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Posts Tagged ‘crime’

Algumas pessoas mais novas do que eu não chegaram a brincar de “Polícia e Ladrão”, mas a brincadeira é bastante simples. Um grupo é “a polícia” e outro grupo “o ladrão”. O objetivo da polícia é pegar o ladrão e do ladrão fugir da polícia. É mais uma variação do “pega-pega” e do “esconde-esconde”. Uma brincadeira à moda antiga em que o objetivo é correr pela escola, pelo parque, e ter uma desculpa para isso, um subterfúgio, um pano de fundo racional, de uma racionalidade infantil, é claro! Há algumas variações, com revólveres de dedo et cetera.

Brincar de polícia e ladrão além de ser saudável (é um exercício físico, coisa cada vez mais rara entre os infantes) ajuda a consolidar alguns valores: de que é dever da polícia pegar o ladrão, e que o ladrão vai querer fugir da polícia se não quiser ser preso. Ensina justiça e tolerância: a verdadeira, que consiste em ver o outro lado, não defendê-lo sabendo do seu erro. Eu rezo para que nenhum juiz resolva proibir a brincadeira de “polícia e ladrão” (como proibiram as armas de plástico, o que é, pelo menos, compreensível).

Apesar de imaginar o contrário, talvez alguém que me leia nunca tenha jogado “Counter Strike”. Este jogo, que roda em cima de outro jogo (o Half-Life) consiste em uma coisa muito simples: formam-se duas equipes: terroristas e contra-terroristas. O objetivo dos terroristas é ou explodir uma bomba, ou manter reféns, ou outros que eu não lembro. O objetivo dos contra-terroristas é impedir que a bomba seja “plantada” ou desarmá-la, resgatar os reféns mantidos pelos terroristas, et cetera. As caras são diferentes, os gestos são diferentes e até as armas são diferentes. Quem joga como terrorista agora pode jogar como contra-terrorista na próxima. É um polícia e ladrão do século XXI, no computador. Dizer que isso incentiva “táticas de guerrilha” é o mesmo que dizer que “polícia e ladrão” incentiva a insubordinação, ou mesmo o roubo. Chamar o jogo de violento é fechar aos olhos ao que passa no cinema, não estamos mais na década de 30, oras! Especular que o jogo gera empatia pelos terroristas é o mesmo que banir “O Poderoso Chefão” por gerar empatia aos mafiosos (eu até achei Vito Corleone bacana) ou “Meu nome é Johny” aos traficantes “playboys”. Assim sendo, deveríamos banir metade do cinema e da literatura nacional, que faz apologia do banditismo às claras.

Mas isso é besteira minha. O meritíssimo Carlos Alberto Simões de Tomaz decreta o banimento a um jogo inofensivo porque induz à subversão da ordem social. Por que não proíbem as apologias da maconha em músicas? Aposto o meu órgão sexual que muito mais gente subverteu a ordem social por causa de “Planet Hemp”, “Gabriel, o pensador(sic)”, “Skank” e “O Rappa” do que por Counter Strike, geralmente jogado por nerds babões (como eu) que sofrem para matar uma barata. Mas não, pregar que se fume e venda uma substância ilícita, pode. (Agora, cantar “eu bebo sim, e estou vivendo” é politicamente incorreto, fumar cigarro de tabaco, pior ainda, defendê-lo então, logo dará cadeia).

“Sr. juiz! Pare agora!!!”. Presta atenção no que faz mal à sociedade!!! Dos garotos que entram no tráfico todo dia, aposto que nenhum jogou Counter Strike. Há gente matando, trucidando, abortando, viciando, e suas meritíssimas não fazem nada. Agora fazem perder tempo de agentes de justiça com uma medida que só fará tirar uma diversão de jovens sedentários. Fora da lan house, de repente eles encontram um “bagulhinho bom” ou uma “bala da boa”. A culpa será sua. Ademais, se sua meritíssima sempre perdia quando brincava de polícia e ladrão, a minha diversão eletrônica não tem nada a ver com isso. Vá enxugar gelo, perde só o seu tempo.

Post-scriptum:

1) Alguns dizem que o motivo para a proibição do jogo é um cenário no Rio de Janeiro, no qual os terroristas (traficantes) seqüestraram agentes da ONU e os contra-terroristas (policiais, mas ia ser bacana fazer uma roupa de BOPE pra eles) têm que resgatá-los e são recebidos a bala. Já joguei, e é muito bem feito, toca samba de maconheiro e funk de criminoso no fundo. Se isso é motivo para proibir, vamos proibir o Jornal Nacional!

2) Meu amigo Leonardo Lopes, o tio Leo, matou a charada: “Essa é a vantagem de ser juiz… você nao quer ver seu filho jogando CS (Counter Strike), proíbe que o país inteiro jogue…”

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Muitos cristãos não têm uma noção muito simples: “todo mundo” é pecador. A modernidade, a “ateização” da sociedade, leva a ignorar muitos dos pecados, tornando quem escolhe ter esses “santos”, e cria uma compensação: há certos pecados proibidíssimos. Não me confundam, há sim uma escalaridade na gravidade dos pecados. Mas hoje, nesse mundo da “paz mundial”, versão moderninha do paz e amor hippie, o pecado proibido é a violência, mesmo que não seja uma violência pecaminosa. Jesus Cristo, que jamais pecou, se hoje fizesse um chicote para expulsar os vendilhões do templo, seria atacado pela mídia.

Guerras são necessárias. Mataram teus amigos e vizinhos e vão te matar. Pecado é não agir de forma violenta para impedir: peca-se por omissão. E nas guerras, violência é o método. Deus nos deu a ira e a força violenta para usarmos em caso de necessidade. Acontece que o usuário dessas forças é um pecador, e pode usá-las de maneira errada mesmo com reta intenção. Aí entra a “ética moderna” e crucifica-o.

No filme “Tropa de Elite”, os policiais do BOPE são violentos, têm até um pouco de sadismo, mas agem com a reta intenção de acabar com o tráfico, ou pelo menos reduzi-lo ou ainda contê-lo. São pecadores como eu, você, ou o maconheiro da esquina. Os traficantes, muitas vezes, agem por sadismo. São pecadores como todos nós, mas o pecado deles destrói vidas e impede os demais de prosseguir na virtude. Devem ser impedidos, e (reitero!) só podem ser impedidos por outros pecadores.

Nos anos 70, os EUA sofreram um surto de violência “gratuita” terrível. Não vou explorar as origens disso, vá ler o Olavão. A reação veio: Charles Bronson e o “Desejo de Matar” e Dirty Harry, o policial honesto, intransigente e violento, interpretado por Clint Eastwood. Capitão Nascimento — protagonista de “Tropa de Elite” — é o nosso Dirty Harry. Seja bem vindo!

Na primeira metade do filme, Nascimento marca muito ao dizer: “Eu sempre me pergunto: quantas crianças a gente tem que perder pro tráfico só para um playboy rolar um baseado?”. E bate, estapeia, humilha, tortura, ao mesmo tempo que chora, se condói, comemora e agradece. É a personagem mais bem construída que vi nos últimos tempos: ele é intensamente humano, plenamente pecador, mas age pelo que considera justo e correto. Não é um santo nem um demônio, não é um animal nem um “espírito evoluído”: humano. Choca-se com seus atos? Ora, olhemos para a nossa vida, para a nossa vileza! Será que o que fazemos não é tão ruim quanto?

“Tropa de Elite” é um filme excelente. Queira Deus seja o início uma reação como a que houve nos EUA nas décadas de 70 e 80. Eu li em um artigo de opinião no Estadão que ele abria uma nova era no cinema brasileiro: a era da pirataria (para quem não sabe, o filme será lançado dia 12 de outubro, mas já pululam cópias por aí) cinematográfica. Que o filme possa não ter apenas esse marco.

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Um grupo, “Stop Islamization of Europe” (traduzido por mim livremente para “Detenha a Islamização da Europa), promoveu uma passeata (você ouviu falar?) contra a islamização européia e a favor da democracia e da liberdade de imprensa. A manifestação foi proibida pelo prefeito “pela integridade dos manifestantes”. Eles a fizeram da mesma forma e foram presos. A maior prova de que a Europa está islamizada, já que manifestações pró-Islam e anti-E.E.U.U acontecem sem maiores imprevistos. Quando da proibição, eles publicaram um manifesto que faço questão de traduzir.

Uma manifestação européia pacífica que quer proteger nossos preciosos valores europeus, como democracia e liberdade de expressão, foi banida por uma pessoa! Um prefeito na capital da União Européia: Bruxelas. O ano é 2007.

Esta manifestação poderia chatear a comunidade muçulmana na cidade, então o prefeito disse que não poderia garantir a segurança pública. E estava, portanto, banida.

Deveríamos obedecer a decisão do prefeito? Se formos assim mesmo, seremos tachados de criminosos pelos políticos e pela mídia?

Vemo-nos como bons e pacíficos cidadãos, que não têm problema em obedecer as regras em nossas sociedades democráticas. Sim queremos obedecer as regras, queremos obedecer nossas regras de liberdade de expressão, nossas regras de direito à congregação pública, essas são nossas leis democráticas (Especialmente. artigos 11 e 12). E são nossos direitos também, que neste momento estão sendo suprimidos.

De fato, ao contrário, seríamos criminosos se recuássemos agora e obedecêssemos a decisão do prefeito, pois daí obedeceríamos as “leis da violência”. Este é o motivo pelo qual a manifestação foi proibida: por causa de ameaças de violência! Por que deveríamos obedecer uma proibição baseada em ameaças de violência por contra-manifestantes?

Pensamos em prazos maiores. Se aceitarmos essa proibição, faremos o objetivo de parar a islamização mais difícil ainda no futuro, então nós de certa forma aceitaremos que muçulmanos têm o direito de ameaçar com violência e, desta forma, o poder de evitar que manifestações pacíficas aconteçam no futuro.

Esta não é a hora de ser “legal”. Novamente pensamos em prazos maiores. Escolher ser legal e cidadãos obedientes neste assunto específico pode salvar nossa pele, mas ao mesmo tempo lançamos ao futuro da próxima geração os problemas. Como se lançássemos lixo poluente no mar ou no solo, para a próxima geração tratar dele, em vez de o tratarmos nós outros aqui e agora. Em respeito a nossos netos.

De fato, ajudaremos a islamização ainda mais se obedeceremos agora ao prefeito. Os muçulmanos que ameaçam com violência verão isso como uma vitória. Eles saberão que os europeus são facilmente assustados, e poderão usar essa estratégia no futuro.

Ao invés, obedecendo nosssos direitos democráticos, nós ajudamos as pessoas que têm que lidar com a islamização em seu cotidiano. Eles poderão ver que há algumas pessoas corretas que estão dispostas a se levantar e lutar sua batalha, uma luta que eles podem não enfrentar sozinhas por medo de perder seu emprego, medo da violência, medo da marginalização, etc: Nós estamos a dar esperança às pessoas pelo futuro, e não vamos e não podemos recuar.

Não obedeceremos as leis da violência, obedeceremos as leis da democracia e da liberdade de expressão!

Esteja na história! Esteja lá!!

Poderia haver mais gente assim no Brasil…

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Luto Estou de luto. Por duzentas pessoas que jamais vi. Estou enervado, como raro estive. Eu aceitei o mensalão, aceitei o mensalinho. Aceitei pontes que ligavam nada a lugar nenhum e bois alagoanos com preço exorbitante. Não posso aceitar o que acontece. Há menos de 10 meses, 175 pessoas morreram. Hoje, as estimativas são de duzentas.

Há seis meses, as pistas de Congonhas entraram em reforma. Uma de cada vez, para não fechar o aeroporto. Em dias de chuva, o aeroporto era fechado, fato que começou depois de incidentes sem vítimas. A reforma não terminou. O aeroporto, contudo, foi liberado sem ressalvas numa medida irresponsável e assassina.

A pista era propícia à aquaplanagem. Tentarão culpar o piloto, já está morto mesmo. Não há americanos para culpar agora. Dirão que o avião pousou muito tarde, então por que nada desse naipe acontecera antes?

Não há desculpas. Não há como escapar. Quem liberou a pista sem restrições deverá responder por homicídio doloso de duzentas pessoas. Ou isso, ou podemos decretar o Brasil como reino da morte. Aqui ela impera. O maior índice de homicídios per capita do mundo. A maior cafajestagem aérea do mundo.

Inferno Essa é a imagem. Inferno. É nisso que vivemos. Essa é a manchete dos principais sites de notícias de toda a América.

Não dá! Não dá de jeito nenhum para continuar dessa maneira. Como um governo que assassina por inépcia e irresponsabilidade populista mais de 350 pessoas em questão de meses se mantém de pé? Não é politicagem, não estou defendendo nem o valor mais importante na vida: a liberdade. Estou defendendo a própria vida! Não pude deixar de me emocionar quando soube que uma mãe perdera dois filhos no vôo. Perder um filho é uma dor tão grande, que entristeci-me grandemente só ao cogitar perder dois. Quantos não sofreram tão mais que eu, um mero espectador?

Assassinos! Quantos mais haverão de morrer para saciar tua sede de sangue inocente?

Post-scriptum: Saiu a desculpa oficial, qual seja, o avião fez um pouso normal e quis decolar de novo. Mentira! O pouso foi autorizado, a torre permitiu a decolagem de outro avião assim que o avião da TAM tocou o solo (o que é de praxe em um aeroporto movimentado como Congonhas), mas ele não conseguiu frenar e a outra decolagem foi cancelada. Ouviremos nos próximos dias as mais esfarrapadas desculpas. Pela honra das vítimas, por respeito a seus familiares, não acreditemos! Basta de engolir mentiras!

Post-post-scriptum: Mais um desabafo: http://blogdobertrand.blogspot.com/2007/07/quem-vai-para-cadeia.html

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