Domingo passado eu fui à missa no Mosteiro de São Bento em São Paulo (Algumas fotos em: http://www.flickr.com/photos/pereira/sets/72157603444236637/ ). Não teve palmas nem canções animadas, embora a homilia tenha sido excelente, o pregador não era dotado de grande oratória. Contudo, a liturgia foi seguida à risca: todos os paramentos necessários, o rito fiel ao missal, e o canto gregoriano e o órgão, que seguiram a tradição litúrgica. Cheguei à missa entre 20 e 15 minutos antes de seu início, e fiquei de pé. A nave estava lotada. Depois do “Deo Gratias”, saí e passei por outras igrejas da região (há várias pelo centro de São Paulo) em que estavam sendo celebradas missas, também. Todas com meia dúzia de gatos pingados. Será que essa “missa popular” que resolveram inventar é tão popular assim? Missas com padres conservadores, que seguem as rubricas, que não inventam nada, que não “descobrem” que Jesus era um revolucionário, são as mais cheias. Essa idéia de missa (im)popular quase acabou com o catolicismo no Brasil. E, se não acabou por completo, foi unicamente por Graça do Espírito Santo.
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O patriotismo, sob um olhar cético e moderno, pode parecer inútil. Mas ele vem de uma realidade muito simples: o amor ao próximo. O amor nasce na família, e aumenta para os vizinhos, o bairro, a cidade, a nação. Mas a nação tem um algo a mais: não é apenas a proximidade. A proximidade é muito importante, basta ver os estados de fronteira (Rio Grande do Sul, por exemplo) que às vezes se identificam mais com os estrangeiros vizinhos que com o restante do país (no nosso exemplo, argentinos e uruguaios, outros gauchos). Mas a nação tem algo mais que une: a língua e a cultura. O que me une a um amazonense é Machado de Assis e a língua portuguesa. Se as variantes regionais se tornarem dialetos, perdemos a nossa ligação. O conceito de nação é muito mais forte que o de cidade ou província, pois este último delimita apenas uma região ou, no máximo, uma sub-cultura.
Mas há também aqueles que fazem um fetiche do patriotismo, obrigando o amor e a subserviência a todos os rumos do país. Ora, voltemos à vizinhança, se eu sair de um prédio e for morar em outro eu não estou “traindo” aquele condomínio, apenas, descontente, preferi buscar morada em outro lugar! Ainda assim, poderei manter laços naquele lugar. O mesmo vale para quem sai de um país e vai viver em outro. E, no outro, também deve nutrir um certo amor à pátria que o acolheu. Simples assim.
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O aprendizado das virtudes não é muito diferente do aprendizado de matemática. Quando aprendemos equações do segundo grau, fomos ensinados que devíamos usar aquela fórmula maluca. Alguns livros até davam a demonstração, geralmente ininteligível para uma criança brasileira, mas o que interessava era decorar.
Depois de decorar que bê quadrado mais quatro á cê era o delta, e que x era igual à menos bê mais ou menos raiz de delta sobre dois á, ou enquanto e para fazermos isso, íamos aos exercícios. Ficávamos, mecanicamente, repetindo aquele gesto. Era artificial, não acreditávamos muito, mas funcionava e dava resultado. Com o tempo, ganhávamos desenvoltura e podíamos partir para os problemas, aplicações “quase reais” daquilo que tínhamos aprendido.
Quando queremos desenvolver uma virtude, o processo é mais ou menos o mesmo. Tomemos a humildade. Se queremos ser humildes, temos que começar por aquela humildade forçada: “eu não presto”, “eu nunca consegui isso ou aquilo”, “eu não sou digno de amarrar as suas sandálias”. Repetimos mecanicamente, sem entender por que o fazemos, apenas com nossa mente voltada para aquele bem que queremos. Depois vamos para um menos forçado (e geralmente muito real): “se sou melhor que fulano, isso tem um motivo que não é mérito meu, se ele tivesse a mesma situação, ele seria muito melhor”. Com o tempo, podemos ir para os problemas: ser humildes, verdadeiramente humildes em toda a nossa vivência.
Até pode parecer estranho fazer com o amor (ou outra virtude qualquer) o que se fez com a fórmula de Bhaskara. Mas, se perdermos aquela mania infantil de perguntar “por quê” para tudo, com a confiança nos nossos propósitos e medir, a posteriori, a eficácia dos métodos, podemos ganhar muito e perder pouco.
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(This is a commentary to Mr. Lemos — IVLIVS AMANTIS:)
O amor não é um sentimento, mas o simples: “querer o bem do outro”[1,2]. Esse querer-bem é composto, contudo, por uma miríade de sentimentos[2]. E não há bem maior que ser salvo, alcançar a santidade e o Paraíso. Então, quando Julio deseja “Que este homem seja santo!”[3] ao transeunte, ele demonstra, por esse homem desconhecido, o maior amor que existe. Não sou eu quem digo, mas ele mesmo[3]!
Contudo, o caminho para se salvar é aquele velho conhecido amar “cristicamente” o outro[4]. E, o amor crístico, é o amor perfeito: o amor que quer a salvação. Aí surge a dimensão social da Salvação: para salvar-se é preciso querer salvar o outro, os outros, a humanidade inteira. São Paulo assinou sua sentença de salvação quando disse, com honestidade, que aceitaria ir ao inferno para que os demais fossem salvos.[4]. Quem se salva quase sempre leva alguém, alguns, junto. É esse o aspecto real, lógico e visível do que chamamos “Misericórdia de Deus”.
Referências:
[1] Bento XVI, PP: Carta Encíclica Deus Caritas Est.
[2] de Carvalho, Olavo: O Caráter como forma pura da personalidade.
[3]Feliz Nova Dieta: disponível em http://julio-lemos.blogspot.com
[4]Bíblia Sagrada, tradução da Vulgata Latina pelo Padre Antônio Pereira de Figueiredo





[...] diariamente, até o último de seus dias. É estranho falar isso, já até causei polêmica num post semelhante, mas reitero: treina-se o amor, com práticas aparentemente artificiais. Por exemplo, dar esmolas. [...]