIP

Aquele professor, sentado, assistindo à minha palestra, fez-me a pergunta mais difícil. Ele morreu há exatos um mês e um dia. Naquele fim-de-semana em que ele morreu, e em que eu voltei a viver, descobri a resposta. E ele também, na Glória da onisciência divina.

Francesco Langone foi um professor exemplar, um sorriso sempre cativante, exemplo de reta conduta, trabalho duro, ordem, amor pelos alunos e pela ciência. No dia em que ele faleceu, ofereci-lhe várias pequenas obras. Ele retribuiu-me com o mês mais consciente de minha vida. Se eu não acreditasse no post mortem, e na comunhão dos santos, ainda assim poderia dizer que ele pode inspirar a humanidade com seu exemplo, com tudo o que viveu. Mas ele pode muito mais que isso hoje. Pode interceder por todos aqueles que, como ele, querem salgar o mundo com trabalho e alegria.

Requiescat in pace, Francisce!

***

Um comentário breve: é assaz importante que estejamos atentos ao que a realidade nos diz. Na vida acontecem pequenos eventos, muitas vezes marginais, mas que podem servir de régua da nossa moral. Que servirão para sabermos se estamos no caminho certo, como placas que encontramos numa estrada que, mesmo sem dizer exatamente onde estamos, servem a confirmar o nosso caminho. Essa docilidade aos acontecimentos, às vezes até ruins, é condição indispensável para uma vida virtuosa.

Testemunha sem acusação

Correndo, não aguento mais, não vou conseguir terminar o trecho. Bota Pantera pra tocar. Empurra que vai. Chega. Consegui.

Se não fossem esses momentos, nenhum jogging valeria a pena. O exercício só vale a pena na estafa. Só vale a pena quando você não consegue — ou acha que não consegue — passar de certo limite e se mostra enganado, quebrando-o. A vitória nos alegra, e nos motiva para a próxima vez. Mas é a possibilidade da derrota que nos motivou desta.

Mas não é a endorfina o segredo de tudo. Às vezes parece que só tem proveito aquele “restinho” que achávamos que não íamos conseguir. Aqueles cinco minutos a mais de estudo, na estafa, que nos fizeram entender a matéria da prova, aqueles dez minutos a mais de trabalho no desânimo que resolveram o nosso problema. Sertillanges fala algo como isso, que só o estudo “martirizante” que nos leva a aprender algo.

A zona de conforto nada nos dá. É só quando saímos dela que ganhamos algo. Se, ao fazer musculação, eu não sinto dor, não vou ganhar músculos. “No pain, no gain“, já dizia o maior professor de fisicultura (sim, o Arnold é professor universitário) que já existiu. Se eu quero que meu músculo cresça, eu tenho que “mostrar pra ele” que a força que ele tem não é suficiente. E eu faço isso exigindo dele mais do que ele pode aguentar. Se eu quero aprender algo novo, eu tenho que estudar aquela parte que dói (dói não perdeu o acento, né?), que não entra na cabeça de jeito nenhum. Na prática, é isso que eu não sei, o resto eu já sabia e apenas lembrei.

Continuemos: se eu quero crescer moralmente, eu tenho que fazer aquela coisa que é devida, mas que me repugna: pedir desculpas a alguém que eu morra de vergonha de fazê-lo, levantar da cama enlevado pela “melhor parte” do sono.  Temos ajudas, naturais (como botar Pantera no iPod) e sobrenaturais, quando temos a disposição, o assentimento, em passar dos nossos limites.

Ou do que acreditávamos ser limites.

***

Viri Galilæi, quid statis aspicientes in caelum?

A solenidade da Ascensão do Senhor, celebrada ontem, é minha festa litúrgica favorita. Por vários motivos, um deles sendo a ela ter sido composta a mais bela polifonia de todos os tempos por Palestrina. Outro é a quantidade de mistérios que ela encerra. Toda a economia salvífica parece que está presente nesse episódio. Mas não é disso que eu quero falar.

Os discípulos ficaram olhando pra ascenção, babando, “admiramini“. Eis que chegam dois anjos e os avisam, não é para ficar babando, tudo segue como dantes. E eles voltam a Jerusalém, cum gaudio magno, pra continuar cumprindo o seu dever. Para uma pessoa cristã, a vida piedosa deve ser alimento. Ao beber das fontes sagradas, ao contemplar e adorar a Deus, isso deve enchê-la de energias (sem nova era, pelamordedeus!) para cumprir os seus demais deveres, para encontrar o sentido de sua vida e viver segundo ele, sem adiamento nem fugas. E é a isso que nos impele a Ascensão.

Happy happy Helloween

Suite Charlotte Pike é uma grande canção. O que mais me surpreende nela é a alegria verdadeira que ela exalta. Escute os primeiros dois minutos or so:

Repare como a banda ri e se diverte (o áudio, claro, ignore o vídeo) ao fazer a sua jam. Perceba a alegria das hamonias.

Estão cumprindo o seu dever. Viram que seu papel no mundo é ser músicos. Inspirar a mesma alegria que têm nos outros. Outros sentimentos, outras vontades, entreter, virar assunto, e tudo que um bom músico pode fazer pelos demais. Na gravação, um processo por vezes tedioso, é difícil manter-se com uma disposição viva. Muitas gravações se tornam “foscas”. Mas, para quem tem uma determinada virtude, isso não ocorre.

Essa virtude é a esperança. A esperança não é querer ganhar uma geladeira do Sílvio Santos, como se acreditou em grande parte dos anos 80. Esperança, colocada da forma mais simples que eu consigo, é a plena certeza de que a verdade é boa e o erro é ruim. A esperança nada mais é que a identificação entre bem e verdade, entre ἀγαθία e ἀληθῆ. Viver na verdade torna-nos felizes, viver na mentira nos deprime. Ao viver na verdade, isto é, cumprir o nosso dever, deve surgir uma profunda alegria.  É uma confiança na justiça, pois fazendo o bem, tornar-nos-emos felizes.

A esperança não é plena sem a fé. E a fé não é plena sem esperança. Fé não é crendice, fé não é superstição, fé não é acreditar cegamente. Fé é confiança. Confiança no quê? Na verdade. Mas isso não é a mesma coisa que a esperança? Quase.

A fé consiste em saber o que é verdadeiro e o que é falso. E temos que confiar em diversas coisas que podemos atestar mas não comprovar. Atravessamos pontes sem saber engenharia civil, e não nos detemos perante elas até ter certeza de que sua estrutura nos aguentará. Vivemos sem ter prova matemática de que nossos sentidos nos dão a exata percepção do mundo. Mas a razão nos diz que é melhor nos nossos sentidos do que duvidar deles. Melhor confiar na ponte que não chegar a Niterói ou à USP. A razão sustenta a fé e, sem termos fé, não chegamos a conhecimento algum: a fé sustenta a razão.

Sem saber o que é verdadeiro nem falso (sem ter fé) não podemos esperar receber benefícios de viver segundo a verdade, pois sequer a conhecemos: não teremos esperança. Sem ter confiança em que a verdade é boa (sem ter esperança), jamais poderemos conhecê-la (nem confiar nela), pois só buscamos (e confiamos em) aquilo que é bom: não teremos fé. E é isso, uma vida verdadeiramente feliz depende da fé e da esperança. E a felicidade faz nascer a alegria verdadeira. A fé e a esperança não se perdem, porque são tautológicas. A verdade é verdadeira (óbvio) e a verdade é boa (óbvio), mas às vezes nos esquecemos disso.

***

Educação moral é um termo que faz algumas pessoas (principalmente aquelas na meia-idade, que tiveram aulas e mais aulas de “educação moral e cívica”, que não era educação moral nem educação cívica) tremerem. “É coisa de militares”, “de reacionários”, “de beatas”, et cetera. Concordo em parte, educação moral não é coisa pra se ensinar em escola, muito menos do jeito que se ensinava por estas bandas.

A educação moral é dada por familiares, por amigos, e pela vida mesma. São eles, e nenhuma escola, que incitarão o amor pelo bem, ensinando a “pegar gosto” pelas coisas boas. Não canso de citar o Julio Lemos:

«Veremos que o melhor é ser melhor: crescer em cada uma das virtudes, até os mínimos detalhes, aprendendo a ter prazer naquilo que é bom, e não naquilo que agrada só aos sentidos. § O resto é picaretagem.» (LEMOS, J., Feliz Nova Dieta: Futher details on how to get ICEMAN on your license plate, Blogspot: Blogger, 1997.)

Não deixe de ler o Raubkapitalismus, dele também, também. Essa “educação moral” faz nascer no educando outra virtude, que consiste no agir segundo a fé e a esperança. E não citarei seu nome para não cair no mais antigo clichê que já inventaram.

Volta o cão arrependido

Fulaninho faz cara de tristonho pra Ciclaninha e fala: “tô arrependido”. Ciclaninha acredita, e eles são felizes para sempre.

Ache alguma verdade na frase acima.

Acertou quem falou que não há nenhuma verdade. Nem Fulaninho se arrependeu, nem Ciclaninha acreditou, mas ficou com medo de ficar encalhada, com uma vida assim não foram felizes, muito menos para sempre. Fulaninho sequer tristonho ficou. E, o mais importante, arrependimento não tem nada a ver com tristeza.

O arrependimento tem mais a ver com o intelecto que com os sentimentos. O arrependimento brota do coração no sentido em que se usava até se descobrir o cérebro. O que chamamos de coração hoje, outrora chamava-se de rins. Do coração viriam os pensamentos (e o sangue) e dos rins os sentimentos (e a urina).

Quando você está arrependido, não lhe brota uma tristeza, um “pô, que triste”, isso se chama escrúpulo, ou, na melhor das hipóteses, ressentimento. Quando você está triste, pode até surgir um “Putz, fiz merda”, mas surge outra ideia junto: “não quero fazer isso de novo”. Repare: é “não quero”, e não “não devo”. Não é uma imposição, nem consideração teórica, é a sua própria vontade. A sua vontade o acusa e o impele.  Quem só acusa é o demônio. Quem só obriga é o tirano. Só a vontade livre (e só é livre se está plenamente submissa à Verdade) pode acusar e impelir. Se obriga, obriga apenas moralmente.

Você percebe o que é o arrependimento quando se dá conta dos seus erros, mesmo que não seja logo em seguida, sabe que são erros, odeia-os, pensa em como não repeti-los, age e para de pensar no assunto. Se o erro causar dor e o fizer chorar, sabe que o choro não é arrependimento. Rapidamente o engole, e bebe as lágrimas como se fossem um Red Bull.

Não brotou uma lágrima daquela torpeza que você fez? Melhor assim, fique só com a melhor parte. Rabo entre as pernas é coisa de cachorro. Lamúrias são coisas de mulherzinha (e só as zinhas mesmo; ou acaso consegue você imaginar a deusa Vênus, arquétipo do feminino, a se lamuriar?). Homens (e mulheres) trabalham, agem.

São Tomás de Aquino não tinha o Google. Nossas bisavós não tinham telefone. Einstein não tinha periódicos acessíveis por um índice eletrônico. O que faríamos sem forno, sem microondas, sem internet, sem computador, sem máquina de lavar, canalização de água, de esgoto, sem revólveres, sem telefone, telégrafos, aviões?

Muita coisa.

É da folga moderna ficar limitado pelos meios. Podemos render mais que São Tomás de Aquino em suas pesquisas. Rendemos? Podemos derrotar, com uma arma de fogo, mais inimigos que Joanna D’Arc. Derrotamos?

Estava a ler “A Vida Intelectual”, do famoso Pe. Sertillanges, e ele comentava sobre a vida em família. A edição que tenho é da década de 40. Falava que se juntava a família em calma à noite, para ter um breve colóquio, às vezes o esposo tomava uma obra filosófica para ler e meditar, enquanto a família lhe fazia companhia silenciosa e tranquila. Na hora me veio à mente: “ele fala isso porque à época não existia televisão, que maravilha!”.

***

Escuso-me da falha na semana passada, e não sei se manterei postando sempre às segundas-feiras. Mas apareçam, meus dois leitores, na próxima segunda-feira.

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Algumas pérolas lapidadas e alguns diamantes polidos:

“Será sensato, será normal deixar o investigador no gabinete de trabalho, ter assim duas almas: a do trabalhador e a do homem folgado que circula?” — Sertillanges

“Viver na presença de Deus é viver na presença da Verdade. Não só saber que Deus o vê mas também ver a Deus nas verdades manifestadas no mundo”

“Não haveria um só pagão, se nós fôssemos verdadeiramente cristãos” — São João Crisóstomo

Vai encarar?

Lendo o Novo Testamento, reparei que quase todas as curas de paralíticos e ressurreições são seguidas de trabalho por parte do beneficiado. A sogra de Pedro foi ressuscitada e passou a servir os apóstolos. O mesmo Pedro mandou Enéias “arrumar-se” depois de curar-lhe a paralisia das pernas.

Não adianta nada, e nisso os ateus estão certos, ficar pedindo milagres em vez de trabalhar para alcançar o que se quer. Os dons do Sabedoria (como Salomão chamava a terceira pessoa) são gratuitos, mas ela quer que façamos jus a eles. Para que fazer-nos andar se for para ficar parados? Para que nos ressuscitar se é para não servir aos outros? Para que nos dar inteligência se não para usá-la para o bem? (não esse “sou do bem” descolado de hoje em dia, que até o Suplicy consegue ser, mas aquele bem que os gregos identificavam com a verdade e a beleza)

Para solucionar o natural, não receberemos milagres não. Quererá Deus que usemos todos os milagres que já recebemos: a vida, a saúde, a força, a inteligência. Tudo isso são milagres. E, quando sobrevierem necessidades sobrenaturais, o milagre terá que ser retribuído de nossa parte, se não de nada adiantará.

E Deus, ao contrário de nós, não perde tempo.

Tanti auguri, Benedetto!

Um brinde do Papa

Um brinde do Papa

Não esquecerei da cerveja alemã e das orações!

Sem conservantes

Conservar algo é quase tão difícil quanto conquistá-lo. Vejamos os campeonatos de boxe. O lutador conquista o cinturão e outros tentarão tomá-lo dele. Terá que continuar a vencer as lutas para mantê-lo consigo. Ou peguemos Arnold Schwarzenegger. Esses dias apareceu uma foto do governator na praia, sem camisa, cheio de pelancas. Ele que já foi Mr. Universo. Obviamente ele não continua a fazer musculação no ofício de governador. Ou o estudo de línguas. Se não praticamos uma língua dela esquecemo-nos. Quando terminar o estudo de italiano, se partir para o de francês igorando-o, em breve esquecê-lo-ei.

Qualquer atividade que empreendemos, devemos pensar na aquisição e na conservação. Tem aquela estatística dos regimes: depois que as pessoas emagrecem, a maioria volta a engordar. Porque se esquecem que devem conservar depois.

No fim, o esforço de aquisição foi só perda de tempo. É claro que há aquelas atividades, como andar de bicicleta que se diz que não se desaprendem. Há de se estudar as peculiaridades e as diferenças, e entender a natureza das aquisições para, assim, poder conservá-las adequadamente.

***

O tempo seria inútil não existisse a morte. A morte é ontologicamente anterior ao tempo. Só há tempo porque há morte. Ou há morte e tempo, ou nem tempo e nem morte. Por isso existe a vida finita e a eternidade.

A morte, já o disse, é a guia da vida. Só porque morremos é que temos afinco. Se tivéssemos «tempo infinito», poderíamos fazer tudo com calma. Os ateus são mais trabalhadores e dedicados que os reencarnacionistas. Os agnósticos adquirem mais virtudes que o povo da «sola fide». Os reencarnacionistas acreditam ou em vidas sucessivas até atingir uma «iluminação» ou algo parecido, ou em um número finito e maior que um de vidas após o qual virá o juízo. Os ateus e agnósticos acreditam que morrerão, e quando morrer passarão a ser húmus, que é uma espécie de cocó. Então ou hão de «praticar a sexualidade» num carpe diem rasteiríssimo, ou deixar «um mundo melhor para seus filhos», por nutrir-lhes um amor gratuito, que não sabem de onde vem, mas decerto o sentem.

Partamos da idéia de Leibniz, de que a realidade não poderia ser melhor do que é. Mais de uma vida é inútil, porque uma e três vidas são igualmente insignificantes em relação à eternidade. Assim como o limite de 1/n e 3/n quando n tende a infinito é igualmente zero. Ademais, o que é melhor, ter uma vida de 60 anos ou três de 20? Sendo que na de 60 anos você vai acumulando sabedoria em vez de voltar duas vezes à «tábua rasa»? Poderá responder o contendor que três vidas de 60 anos permitiriam mais progressos que uma única de 60. Mas Deus, destarte, nos daria 180 anos, volte ao Leibniz lá.

Vamos à outra hipótese: Deus nos daria tantas vidas quanto precisássemos para cumprir uma determinada «missão». Ora, seria melhor cumprir a dita missão rapidamente do que demoradamente, mas a escolha divina não seria pedagógica. Ao nos dar «tempo infinito», não nos daria incentivo algum. Se o tempo não for infinito, voltamos ao caso do parágrafo anterior, igualmente irracional. Ainda poder-se-ia argumentar que alcançaríamos a felicidade plena tão logo cumpríssemos o dever, então isso seria incentivo para cumpri-lo logo. Quanto a isso podemos dizer: um dever no mundo está sujeito às restrições do mundo. Então seria um dever determinado no tempo. Se voltamos depois, teríamos outro dever, e Deus não pode mudar de idéia, não é mesmo?

Só a hipótese da vida única faz sentido lógico e real. Só a hipótese da eternidade faz sentido teleológico.

Per inspirazione

Thomas Alva Edison cunhou a famosa frase de que a genialidade é 99% perspiração (existe em português, embora prefiramos “suor”) e 1% inspiração. É claro que é um chiste, mas é assaz verdadeiro.

Se ficamos esperando um lampejo divino, um toque da Providência, uma luz se acendendo repentinamente para cumprirmos um trabalho criativo, nada ocorrerá. A luz não virá, as trevas permanecerão, nada será feito. Se trabalhamos meio sem rumo, mas com algum objetivo, ainda que fosco, o “mal-contato” vai se desfazendo, a luz surge aos poucos e conseguimos. Nem sempre com genialidade, mas conseguimos “resolver” o que queríamos, ainda que mediocremente.

Quando nos deparamos com um problema de solução criativa, devemos usar a técnica do Chuck Norris: encará-lo até que ele nos dê a resposta. Não precisa ser ininterrupto. Após encará-lo um pouco (afinal, não somos o Chuck Norris, o problema não vai tremer de medo de nós), podemos nos prender em outra atividade contanto que voltemos depois ao problema. Sim, computeiros, nosso cérebro trabalha em background.

Algumas vezes vim ao blogue para postar sem ter muita idéia do quê. Ainda mais agora que me impus a postagem toda segunda-feira (e ontem falhou, vejam só!).  E, trabalhando em cima do post que vinham as idéias, as “sacadas”, o fluxo dos argumentos. Comecei os 99% enquanto esperava o 1%. Às vezes o 1% não vinha, mas é melhor um post sem inspiração que nenhum post.

Aliás, essa é outra regra para ajudar: pouco é melhor do que nada. Corolário interessante: chegar atrasado é melhor do que não ir. É claro que não dá para levar a ferro e fogo isso. Para escrever um post que não vai interessar a ninguém, melhor não escrever, claro. Assim como chegar no vestibular atrasado e dar com o nariz no portão é tão ruim como sequer ir.  Mas entre escrever algo que seja de interesse de alguns poucos e não escrever nada, é claro que devo optar pela primeira alternativa.

Falta de inspiração não é desculpa para não fazer um trabalho criativo. Comece o trabalho, mesmo com rendimento baixo, fazendo as bordas, aquilo que não precisa de inspiração (e é 99% do trabalho, lembre-se!). Aos poucos você pode ser brindado com o 1% restante.

Desculpa meio esfarrapada

Não estudo porque minha escrivaninha está bagunçada. Ela está bagunçada porque não tenho onde guardar as coisas. Não tenho onde guardá-las porque a estante lotou e estou sem dinheiro para comprar uma nova. Essa situação é fictícia, mas retrata muito bem uma situação comum.

Quantas vezes não deixamos de fazer algo porque não dispomos dos “meios” ideais para agir. Aí ficamos a esperar: só posso estudar decentemente depois de comprar o livro, só posso empreender mais esta atividade depois de liberar tempo na agenda, só posso tomar banho quando voltar a luz. Esquecemos que podemos estudar por apostilas e/ou nossas anotações, esquecemos de todo o tempo livre que jogamos fora, esquecemos que até que está um dia quente e um banho frio nem cairia tão mal assim.

Ou seja, tudo desculpa esfarrapada. A busca pelos meios é um saco sem fundo. Não que não devamos buscar os meios, mas isso não pode ser pré-requisito para “nos virarmos”, do jeito que der por enquanto. Na grande parte das vezes, a busca por meios é uma bela duma desculpa para procrastinar.

A idéia é perseguir o objetivo verdadeiro sempre, sem tomar como restringente a falta de alguns dos meios, sem confundi-los com os objetivos, ao mesmo tempo que se os vão galgando.

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Ok, isso não é tudo. Apaga as três estrelinhas aí atrás. Por que diabos queremos meios? Não existe meio sem fim. Se meu fim é estudar história, e eu estudo história na cama ou no trono muito bem, eu não preciso organizar a minha escrivaninha (é claro que organizá-la vai tornar o meu ambiente mais agradável e facilitar outros estudos, isso não é desculpa para que ela vire a pile of debris).

Quando temos um fim em mente, devemos estudar todo o seu processo de aquisição, necessidades e alternativas. E, feito isso, ter o caminho bem guardado, e não se distrair com “pseudo-meios”: coisas que são úteis, mas não pro que nós queremos. Às vezes precisamos de perseverança, às vezes até de coragem. Para alcançar um fim nobre, podemos ter que fazer sacrifícios, negar-nos temporariamente, piorar nossa situação por um momento. Mas, se de fato queremos o que achamos que queremos, vale a pena, decerto.

Então vamos lá. 1) Preciso mesmo disso pro meu fim almejado? 2) Qual era mesmo o meu fim? 3) O que eu de fato preciso para alcançá-lo, o que é meramente útil? 4) Vou ser macho pra encarar o que for preciso? Respondendo tudo isso, fica mais fácil — não automático, mais fácil — dirigir adequadamente nossos sentidos, sentimentos, pensamentos e vontade. O resto é desculpa.

Hoje é rápido

Em verdade, em verdade eu vos digo: quando arrumardes vossos recintos, não façais como certos blogueiros, que separam os papéis em pilhas e, depois, quando sobrevem o cansaço e querem dormir, retornam todos os papéis não descartados a caixas, desperdiçando o seu trabalho. Do contrário, que cada coisa que tomardes em vossas mãos só possa ter dois destinos, o descarte em um lugar secreto ou o seu receptáculo definitivo. Só assim agireis conforme o Espírito, que odeia o caos.

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O italiano é um povo tão exagerado que isso se manifesta na língua. Para manifestar exagero, aumento, há, entre outras que ainda não aprendi, as seguintes palavras: molto, troppo, pìu, proprio, così. O estudo vai bem, com algumas falhas aqui e ali mas, de resto, segue o rumo!

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A técnica de escrever um necrológio de si, como foi ensinada no curso do Seminário de Filosofia do Olavão, consiste no seguinte: imaginar que você morreu, *capoft* e alguém fará um elogio seu a outrem. Considere que você foi quem você quis ser, alcançou o que quer alcançar, e descreva essa pessoa. Isso é excelente para testar os objetivos de vida, medi-los, incentivá-los. Eu tenho um probleminha com isso. Uma certa descrição do meu mapa astrocaracterológico diz:

«O indivíduo percebe qualquer indício de contradição, de incoerência, nos seus planos de vida. Ele próprio argumenta contra esses planos, argumentando que estão muito acima de suas capacidades ou que, uma vez realizados, não lhe trarão qualquer satisfação real.»

Pois foi exatamente a sensação que tive ao ver o resultado do meu trabalho: nem conseguiria, com minhas capacidades, alcançá-los nem me pareceu satisfatório. Bom, DyA, vamos seguir em frente e continuar pensando no caso.

O interessante desse exercício é que pode ser feito para qualquer período de tempo, não apenas a vida inteira. Por exemplo, para o ano de 2009, e períodos sucessivamente mais curtos até chegar ao minuto atual. Nesse ponto, o indivíduo não faz mais nada que não queira*. Vou tomar um tempo e fazer um para este ano também, mas primeiro vou ver se melhoro o da minha vida inteira.

No último parágrafo do meu obituário, lê-se: «Tinha dois grandes amigos: a Graça e o tempo, este último com quem tanto brigara.» Queira Deus!

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*Eu falei «queira», de «querer». Mas não é a palavra ideal. Em italiano temos o «volere», que significa querer, mas com a mesma raiz «vol-» do português «volição», ou seja, para onde a vontade está dirigida. O «querer» não indica se é um ato do desejo ou da vontade (embora, no italiano, seja usado o «volere» para atos de desejo também, a etimologia é clara), então não conseguimos ser precisos.

Um exemplo bobinho. Eu não desejo arrumar os meus papéis, mas tenho vontade de ter o meu quarto arrumado, e essa vontade se volta para a arrumação. Se disser que «quero» arrumar meu quarto, não estarei mentindo, mas serei impreciso.

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Espaço para os nossos patrocinadores!

A Vivi está vendendo belíssimos ovos de Páscoa a preços excelentes! Eu já encomendei os meus.

Juntando tudo: para conseguir cumprir os planos de vida, e os planos simples como o último que falei, recomendo um livro chamado «Controle Cerebral e Emocional» do padre jesuíta Narciso Irala. Parece-me a melhor obra de auto-ajuda já escrita na história da humanidade. Sim, è pìu proprio troppo così buonoÈ eccelenti, ottimo, magnifico! Há copiosas cópias em sebos por aí, cheque a Estante Virtual, e há edições novas a partir de R$28,00.

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