Ontem ou anteontem li um artigo do Otto questionando a questão da inteligência humana como superior às demais. Baseado nisso, fiz algumas reflexões que, o contrariando, levaram-me a algumas conclusões que exponho aqui. Por isso, obrigado Otto pelo enlightenment.
Ilha das Flores é um curta-metragem que professores de história gostam de mostrar para seus aluninhos para começar a doutrinação materialista. O filme começa assim:
"Esta é uma obra de ficção. Existe um lugar chamado Ilha das Flores. Deus não existe.".
Em seguida, dá algumas definições: por exemplo, define o homem como um animal que tem telencéfalo altamente desenvolvido e polegar opositor. Também define o porco como um animal que não tem um telencéfalo altamente desenvolvido e nem sequer um polegar.
Bom, a historinha é a seguinte: há uma mulher que compra tomates no supermercado, vê um que está podre e joga fora. Esse tomate é levado à Ilha das Flores. Lá há um dono de porcos, cujos funcionários podem entrar no lixo e selecionar alguns alimentos para dar àqueles animais. Depois que é retirada a comida dos porcos, é permitido que um grupo de pessoas (mulheres e crianças) entrem no lixo para buscar alimentos, solução realmente degradante.
A conclusão induzida é óbvia: "a culpa é do capitalismo selvagem". Isso já era esperado. Mas há uma pequena coisa a se notar: o que nos faz ficar chocados? Por que nos choca que aquelas famílias sejam colocadas na fila depois dos porcos? Por que nos indignamos? Será que é porque aqueles animais (as pessoas, não os porcos) têm telencéfalo altamente desenvolvido e polegar opositor?
É claro que não. Então há algo mais no homem que não o polegar opositor e o telencéfalo. Se víssemos macacos depois dos porcos na fila, não nos chocaríamos, mesmo os últimos tendo um telencéfalo razoavelmente desenvolvido e, pelo menos, um polegar. E também, o que coloca o telencéfalo desenvolvido e o polegar opositor acima de um focinho e cascos nas patas? E se fossem ETs com telencéfalo mais desenvolvido ainda e 3 polegares opositores em cada mão, será que isso nos geraria indignação?
A impressão que o filme quer nos causar então depende que descartemos uma de suas premissas mais importantes: o materialismo. Para nos sensibilizarmos com os humanos que comem lixo, precisamos ter um entendimento do "humano" superior ao entendimento materialista. Na cultura judaico-cristã isso se chama "imagem e semelhança de Deus", o que contraria também o pequeno corolário colocado no início do filme "Deus não existe".
O filme, portanto, faz uso de algo que ele pretende contrariar: a transcendência. O que sensibiliza o humano com o outro humano é que no outro há também a imagem e semelhança de Deus. O materialismo estrito não diferencia um animal de outro, então que se faça como o maluco do Peter Singer: defenda-se o "direito humano dos animais", em que todos os animais têm o mesmo direito, e aí, tanto faz se são os porcos ou os seres humanos que comem primeiro. Se vamos considerar os humanos superiores, temos um porquê, e ninguém vai me conseguir convencer que o fazemos porque temos telencéfalo altamente desenvolvido e polegar opositor.
Muito obrigado pela leitura, até mais, e que você tenha um Natal na companhia dO Aniversariante.





O filme parte da idéia de que Deus não existe e no fim causa repulsa ao telespectador pelo fato evidente de que Deus existe. Então, no fim das contas, não serve o filme como prova por absurdo da existência de Deus?
“Partindo da premissa absurda que Deus não existe, vou te mostrar essas coisas e elas não vão te chocar. Como elas te chocam, minha premissa inicial está errada. CQD”
[...] ser porque eu o assisti no cinema mais fedido da face da terra, o Cine Arte Posto 4 em Santos) e Ilha das Flores seria mentiroso e auto-contraditório filmado no país que [...]