Nunca antes neste país, vítimas de um acidente foram tão desrespeitadas. A preocupação do governo é uma única: se livrar da responsabilidade do acidente (http://www1.folha.uol.com.br/folha/brasil/ult96u313166.shtml). Não bastasse isso, Marco Aurélio Garcia, braço direito de Lula, e seu assessor (com cara de estudante de jornalismo da USP, desculpem os que realmente forem, mas o estereótipo é irresistível) comemoram uma notícia que talvez os beneficiasse na mais importante empreitada. Veja o vídeo abaixo:
Por mais que um reversor não estivesse funcionando, o avião não teria problemas em pousar, como já pousara outras vezes antes do acidente. O mínimo que esperávamos dos governantes era sobriedade. O mínimo. Mas, para eles, nós somos números durante quase quatro anos e eleitores perto das votações. Como disse o Reinaldo Azevedo em um hai-kai negro:
É isto!
Pega um avião.
Relaxa e morre.
Será que alguém no governo ainda respeita pelo menos a nossa vida?
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A crise aérea é, principalmente, culpa dos governos federais. Mas a responsabilidade não é só deles, hei de fazer justiça. Em São Paulo, Congonhas seria tão movimentado se houvesse um trem de alta velocidade para Viracopos ou um metrô para Guarulhos?
Isso é uma coisa que tem que ser cobrada, é fato, mas não explica o acidente. O acidente se deve, muito provavelmente, à situação de Congonhas, conhecida pelos pilotos como “Holiday on Ice”, graças ao fato de ser extremamente escorregadia. A pista não estava em condições para chuva forte, e a INFRAERO deveria tê-la fechado naquela situação. Se isso fosse feito, 200 pessoas não morreriam, e isso é inegável.
Alguns defensores de Lula não conseguem enxergar isso, que é óbvio. A tragédia pode ter várias causas, mas se a pista fosse fechada em tempo de chuva, já que o grooving ainda não tinha sido efetuado, aquelas pessoas estariam vivas, famílias não teriam sido destruídas, o sofrimento não teria tomado conta do país. E mais, depois desse desrespeito inegável, os blogues de Mino Carta e Paulo Henrique Amorim estão quietos. O primeiro está tentando culpar a atual prefeitura de São Paulo pelo posto de gasolina que está próximo à cabeceira da pista há mais de 20 anos. O segundo está defendendo Lula como pode, sem dar a mínima para as vítimas, passadas, presentes e futuras.
A tristeza deveria diminuir com o tempo, mas há gente que só a faz aumentar…





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