Na quinta-feira fui a São Luis, cujo centro achei semelhante à parte antiga e acabada do centro histórico de Santos. É triste, é um lugar caindo aos pedaços. A cidade não tem cara de capital, parece mais caiçara que muita cidade por aí e, apesar da beleza natural e da beleza que ainda resta em algumas construções antigas, é uma cidade deveras “enfeiada”. O Maranhão é o lugar mais politicamente atrasado do país, é o único lugar que ainda tem um dono. Mesmo sendo um estado de 4 senadores (afinal, Sarney é senador pelo Amapá!), se tem algum benefício político é capitalizado apenas para os políticos. Tem um litoral privilegiado para portos, e uma posição logística excelente (muito mais próximo dos EUA e da Europa que Santos ou Tubarão), mas não há vigor na economia local (muito diferente do que vi em Recife, por exemplo, cidade pujante).
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Eu gosto demais das benesses do progresso. Pegar um avião, botar um iPod na orelha, e abrir um livro comprado no aeroporto, ter a garantia que um corticóide te salvará de uma dor que causava suicídios outrora, é excelente. Mesmo que o livro aberto seja Ortodoxia do Chesterton e a música ouvida seja uma missa de Palestrina (minhas opções), isso só demonstra outra coisa ainda mais fantástica dos tempos atuais: você poder escolher “em que época você quer viver”. Um contemporâneo de Bach, por exemplo, apesar de ter acesso a “música popular” melhor, teria menos chance de escutar música mais antiga do que eu, mesmo em uma sala de concerto.
Mas não boto minha fé no progresso. O progresso não é garantido, não é linear, pode-nos levar a melhor ou a pior. Gosto do que ele me trouxe, gosto demais, mas não o coloco em um altar e lhe presto culto, apenas agradeço às gerações passadas e presentes pela genialidade e pelo trabalho.
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Falando em Ortodoxia do Chesterton, comprei o livro meio que “no susto”. Ao passar pela livraria Laselva, no aeroporto de São Luis, olhei a vitrine como sempre olho, para saber quais são os livros de auto-ajuda do momento e vi, em destaque num canto da vitrine lateral, “Ortodoxia”. “Não pode ser o do Chesterton” — pensei — e, ao ver que era (e custava menos de 20 reais), entrei, chamei um atendente — “quero o Ortodoxia do Chesterton” — que ficou meio perdido, mostrei-lhe o livro na vitrine, e ele pegou uma cópia para mim em uma das bancadas da frente. Surpreendeu-me realmente e positivamente ver uma edição brasileira do livro, e não pude me furtar a comprá-lo. Para fugir do meu vício de comprar e botar na estante, comecei a lê-lo quase imediatamente, deixando para trás a leitura que havia começado no aeroporto de São Luis.
Li os prefácios no aeroporto e aqui no avião (onde fiz uma pequena pausa para fazer os meus relatórios de horas e despesas e escrever estas linhas), os dois primeiros capítulos. Já recomendo. O livro está tabelado a R$19,90 — uma pechincha — e você encontra com descontos por aí (para clientes do Mais Cultura está a 17,91), a edição é bacaninha e a leitura é leve mas profunda. Assim que cessar a turbulência voltarei para ele (ou para a carta Encíclica Spe Salvi, de Bento XVI — o livro que comecei a ler em São Luis –, que também recomendo e pode ser baixada gratuitamente do site do Vaticano ou comprada a preços módicos em livrarias, em edição conjunta da Paulus e da Loyola), pois estou instigado com sua entrada no tema com a questão da loucura e da razão.
Chesterton diz, com maestria, que o louco, o lunático, não é aquele que perdeu a razão, mas aquele que perdeu tudo menos a razão. E diz que só pode apreciar a loucura aqueles que são sensatos. Para o abilolado, a loucura é absolutamente normal, e ele não vê naquilo graça alguma. Por isso os poetas estão distantes da loucura: ao abrir mão dos excessos de razão, imaginam, e imaginando fogem do que é normal, correm muito menos risco de serem loucos. Não dá para concentrar 20 páginas de um mestre em metade de um parágrafo de um pedante um pouquinho culto da Tatâmbia como eu, vá lá e leia. Se não quiser gastar, deve haver e-books legais por aí — a obra é centenária, e é por essa comemoração que foi publicada no Brasil.
É isso aí, vou tentar escrever com mais freqüência (agora principalmente que parei de passar mal em aviões, há um tempo bom a ser aproveitado aí) de novo! Obrigado por me ler e até mais!





Luís,
fiquei curioso de ouvir a missa palestrina. Mas desconheço o que seja.
é possível baixar gratuitamente na internet?
abraço,
ALlan
São Vicente de Lerins disse (ou escreveu – não sei onde ou quando ou mesmo quem foi S. Vicente de Lerins… só conheço a citação):
“É pelo progresso que uma coisa se desenvolve; pela mudança se transforma em outra”.
Não podemos pensar na palavra “progresso” realmente como o nome de um deus moderno ao qual muitas pessoas prestam culto. Este, tão aclamado, é apenas uma caricatura do verdadeiro progresso, aquele que é o único capaz de conduzir o mundo à Perfeição (no Belo, Verdadeiro e Bom).
Eu acho que Ortodoxia, apesar de ser do século XX, é o livro que contém as idéias que podem mudar o rumo do século XXI para melhor.
É essencial!