Eu quero viver como quem assalta um banco. Não que eu defenda o crime, quem me conhece sabe que não. Mas o assalto a banco é uma imagem boa, porque faz parte do imaginário popular com uma vivacidade única, que não encontraria em outras analogias que eu tentasse fazer.
Quero a ousadia, o planejamento, a coragem, a tensão, a necessidade das decisões rápidas e até um quê de desdém pelas reações. Ser firme enquanto tremo por dentro, tudo por um propósito. Depois fugir, nem com indolência nem com desespero, para viver os meus ganhos. Mas a fuga é depois da vida. A vida é o assalto.
Pense em Bonnie e Clyde. O que esses dois poderiam fazer? A coragem, a confiança mútua, a cumplicidade entre eles, se vivessem como quem assalta um banco, em vez de assaltá-los de fato, quão brilhante não seria a sua vida? O quanto não poderiam ter feito pelo mundo, pela humanidade. Que lições não poderíamos colher deles?
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Show me kindness, show me beauty, show me truth! Quid est Bonitas? Essa pergunta eu acho mais difícil de responder do que a própria (e famosa) “Quid est Veritas?” ou então a “Quid est pulchrum?”. O que difere o “bom” do “bonzinho”?
Não sei, nem o bom nem o bonzinho seriam capazes de assaltar um banco (voltando ao exemplo de logo atrás). Mas ao bom sobram as virtudes necessárias e falta a torpeza. Ao bonzinho faltam as virtudes, e nem sempre lhe falta a torpeza. Não assalta um banco porque é fraco, não porque é errado. Faz o bem, mas por inércia. É morno, e a morneza dá tamanha náusea em certas “pessoas importantes” que lhes causa o vômito.
O que é a bondade, afinal? Não consigo responder essa pergunta, da mesma forma que não consigo responder nenhuma das outras nem a “Quid est Caritas?”. Não existe bondade real sem amor real. Mas, da mesma forma que eu não preciso saber precisamente o que é um músculo para desenvolvê-lo, ou (pior!) uma idéia: não sei definir o que é idéia, acho que ninguém sabe (mas talvez mude de idéia depois de ler o livro “Insight”, de Bernard Lonergan, que deve chegar à minha casa até o fim do mês), mas todos nós conseguimos desenvolver idéias e criatividade. Da mesma forma a bondade e o amor. Não os desenvolvemos com exercícios no mesmo sentido dos músculos e das idéias, sequer são sentimentos: são muito mais que isso. Mas os desenvolvemos através da vida. Com a prática inconsciente e consciente, com a reflexão e as quedas. Aprendemos a ser bons no lixo, no deserto, na rejeição, no sofrimento, essas coisas ruins mas maravilhosas que nos atacam. Falta-me muito sofrimento ainda.





(…) se vivessem como quem assalta um banco, em vez de assaltá-los de fato, quão brilhante não seria a sua vida?
Esta frase é muito boa e ela me lembra aquela outra, já bem conhecida, que diz que aos bons falta o ímpeto dos maus. Esta, por sua vez, me lembra que até Jesus chutou o pau da barraca.
(eu não contava com esse emoticon, aliás)
Gostei da analogia do assalto a banco… acho que a “vida criminosa”, constante, é um meio mais “fácil” de acumular tesouros do que esperar até o último momento, como fez Dimas.
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Aiai… por que será que sempre sinto uma bofetada quando leio/escuto a palavra “bonzinho”? Ainda preciso levar muitas bofetadas.
ps: Hmmm… esse formato de post – dividido, com mudança de assunto (ainda que ligeira) – me é familiar, mas não consigo me lembrar de onde… acho que preciso fazer uma nova dieta para poder me lembrar e, assim, viver mais feliz.
Leo, não me entrega!
Mas, de fato, acho que este é o mais “lemístico” dos meus escritos.
Mas sou como o Maestro Pestana do conto “Um homem célebre”. Incapaz de fazer grandes obras como os mestres que admiro, escrevo umas polcas.
E não, você não é “bonzinho”
Quanto a Dimas, a vida é um único crime, e não vários! E ele o cometeu no último instante no qual conseguiria fugir.
Eu queria ser mal sem o peso da conciencia
“[...] Aprendemos a ser bons no lixo, no deserto, na rejeição, no sofrimento, essas coisas ruins mas maravilhosas que nos atacam [...]”
Se até tentam fazer remédios doces para o corpo, por que não seriam assim alguns para o espírito? Nos atacam ou nos fazem sair da zona de conforto para uma possível burilada? “Ruins, mas maravilhosas”… Esplendorosamente maravilhoso o humor/amor de Deus.
Gostei do blog!
[...] de conforto por um objetivo”. Como disse o Christian num comentário no meu recente artigo B&C,”aos bons falta o ímpeto dos maus”. Discordo, e para cutucar o Leo de novo, eu [...]