Amor é treino.
Uma nota se faz necessária. Amor não é um sentimento. Nunca foi. E quem acha que é, é idiota. Amor não é um fogo que arde sem se ver. Não é ferida que dói e não se sente. É no máximo um contentamento descontente, mas jamais desatina sem doer.
O processo para se saber amar é o mesmo daquele para aprender piano ou uma língua estrangeira. Treino. Pouco romântico, você diz? Danem-se os românticos! Muito intelectual? Jamais. Ninguém nega que há sentimento no “tocar piano”, mas só os emos e os ébrios acreditam que o sentimento faz prescindir da técnica (ok, e o Miró também, será ele emo ou alcólatra?).
Então, você começa com a “primeira valsinha”, ou seja, amar as pessoas mais próximas, quiçá a si mesmo. Raros são os que tocam as variações de Liszt sobre um tema de Paganini, assim como raros são os que conseguem amar seus malfeitores. Mas antes de apresentar a “primeira valsinha” em público, você tem muito treino (Czerny, Hanon e Cramer, por exemplo) pela frente.
E aí surge o problema: o treino é artificial, e é carregado pelo resto da vida. Todo pianista que se preze, toca o Czerny e o Hanon diariamente, até o fim da sua carreira (tenho certeza que você já escutou isto). Todo ser humano que se preze tem que praticar — ainda que artificialmente — o amor diariamente, até o último de seus dias. É estranho falar isso, já até causei polêmica num post semelhante, mas reitero: treina-se o amor, com práticas aparentemente artificiais. Por exemplo, dar esmolas. Você não sente nada por aquele mendigo, até quer que ele suma da sua frente, mas dá o um real pra ele comprar uma pinga.
Com o treino, você vai tornando amar uma coisa natural na sua vida, praticamente automática, como dirigir ou andar de bicicleta. Você não precisa mais racionalizar o ato, isso se torna até difícil. Esse é o segredo daqueles grandes que conhecemos, admiramos, e não sabemos de onde tiram tanta disposição.
Não sei onde li recentemente, que amar é atentar, onde está o seu amor, aí está a sua atenção. Você só presta atenção ao que ama, e só ama aquilo a que presta atenção. Porque o amor é entrega, e a atenção é dedicação do tempo, e é do tempo que é feita a vida, de nada mais.
Destarte, você não está amando nada, caia fora daqui agora, a não ser que você esteja a ler meu blogue por piedade para eu ter mais de dois leitores (o robô do Google e o gerador de feed do wordpress).
Reitero, amor é treino, como a boa educação e a etiqueta, como andar de patins. Errar faz parte, você pode destruir seu joelho, acontece, mas se ousar “na medida”, os erros serão menores e menos danosos. O treino deve se tornar atividade diária, cotidiana, lembrada.
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Perguntam-me o que achei da Azul. Gostei. O atendimento é bom, embora o pessoal do check-in seja um pouco amador. O avião é bem confortável, com espaço entre as poltronas, e ela tem o serviço de bordo mais inteligente que eu vi, estilo “bar”: a aeromoça pergunta o que você quer beber, e depois traz, evitando passar com carrinho, impedindo a passagem, de um lado para outro. As bebidas são individuais: latinhas, caixinhas, copinhos. Nada de sanduíches: wafers e batatinhas. Os bancos são de couro, há um espaço maior que a média entre as poltronas, e o avião é bem estável (não tanto quanto os de maior porte, mas muito estável). Mas o que eu mais gostei foram dos detalhes, que fazem toda a diferença.
As aeronaves têm nomes, todos com “azul”, desde coisas ridículas como “O Rio de Janeiro continua Azul” até nomes bem interessantes como “A Liberdade é Azul”. As aeromoças usam um quepe gracioso (mas bem baratinho), só fora do avião, e o uniforme é clássico. A solicitude do pessoal é ímpar.
Se há desvantagens em relação a outras companhias? Várias: há poucas rotas ainda, o serviço é mais voltado ao tipo de viagens “de turismo”, como a Gol, ao contrário da TAM que é mais voltada ao tipo de viagens “de negócio”. Isso faz sim muita diferença quando você viaja a trabalho. Eles inventaram uma de falar “com tom natural”, assim: “Oi, tudo bom? Você já deve saber que a sua poltrona tem que estar na vertical, não é? Não esqueça também de abrir as persianas e botar o cinto, hein!” que é ridículo demais (ok, eu dei uma exagerada). Mas o saldo final é bem positivo, também por causa dos preços excelentes.
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Hoje começo uma nova empreitada aqui no blogue, qual seja, ter um post novo toda segunda-feira. Façam os seus bolões de quantas semanas isso dura. A idéia é aumentar o tráfego e me disciplinar, como um exercício (lembra da “parte principal” deste post?).
Peço desculpas pelo post incompleto mais cedo, terminei o post semana passsada e mandei publicar hoje, como disse, quero ter posts novos toda segunda-feira. Acontece que a conexão internet era por demais ruim, e o post não foi salvo desde a última edição. Como eu perdi tudo que havia escrito, e estava no Rio depois disso, acabei esquecendo de terminar o post. Espero que não se repita!





“Amor é treino.”
Concordo.
“É no máximo um contentamento descontente …]”
Concordo.
E também concordo que não dá para negar que, embora o amor não seja um sentimento, o amor vem, por vezes, carregado de sentimento.
Como o bem estar de endorfina que vem depois de alguns minutos de corrida.
Como o ácido láctico (será que cortaram esse “c” também na Deforma Ortográfica?) que quase o impede de se levantar da cama no dia seguinte se você correu mais do que está habituado, mas que o ensina a aprender seus limites.
Ou como o estouro no ligamento do joelho daquele que, movido pela empolgação de um hobby recém descoberto, acha-se capaz de bater o recorde mundial dos 100m rasos no primeiro dia de treino, sem sequer fazer alongamento. A recuperação pode levar meses.
O que devia haver antes da vírgula do último parágrafo?
Abraço, meu caro!
Se permite compartilhar referências interessantes, conheço duas, muito opostas e não necessariamente consistentes.
Uma vem de André Comte-Sponville em seu “Pequeno Tratado das Grandes Virtudes”. O capítulo final fala exatamente do amor e de como ele se divide com alguma justeza entre filos, eros e agape.
Outra vem de Alain de Botton em seu primeiro livro “Ensaios de Amor” (talvez o único livro realmente bom de Botton). Botton ecoa Montaigne o tempo todo.
Os dois coincidem em pelo menos um ponto: o amor como algo disforme, inconstante e humano — e amplo, tão amplo que pode dar náuseas ou elevar a consciência.
Segundo a analogia com a música, não acho que amar os inimigos seja tocar Liszt. A meu ver, é tocar Babado Novo com virtuosismo. Ou seja, técnica demais por algo que não merece.
Abraços!
raPHael
Se, com virtuosismo, a música do Babado Novo servisse para algo, você estaria certo. Mas o objetivo é entender as razões que levam alguém a fazer o mal a você, e agir nelas para que isso não mais ocorra. Se isso não é amar o malfeitor, então não sei o que é. Se você magoa a sua eleita de afetos (como naquele quadro fantástico que você usa como avatar), você se torna um malfeitor a ela. Se ela se esforça por corrigi-lo, isso é a mesma coisa que tocar Babado Novo com virtuosismo? Ora, quem faz o mal faz por algum motivo. Você mesmo, antes de começar o seu “processo de evolução consciente” ou sei lá que termo você usa para descrever o aprendizado a prática das virtudes humanas, tinha um punhado de defeitos que hoje não tem mais. E aí, foi desperdício?
Adorei a intertextualidade com Camões, mas quase não entendi a intermusicalidade com os pianistas, hehe
Só um by the way: você é mesmo um aquariano!
E você, aquariana também, é sempre bem vinda por aqui
Quanto à música, ouvindo já fica claro: comparei o amor difícil com as canções difíceis e o amor de treino com as canções de treino!
Luís
Amor não é só treino. Amor não é sentimentalismo. Amor é Vontade! Tudo deve resididir na “vontade”. por mais difícil que isso possa parecer.
Estou sempre por aqui. Mas só hoje com tempo e cabeça para escrever.
Gosto muito do que escreve.
Fique com Deus.
[...] E o Luís escreveu sobre isso um dia desses: [...]