Para começar bem (ou não) o ano: Política, Economia e Jurisprudência (talvez devesse incluir nessa lista a Filosofia). Todo mundo fala desses assuntos sem conhecê-los. Quando falo todo mundo, é patente que faço uma generalização. Mas é uma generalização suficientemente grande para incluir a mim mesmo. Se me incluo, falo com “consciência de classe”.
De economia, fiz um cursinho de macroeconomia keynesiana no Instituto de Economia, li alguns keynesianos nesse curso, como Galbraith, li dois capítulos d\’O Capital de Marx, a crítica de Böhm-Bawerk à teoria da exploração (mais-valia), alguns apuds de uns liberais por aí, leio umas revistas que falam de economia, e tal, coisa bem pouca: em suma, não sei nada.
De política, vi um pouquinho mais. (Embora tenha plena consciência que não é possível emitir posicionamentos políticos sem conhecer economia. Para mim, todo político devia conhecer, pelo menos: Locke, Smith, Ricardo, Rodbertus, Stuart Mill, Marx, Keynes e os notáveis da Escola Austríaca. Hoje em dia, quem lê tudo isso sabe mais que muito economista formado nas melhores universidades brasileiras. Deveria ser pré-requisito para um vereador de Pindaíba). li, além do Marx, outros marxistas como Althusser, Saviani, Rosa Luxemburgo e Brandão; li apuds de Gramsci e Lênin; li também os políticos libertários americanos, gosto do pensamento político de Olavo de Carvalho, li, além disso, grande parte d\’A República do Platão, d\’O Príncipe de Maquiavel, e ainda tenho a Política de Aristóteles, a Suma Teológica (que entre outros assuntos, versa sobre política e o pensamento proto-liberal e proto-socialista na minha fila de leitura (em qual não estão nas primeiras posições): em suma, sei quase nada.
De jurisprudência, li um livrinho de Miguel Reale e conheço alguns artigos da Constituição: em suma, sei menos que nada. Comentava hoje com o Rafael que todo cidadão tem como dever conhecer pelo menos a Constituição, mas isso é impossível para o brasileiro, que tem, em um só artigo, metade do tamanho da constituição americana (conforme já comentei) e que se subjulga a uma lei volatilíssima que muda todo dia.
Falei tudo isso para dizer que tomo uma postura, a meu ver a mais acertada, socrática sobre esses assuntos: pelo menos sei que nada sei. Tem gente que nem isso sabe, e fala desses assuntos com a postura de um especialista, sem muitas vezes saber o mínimo para discutir os assuntos do jornal no boteco ou na padoca. Podem ter certeza que sou sincero ao dizer que sei que nada sei. E nada modesto ao dizer isso, aliás, talvez até pedante. Sei que meu conhecimento é bem pouco, e tem muito a melhorar. Qualquer pessoa com algum fundamento (e infelizmente isso é raro) me quebra em qualquer discussãozinha sobre esse assunto. A diferença minha para os outros é que eu sei quando alguém “quebra minhas pernas” em uma discussão. Os outros, por não saberem que nada sabem, saem desses tipos de discussão com um ar de superioriedade, já que não entenderam nada do que o outro falou, e por isso não foram convencidos.
É isso, obrigado e feliz ano novo.




