Um amigo meu (não vou citar seu nome mas isso tornar-se-á público em breve) teve uma idéia aleatória e inconseqüente (como toda idéia aleatória) num dia de falta de luz. Morador da Moradia Estudantil da Unicamp (conjunto que compõe-se de várias casinhas com sala, quarto, cozinha e banheiro povoadas por 4 pessoas que lá moram gratuitamente, voltada para estudantes menos favorecidos e gente que quer economizar pra comprar um carrão — viva o Estado!), ao faltar luz, resolveu sair com algumas pessoas, vestido de profeta (ou de Jesus Cristo mesmo, não sei), com uma moça a seu lado com um lençol feito véu branco a anunciar que “O fim está próximo”, “Arrependam-se”, “A culpa é de vocês”, entre outros.
Há 10 anos, alguns jovens lançavam O Indivíduo, que contava com o artigo “A negra noite da consciência“, que combatia o “Dia da Consciência Negra”. Foram chamados de “racistas” pelos melano-fascistas (go Greek if you didn’t catch it). Nunca fui fã deles, nunca fui leitor assíduo, às vezes recomendavam-me um artigo e eu lia. Sempre eu gostava, mas há outros estilos que eu prefiro. Quem me lê constantemente sabe quem são os meus favoritos. Retomo, estou disperso demais: os jovens que lançavam “O Indivíduo” na PUC do Rio foram perseguidos, caluniados e Olavo de Carvalho veio em seu socorro com diversos artigos em jornais que foram posteriormente publicados no volume “Imbecil Coletivo II: A longa marcha da vaca para o brejo e os filhos da PUC”. Eles eram os filhos da PUC.
Volto ao meu amigo. Em uma das casas em que ele parou, acabara de terminar uma reunião de um “coletivo do movimento negro”. Sem saber desse fato relevantíssimo, gritou “A culpa é de vocês”. A moça que conduzira a reunião saiu de sua casa, viu-os e, achando em sua paranóia que a moça de lençol branco simbolizava uma espécie de KKK, inflou-se de cólera anti-racista e pediu (ou pedirá, não estou ao certo) a abertura de uma comissão de sindicância (na verdade, provavelmente será uma comissão de processo sumário, que geralmente é chamada de sindicância, mas sindicâncias são apenas para funcionários) para puni-lo. Este querido sabiamente trouxe toda a responsabilidade para si.
É incrível a “mania de perseguição” que se desenvolve nesses movimentos de minoria:
– Machado de Assis é o maior autor negro da história
– Seu racista! (…)
– Ela tornou-se lésbica porque ficou desiludida dos homens.
– Seu homofóbico!! (…)
– A natureza feminina é voltada aos cuidados do lar. Isso não impede… — no que sou interrompido:
– Seu machista!!!
O pior é que até pessoas que não consideram racista o seu ato condenam-o por motivos estapafúrdios. Mas vejam — volto novamente de uma dispersão –, esses movimentos de minorias estão criando uma predisposição à guerra, seja de raças, de sexos, de credos! Todos os negros “politizados” passam a ver nos brancos (e meu amigo em questão está muito longe de ser um caucasiano!) inimigos em potencial, descendentes de escravizadores (ah, se eu fosse levar meu parco sangue semita a sério…). Os gays, lésbicas e todas essas coisas aí vêem o “moralista” e acham que ele os odeia! Viva a tolerância, viva a sociedade plural, não devia ser por isso que os movimentos de minorias deveriam lutar?
E a pergunta que fica: como posso ter orgulho de algo que me foi imputado?





Belo texto Luís
A Intolerância sob o véus da tolerância está proliferando em nosso país.
Abraços,
ALlan
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