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Filtro de comentários da Folha #FAIL

Quando a paranoia de evitar linguajar chulo evita palavras importantes
no debate.

Ou: “Que mente suja, Folha! Vê putaria em tudo!”

Posted via email from Depósito de tralhas

Feliz aniversário, Bento XVI

Avenida Atlântida

Enquanto o Rio se afunda em prejuizos e águas de chuvas, de maré e do
choro daqueles que perderam casa, amigos e parentes, os políticos
ficam com uma postura melhor do que o habitual, mas ainda assim ruim.
Afirmam as falhas da cidade mas se preocupam em se eximir de
culpabilidade e falar que é demagogia e oportunismo atacá-los agora.
De outro lado, opositores fazem de fato demagogia e oportunismo, mas
não podem ter o seu direito de criticar uma falha de gestão real
tolhido.

Estando a morar no Rio por sequer 6 meses, não tenho muito a dizer.
Estudei um pouco da história da cidade nos meus primeiros dias por
aqui. Minha paixão pelo Rio merecia ser transformada em amor maduro,
que conhece e estima, agora que a Cidade Maravilhosa se tornou a minha
casa. Nisso, nutri uma admiração profunda pelo Carlos Lacerda, um
homem que parecia amar de verdade o Rio de Janeiro e fez tudo o que
pôde pela urbe fluminense. Ganhei do ex-prefeito César Maia, um homem
público com muitos méritos e muitos deméritos, uma obra fantástica
sobre o Lacerda governador, que ora leio com gosto.

Fecho o parêntese. É fato que um homem público como o Lacerda é coisa
dificílima de se encontrar. Temos que agir de forma a tirar o melhor
possível dos oportunistas que se revezam no trono governamental.
Fazemo-lo criticando, apontando falhas, fazendo barulho, de forma que,
por vergonha, crédito à própria reputação ou sobrevivência política,
corrijam os políticos as falhas que cometem.

Neste momento eu tenho que bater numa tecla incrivelmente clichê. E eu
odeio clichês.

Obras de estrutura são necessárias, mas não aparecem e não dão voto. O
volume de chuvas foi irreal, é claro, mas o alagamento que vimos foi
igualmente irreal. Os asfaltos das ruas são incrivelmente irregulares,
não facilitando o escoamento. Há inúmeros bueiros entupidos, ou são
insuficientes. As galerias pluviais não tem o tamanho necessário.
Qualquer chuva mais forte e mais longa alaga certos pontos da cidade,
que todos sabem quais são. Aqui em Botafogo, a Voluntários da Pátria
vira um rio. A Praça da Bandeira, no centro, vira um lago. Todos sabem
disso.

Botar a culpa no Paes? Justo. Merecem também a culpa César Maia e
Conde, Marcelo Allencar, Jamil Haddad e Saturnino Braga. Todos os que
governaram esta cidade e relegaram ao segundo plano o necessário
invisível. Mas vivamos com as armas que temos. Critiquemos o
incumbente. Não dá para ficar num sebastianismo carioca, esperando
Carlos Lacerda num cavalo branco brandindo um plano para o Rio. Mas
podemos esperar uma política mais digna. Torço por isso.

Enquanto isso, podemos restaurar a marchinha:

Rio de Janeiro,
cidade que nos seduz,
de dia falta água,
de noite falta luz

Posted via email from Depósito de tralhas

Não comprem um Fiat!

Repasso mensagem de meu amigo Thiago Serra.

———- Forwarded message ———-
Boa noite a todos,

Estou mandando este e-mail porque me sinto feito de idiota pela Fiat
depois de comprar um Palio zero e já ter ido duas vezes para a oficina
tentar resolver um problema de infiltração. Segue o link da reclamação
no reclameaqui.com.br, mas eu colei o texto todo depois dela pra ter
certeza que o máximo de pessoas poderá lê-lo. Alguns de vocês eu não
tenho tido muito contato recente, e é uma pena, e não quero que nenhum
de vocês passe pela dor de cabeça que estou passando com essa
empresinha.

http://www.reclameaqui.com.br/564928/amazonas-leste-ltda/palio-novo-molha-o-p…

O primeiro carro novo a gente nunca esquece. Principalmente quando
logo no segundo dia você descobre uma infiltração que deixa o tapete
do passageiro submerso. Aliás, uma infiltração companheira: ela não
abandonou nosso Palio mesmo depois de duas idas à oficina, de muitas
horas perdidas de sono e de trabalho e de várias ligações confusas ao
atendimento da Fiat.

Na primeira vez, eu ainda imaginava que aquele vendedor sorridente e
disposto a fechar negócio daria um jeito de me ajudar. Eu liguei para
ele, expliquei como foi chato o que aconteceu e como eu iria ter
problemas se ficássemos sem carro durante o conserto, mas o máximo que
consegui dele foram dois números de atendimento e a informação de que
não poderia fazer mais nada pra me ajudar.

Como funcionam esses números? Bem simples: um serve pra botar a culpa
no outro. Depois de algum tempo, as regras ficam claras: primeiro você
leva o carro pra arrumar com a ajuda de um deles (o do atendimento da
Fiat) e só depois que você ficar na rua por ter deixado o carro no
conserto é que você liga para o outro número pra eles avaliarem se te
dão ou não um carro reserva (o serviço Confiat), o que pode levar até
3 dias para acontecer.

Comprei esse Palio na concessionária Amazonas da avenida Sumaré (em
São Paulo), que não me ajudou em nada e era longe pra deixar o carro
no conserto. Liguei em outra revenda, a Sinal da Bela Vista, que era
mais perto de casa e na qual me disseram que não tinham espaço pra
pegar carro com infiltração naquela semana. Resolvi, então, tentar um
outro lugar, no qual eu não precisaria esperar o carpete de meu Palio
novo mofar, e fui até a Itavema, de Santo André, onde ao menos poderia
pegar um carro emprestado de um familiar.

Assim que devolveram o carro, peguei outra chuva e, para minha
surpresa, novamente o carro ficou cheio dágua. E não apenas isso, como
agora o filme do vidro possuia buracos. Me ligaram da Fiat para
avaliar o serviço com uma nota de 1 a 10. Dei ZERO. Me ligaram da
Itavema pra saber o motivo e eu expliquei. Algum tempo depois, o
funcionário que recebeu a nota baixa me ligou pra que eu mudasse minha
avaliação dele, porque iria prejudicá-lo. E eu com isso? Fiquei uma
semana com carro emprestado, perdi 4 horas pra levar o carro na
concessionária em horário comercial e, ao final de tudo, tinha um
Palio no qual entrava água e um mecânico querendo tirar satisfação
comigo.

Voltei à Amazonas pra falar com a Andrea, a gerente de novos, e o
Laércio, que vendeu o carro. Primeiro conversei com o Laércio sobre a
situação e lhe disse que queria trocar o carro. Ele disse que tudo
bem, mas que ele teria que avaliar o carro pra saber quanto ia me
custar trocar por outro novo. Parece piada! Depois de ver que não
chegaria a lugar algum com a gerente, liguei para o Procon dali mesmo,
o que foi bem difícil porque ela ficou dizendo ao fundo que eu estava
mentindo, atitude um tanto insólita vindo de uma profissional. O
atendente do Procon foi solícito e me disse que eu precisava de duas
ordens de serviço decorrentes do mesmo problema pra pedir a troca ou a
devolução. Deixei o carro para consertar lá na Amazonas por falta de
opção. Quanto ao filme com buraco, eles ainda queriam cobrar para
trocar, então deixei quieto. Nós só queríamos que isso se resolvesse
pra continuarmos nossa vida, que já é bem corrida com trabalho todo
dia e pós-graduação ocupando várias noites da semana.

Recebemos o carro de volta no mesmo dia e passei 2 meses temendo pegar
uma boa chuva. Eis que ela veio nesse feriado e, de novo, tenho um
carpete molhado. Fizemos a opção de comprar um carro novo para não
termos problemas com oficina, mas esse Palio deu mais problema do que
muitos carros usados. Liguei para o vendedor pra agradecer por todo o
apoio que recebi depois que ele teve a comissão dele, aproveitei para
avisar que agora sim vou ao Procon. Também liguei para a Fiat
esperando alguma sensatez, mas não é isso que se obtém de atendimentos
telefônicos que dependem do humor do atendente.

A história é mais longa do que isso, mas para entrar em todos os
detalhes seria necessário muito mais do meu tempo e do tempo de todas
as pessoas que espero lerem isso. O que recebi da Fiat em troca de
confiar na marca foi desrespeito. Não pretendo transformar novamente
os ganhos do meu trabalho em um patrimônio feito de qualquer jeito por
uma empresa que trata um problema desses como algo banal e sem
importância. Só quero meu dinheiro de volta pra comprar um carro que
possa pegar chuva: seja Ka, Celta ou Gol. Mas Fiat, nunca mais!

Comprova-se mais uma vez que a máxima é verdadeira: “FIAT – Fui
Iludido, Agora é Tarde”.

Posted via email from Depósito de tralhas

Tobackspfeife

Bach – Aria ''Sooft ich meine Tobackspfeife'' BWV 515aKlaus Mertens, baritone
Ton Koopman, harpsichord

Encontrei esta incrível performance no blogue "A Espectadora", da "Tanja Krämer", que deveras recomendo.

This post should have been written in German, but since I don't know a word of German (apart from musik), it's being written in English and Portuguese. But I really haven't got much to say, except that I really liked the moustache guy with the pipe. First verse follows.

Sooft ich meine Tobackspfeife,
Mit gutem Knaster angefüllt,
Zur Lust und Zeitvertreib ergreife,
So gibt sie mir ein Trauerbild –
Und füget diese Lehre bei,
Dass ich derselben ähnlich sei.

Posted via email from MVSICA

Follia

Guitarist Cem Duruoz plays Mauro Giuliani's Op. 45 Folias (Folies d'Espagne) variations. From a 2003 performance at the Presidio Chapel in San Francisco.

Hi folks, this is the first issue of MVSICA, a blog about great music. A post a day, a great tune a day. Mostly antique, forgotten treasures. But it's not restricted to it. And MORE:

Anyone can contribute easily. Post a song to me. If it's great (on my own reasoning, sorry!), it will be posted as soon as possible. How to do it? Just attach a music or a video to an email, and post it to post@musarum.posterous.com. You can also put an youtube or vimeo link. Policies:

– The subject must be descriptive about the song, preferrably its name. I am breaking the rules right now!
– Please write on the first line the title, the composer and the performer names.
– If it's a video link, put it right after this.
– You can write about the song afterwards, in any language, Klingon included.

Thanks for the visit, and have a great Easter.

Posted via email from MVSICA

Esculápio, o deus da medicina na mitologia grega (comecei longe para
cacete, para falar de vacinas) tinha duas filhas: Higéia e Panacéia. A
primeira está ligada às boas regras de bem viver: bons ares; bons
alimentos sem excessos; atividade física; descanso apropriado;
moderação em geral (aquilo que os cristãos chamariam de temperança).

Panacéia, estava ligada ao uso de recursos terapêuticos (ervas, sais,
poções, beberagens etc) para corrigir problemas, curar moléstias e
recuperar a saúde, ou seja, voltar à condição normal ou de equilíbrio.

A primeira, portanto, está na linha das regras de promoção da saúde
que vocês comentaram, no sentido de tornar o indivíduo mais resistente
aos fatores de desequilíbrio e a segunda aos métodos de cura quando
isso acontece.

As vacinas entram na definição de “proteção específica”, porque são
voltadas para riscos definidos. Obviamente, como tudo que se introduz
no organismo, dependem de um balanço de risco, ou seja, no fundo de um
cálculo de custo benefício. O ideal seria que o risco fosse zero e o
benefício total, mas, infelizmente, o mundo não é assim tão simples.
Em alguns casos o cálculo é mais fácil. Por exemplo: a vacina de
raiva, que tem uma característica singular, é aplicada “depois” do
acidente que expôs o paciente ao vírus. É uma vacina desconfortável e
cujas complicações não são desprezíveis, mais por conta do meio de
cultura. O melhor meio é embrião de pato. Pelas suas características
(tempo de carência inferior ao tempo de latência da doença (que é
fatal) ela salva a vida do contaminado. Pela mesma razão e pelos
inconvenientes não se usa preventivamente, até porque a maioria das
pessoas não se contamina por raiva animal.

Há vacinas de vírus mortos e de vírus atenuados, como a febre amarela,
usada em áreas de risco e que oferece certa freqüência de efeitos
colaterais.

A maioria das modernas vacinas é feita pelo método do RNA recombinante
(engenharia genética), ou seja, molde para produzir anticorpos
pré-definidos a partir da cópia de uma das hélices do DNA do
microorganismo. Portanto, é “impossível” causar a doença. É uma
macromolécula sob encomenda e não mais um microorganismo, nem atenuado
nem assassinado para extrair o antígeno.

O cálculo que se faz no caso da vacina anual de gripe é, por um lado,
econômico (redução de absenteísmo laboral) e por outro preventivo de
complicações mais comuns em idosos, principalmente, ou outros grupos
de risco, quando a conseqüência da gripe pode ser mais grave. É uma
vacina, portanto, de importância secundária. O que ocorre no caso
desta, H1N1 é que pela primeira vez uma variante nova de vírus vem
sendo rastreada mundo a fora e apesar da muito baixa letalidade atinge
(por ser novo) muita gente virgem de imunidade e causa um certo número
de mortes. Se não houver vacinação, principalmente dos que parecem
mais expostos às complicações, o rastilho vai desaparecer com o tempo,
mas algumas pessoas pagarão o preço. A relação custo benefício,
friamente calculada, é pouco favorável à vacinação, exceto pelo custo
político da cobrança.

O que infelizmente existe (isso é coisa antiga) é um antagonismo
ideológico sem pé nem cabeça às vacinas, vistas como instrumentos do
mal, e que produzem uma enxurrada de sub-literatura científica ou
mesmo pseudo-científica e que as pessoas mais preocupadas acabam
ajudando a disseminar. Já vi muita gente boa e basicamente sensata
embarcar nessa. Parece que uma das fontes de exorcismo às vacinas vem
da ultra-extrema-direita americana: vem do governo, portanto é do
demônio! Os sanitaristas de esquerda gostam, então só pode ser
sacanagem. Acontece que esses esquerdinhas só falam e fazem demagogia
sobre vacinas; quem as produz são cientistas de verdade e os
laboratórios que, é claro, ficam muito felizes em vende-las em grandes
lotes para os governos. Mas não que sejam inúteis ou perigosas.

Como eu vivi o tempo (pré-vacinação) de várias moléstias, como sarampo
e difteria, por exemplo, que matavam crianças como moscas nas
enfermarias, fico um tanto irritado quando ouço essas conversas. Eu
era residente de infecciosas quando houve a epidemia de meningite A em
São Paulo; devo ter feito milhares de punções liquóricas, e acompanhei
a queda brusca de casos após a vacinação maciça, comprada na França e
que, por sinal, demorou (era muito caro). Há naturebas que alegam que
a força da epidemia ia se esgotar de qualquer modo. Claro que ia,
depois de matar mais uma quantidade enorme de pessoas.

Portanto, em resumo:

– Vacinas são uma das mais extraordinárias contribuições científicas
para a humanidade; mudaram o perfil de mortalidade e a demografia;
extinguiram doenças, como a varíola e a paralisia infantil, por
exemplo;

– Como tudo, podem oferecer alguns riscos, em geral de pouca monta,
umas mais outras menos, e as mais modernas bem menos;

– É altamente recomendável fazer toda a vacinação básica das crianças,
além de outras mais recentes, como hepatite A e B por exemplo. Estas
são sintéticas;

– Aquela conversa de que a ONU vai esterilizar a população com
aditivos postos em vacinas é uma das idéias mais ridículas que já
ouvi, até porque não conheço substância capaz de esterilização
permanente depois de uma dose ou duas; se fosse possível, muita gente
tomaria voluntariamente;

– João, desculpe, mas aquela vózinha dinamarquesa ou é uma grande
vigarista ou completamente pirada; tudo isso é tão pseudo-científico
quanto o aquecimento global que você abomina.

– Quanto a contaminantes químicos, como o caso do mercúrio, se houver
é irrelevante. O tal efeito acumulativo, como para qualquer tóxico, só
acontece quando se absorve continuamente um produto de forma mais
rápida do que o organismo pode excretar. Acontece com metais pesados,
mas depende de dose e tempo. Aí deposita e acumula, como o mercúrio
elementar continuamente inalado em certos ambientes laborais. O mais
famoso é o tratamento do feltro por mercuriais inorgânicos (Chapeleiro
louco da Alice no pais das maravilhas). Até uns 40 anos atrás se usava
mercuriais como medicamentos para certas doenças graves, em doses que
podiam ser tóxicas. Mas traços de mercúrico ou methiolate (se houver)
são toxicologicamente desprezíveis como contaminantes de uma dose
isolada de vacina. Se as coisas não fossem assim estaríamos lascados,
porque a maioria das substâncias andam pelo mundo sem nos pedir
licença em microdosagens. Todos os metais pesados, todos os solventes
orgânicos etc, no solo, no ar, na água e tudo mais.  “A dose faz o
veneno” já dizia Paracelsus (1493-1541).

Pessoal, desculpem se me alonguei, mas essa mania anti-vacinas me
irrita e resolvi escrever tudo uma vez e só. Espero ter ajudado. O
fato do Temporão ser um idiota não interessa. A vacina H1N1 tem
importância limitada mas, como já disse, a minha filha grávida,
portanto num grupo onde as complicações são mais freqüentes, eu
recomendei que tomasse logo.

Posted via email from Depósito de tralhas